Sexta-feira, 21 de junho de 2024
Agro

Aves são usadas como controle de pragas

O agrônomo, Douglas George de Oliveira fala sobre o assunto

Tubarão - SC , 01/10/2022 09h30 | Por: Redação
Pexels

Você sabia que marrecos são usados como controle de pragas em plantações de arroz? Sim, isso mesmo que você leu. É muito comum agricultores usarem essas aves para comerem insetos e plantas invasoras em suas lavouras.
 
A criação de marrecos nos campos de lavoura se tornou algo comum e facilitador para controlar pragas. No Vietnã, por exemplo, já se tornou algo cultural entre os agricultores, porque é uma prática que já acontece a mais de anos. A ave é levada ao campo após 22 dias que o plantio de arroz foi feito e depois são removidos assim que a planta começa a florescer.
 
Em 2020 um vídeo viralizou na internet, onde cerca de 10 mil marrecos são soltos no campo de plantação de arroz, para comer as pragas indesejadas que estão ali. Esse fato aconteceu na Tailândia Central, que também tem essa prática como tradicional. No país eles soltam as aves, após ser feita a colheita da safra, diferente do Vietnã. Lá essa prática é chamada de “ped lai thoong”, que traduzindo para o português significa “patos caçadores de campo”.
 
O agrônomo da Epagri, Douglas George de Oliveira, explica que o uso de marrecos na lavoura de arroz tem diferentes nuances. “Um marreco é usado desde o preparo do solo, antes de ser meu arroz. Porque aí, nessa fase, ele vai consumir as sementes das plantas daninhas. Que são plantas ali que atrapalham a lavoura. Essas sementes não vão nascer depois do meio do arroz, então mantém a lavoura limpa. Um certo tempo depois que é semeado arroz,em torno de 30 e 40 dias ali, quando o arroz já cresceu um pouco. Esse Marreco volta para poder voltar para a lavoura e aí ele vai fazer um controle de uma Praga.. Algumas pragas, na verdade, da lavoura do arroz, especialmente percevejo. Ele faz esse controle permitindo que a lavoura se desenvolva sem um ataque dessas pragas”.
 

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Douglas também explica que essa prática é forma de controle passivo, assim, conseguem controlar certo malefícios da lavoura, sem a utilização de agroquímicos.“Complementarmente no caso. É o que a gente chama de manejo integrado. São várias práticas de manejo visando melhorar as condições de cultivo. Então, se eu tenho uma planta daninha atrapalhando a minha lavoura e eu uso herbicida, normalmente, um veneno que mata as plantas daninhas, então eu tenho uma forma de controle que é o herbicida. Quando eu uso o marreco e depois mais o herbicida, então eu  aumento da eficiência de controle, porque eu tenho duas formas, complementares agindo no mesmo problema que é o da planta daninha, e a mesma coisa vale para para inseto”.
 
“Fazer esse controle sem aplicação de agrotóxicos. Isso, então, reduz o impacto ambiental. Tem uma certa redução no custo produção. Mas ela não é direta, porque o Marreco, para ser criado, também tem um custo, tem um custo de aquisição. Ele faz uma fertilização da lavoura ao mesmo tempo. E ele atua no nível que às vezes as aplicação de agrotóxico não conseguem chegar. Tem uma Praga que é o caramujo do arroz que hoje não existe o controle registrado para essa praga. O marreco é uma forma de atuar controlando essa questão”, completa.
 
O agrônomo também fala sobre os malefícios da utilização dos marrecos nas lavouras. “Tu precisa de mão de obra para cuidar deles. Tu tem que proteger ele contra predadores, como um cachorro. Dependendo da fase do tamanho que eles estão até aves. O urubu e o gavião, que acaba matando os marrequinhos pequenos. Então te requer uma mão de obra. Existe o custo da aquisição dos marrecos e o custo da alimentação deles. Porque tu tem que complementar a alimentação. Não dá para deixar ele só se alimentando da Roseira”, destaca.
 
Ele também comenta sobre o que acontece com as aves após a colheita do arroz. “Bom, no final do processo de uso dos marrecos, tu tem a possibilidade de comercializar. essa comercialização, ela repõe o custo que tu teve com os marrecos. A prática comum de quem está usando marreco hoje em dia é vender as aves vivas. Então, pessoas vão lá, compram dez marrecos, outra vai lá e compra vinte e tal. E as pessoas compram as aves vivas. Por um preço que vai repor aquele gasto que tu teve com compra e a cria dos marrecos durante a lavoura. Hoje, nós não temos uma legislação que permita o abate dessas aves dentro de um frigorífico certificado. Então, por isso que a gente não vai encontrar marreco. O agricultor não vai vender isso para um frigorífico, para abater, porque não existe, a legislação não ampara isso hoje em dia.  Então, por isso que esses abates são feitos, assim, o produtor mata para ele consumir e acaba vendendo as aves vivas e mais ou menos é isso que acontece na prática”.
 
“Eu tenho observado assim, o uso médio.  Tem produtores que compram 500 animais, outros 1000, alguns pouquíssimos a mais que 1000 marrecos. Normalmente ele vai acabar fazendo um rodízio. Mas é uma reconhecida utilizada principalmente no pré plantio.  Antes de plantar o arroz, para fazer a limpeza, especialmente de arroz daninho. Que é uma Praga, uma planta daninha que atrapalha muito a labor do arroz . No controle de insetos, até não é a principal aplicação que os produtores têm adotado hoje em dia. Então, depois que planta o arroz, normalmente os marrecos já são comercializados”, conclui.
 

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