Sexta-feira, 24 de maio de 2024

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Denis Luciano

Dexco prepara fechamento de cerâmica em Criciúma

29/07/2023 20h30 | Por: Denis Luciano
Dexco controla as antigas Cecrisa e Ceusa na região / Divulgação

O boato já vinha circulando nos corredores, ganhou corpo nos últimos dias e agora é questão de dias. O grupo Dexco, que em maio de 2019 comprou a Cecrisa, está preparando o fechamento de uma das mais tradicionais unidades em operação em Criciúma: a cerâmica Eldorado, cuja planta industrial se localiza na Quarta Linha.

Consultei a respeito, neste sábado (29), o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Ceramistas e da Construção Civil de Criciúma e Região, Itaci de Sá. "É a informação que corre aqui, que no dia 31 de agosto fecha a unidade Eldorado. Só vai ficar funcionando a retífica ali", referiu, mencionando o segmento que faz a chamada retífica de peças cerâmicas. Sendo oficializado o fechamento da Eldorado, cerca de 300 trabalhadores perderão seus empregos.

Uma reunião de diretores da Dexco com representantes do sindicato na próxima segunda-feira (31) deverá apresentar mais detalhes da situação. Não se trata de um fato novo nos procedimentos da Dexco. O grupo, sediado em São Paulo e fortemente ligado ao Banco Itaú, adquiriu a Ceusa, de Urussanga, em julho de 2017, por R$ 280 milhões. Tempos depois, fechou a unidade localizada na SC-108, no acesso à cidade, e manteve a operação da comunidade de São Pedro, onde há menos mão de obra humana e a estrutura é altamente tecnológica e mecanizada.

O grupo Dexco já impôs aos seus funcionários algumas situações que vem sendo questionadas na Justiça. Uma delas, um laudo apontando que não há razão para o pagamento de adicional de insalubridade. Com isso, comunicou os trabalhadores que não efetua mais tais compensações, e a discussão foi levada pela representação laboral aos tribunais. A empresa tem, ainda, a intenção de desconfigurar o turno tradicional de operação das cerâmicas, de 8 em 8 horas, para o chamado 12 por 36 horas.

A Dexco está ultimando a montagem de uma grande planta industrial em Botucatu, interior de São Paulo, para onde poderá levar mais operações ainda sediadas em Criciúma. A Cecrisa foi adquirida em maio de 2019 por R$ 539 milhões. No pacote está a Portinari, que desde então opera sob a bandeira da Dexco em sua planta industrial na BR-101. É informação corrente no mercado que a Dexco conseguiu, com seu modelo de gestão, alcançar o que investiu na Cecrisa em três anos e, no quarto ano, já conseguiu um lucro superior a R$ 400 milhões.

A informação sobre o fim das operações da cerâmica Eldorado, que veiculamos em primeira mão neste sábado na Rádio Cidade em Dia e em nossas redes sociais, causou tremenda apreensão entre muitos funcionários, mas outros já demonstravam alguma expectativa por terem tomado conhecimento das conversas nos bastidores. Uma previsão ainda mais pessimista indica que a unidade da Quarta Linha já poderá ser desmobilizada até o dia 15. Aguardamos o pronunciamento da empresa.

As outras cerâmicas

A grande marca concorrente da Cecrisa entre as oriundas de Criciúma e região, a Eliane, também não é mais propriedade regional desde outubro de 2018, quando foi adquirida pela norte-americana Mohawk por R$ 930 milhões. Em novembro último, a Mohawk fez novo investimento na região, adquirindo a cerâmica Elizabeth. Antes, a Pisoforte já havia sido comprada por um grupo de São Paulo. Restam sob controle criciumense cerâmicas menores como a Angelgress, Giseli e Gabriela

Denis Luciano

Denis Luciano

Denis Luciano é jornalista e radialista com 28 anos de experiência em rádio, TV, jornal e web em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de professor universitário. Apresentador e coordenador da Rádio Cidade em Dia.

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