Segunda-feira, 24 de junho de 2024
Cidadania

A homofobia ainda existe e está na educação, no mercado de trabalho, nas rodas sociais

Ainda falta muito para pessoas trans terem acesso pleno à educação, ao mercado de trabalho e aos direitos sociais

Santa Catarina - SC , 17/05/2024 07h30 | Por: Joca Baggio
Foto: Imagem Ilustrativa/SCTodoDia

Embora seja crime no Brasil, a transfobia é um dos causadores da exclusão das mulheres e homens trans no mercado formal de trabalho. O estigma sofrido por essas pessoas vai desde olhares incômodos na hora da entrevista à disc rimionação na disponibilização das vagas. Nem as vagas afirmativas, que são medidas adotadas com o propósito de combater quaisquer tipos de discriminação na sociedade e, ao mesmo tempo, promover a igualdade de oportunidades para as pessoas que fazem parte de grupos sociais historicamente marginalizados, minimizam os problemas. 

Essas vagas, na grande maioria, não são para posições-chave ou cargos de liderança, mas, sim, para postos de entrada como recepcionistas ou ocupações com grande rotatividade, a exemplo do atendimento de telemarketing, repositor de mercadorias e controlador de estoque. Isso faz com que a renda média de 33% dessas pessoas seja de até um salário mínimo, segundo dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra).

O pesquisador e professor do Núcleo de Estudos em Gênero e Saúde da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Rodrigo Moretti diz que hoje já se percebe algumas políticas de inclusão, sejam políticas públicas, a exemplo das universidades, que abriram mais espaço; além de algumas políticas de mercado de contratação e de capacitação, o que vem resultando em mais mulheres e homens trans colocados no mercado. No entanto, ainda há um longo caminho pela frente. 

A psicóloga trans Franchesca Aurora, de Balneário Camboriú, diz que a falta de escolaridade contribui para esse cenário. Mas não por opção das pessoas trans, mas por imposição da sociedade. Ela brinca com o termo evasão escolar que, principalmente para a mulher trans, se transforma em expulsão escolar. “Somos expulsas das escolas por conta do extremo preconceito, das violências, da exclusão que acontece nesses ambientes. Aí acabamos não dando conta de nos formar e muito menos de chegar numa faculdade, o que nos afasta ainda mais de outras oportunidades de trabalho.”

E segundo a especialista, não há uma fórmula de sucesso. “Não existe receita pronta que nos faça dar conta de matar um leão por dia e alcançar um lugar ao sol, porque somos tão individuais e vivemos num mundo tão desigual que vai ser uma trajetória única para cada uma de nós.”

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