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Segunda-feira, 29 de novembro de 2021

COLUNISTAS

Beatriz Formanski

Pobreza menstrual atinge 26% das mulheres no Brasil

06/10/2021 13h50 | Atualizada em 06/10/2021 18h51 | Por: Beatriz Formanski
Divulgação/Internet

Você já pensou sobre a pobreza menstrual? Uma pesquisa de 2018 da marca Sempre Livre apontou que 26% das adolescentes de 15 a 17 anos não têm acesso a produtos higiênicos adequados durante o período menstrual. A menstruação, que já é vista como um tabu, se torna ainda mais um sofrimento não visto (ou ignorado) no dia a dia de mulheres de baixa renda.

No ano passado entrevistei a Rafaella de Bona, designer e idealizadora do projeto Maria. Com o projeto de um absorvente interno feito da fibra da banana para mulheres em situação de rua, a profissional conquistou o prêmio alemão "iF Design Talent Award". O designer é o profissional que resolve os problemas, pensando em soluções viáveis. Rafaella percebeu a pobreza menstrual como um problema e criou uma alternativa social e ambiental para as milhares de mulheres que sofrem com isso.

Depois desse programa fiquei muito reflexiva. Em todos os meus ciclos menstruais eu tinha absorventes em casa e se faltasse era só ir no mercado ou na farmácia comprar. Com aba, sem aba, noturno, protetor diário. São tantas as opções que nós temos. Nós. Quem somos nós? Será que todas têm essas opções? Ou será que no alto da nossa soberba não conseguimos nem perceber outras realidades?

A deputada federal Tabata Amaral apresentou em 2020 um projeto de lei na Câmara dos Deputados que garante a distribuição gratuita de absorventes biodegradáveis em espaços públicos. Criticada por muitos, por conta do gasto público empregado a esse investimento, a parlamentar ressaltou que a medida tem sido adotada por vários países com o objetivo de diminuir o constrangimento, abstenção escolar ou de trabalho e também o uso de materiais inadequados, que podem prejudicar a saúde das mulheres.

Imaginar uma realidade de vulnerabilidade nas ruas já é difícil, dentro de presídios, então, nem se fala. Esse foi o assunto da minha conversa com a jornalista e autora do livro Presos que menstruam, Nana Queiroz. Isso mesmo. Não foi um erro de digitação. Presos que menstruam. Porque quando encarceradas as mulheres são tratadas como homens, sem seus direitos específicos assegurados.

Falta de estrutura física é o menor dos problemas dentro das prisões do país. A falta de atendimento básico de saúde é um dos fatores mais desumanos no cárcere brasileiro. “As mulheres usam como absorventes bolas de papel higiênico ou até mesmo pedaços de tecidos como tampão”, conta a pesquisadora que conheceu diversos presídios em todo território nacional durante quatro anos.

Você assiste abaixo o programa com a participação de Rafaella de Bona, em uma coreflexão sobre esse assunto urgente, e também a escritora Nana Queiroz, falando sobre presos que menstruam: 

 

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