Sábado, 25 de maio de 2024

COLUNISTAS

Denis Luciano

IBGE e Bolsa Família na mira do prefeito Salvaro

13/08/2023 21h45 | Por: Denis Luciano
Salvaro discursando na inauguração da área industrial do Verdinho / Foto: Paulo Monteiro / Rádio Cidade em Dia

Ao inaugurar o Loteamento Industrial do Verdinho, excelente estrutura para instalação de 18 empresas na Rodovia Jorge Lacerda, acesso Sul de Criciúma, o prefeito Clésio Salvaro (PSD) mirou críticas no IBGE e no Bolsa Família.O discurso de 10 minutos, assistido por uma plateia razoavelmente eclética entre apoiadores, empresários e outras lideranças, teve conotação de contraponto aos recentes dissabores econômicas que a cidade viveu, principalmente a partir do fechamento de uma unidade da Dexco que resultou em mais de 150 demissões.

Salvaro insistiu no suposto erro do IBGE ao apurar a população de Criciúma: "não somos 214 mil criciumenses. Somos mais de 250 mil, é perceptível a olho nu, é só andar pela cidade e enxergar o desenvolvimento". Lá no site do IBGE está claro: Criciúma tem, conforme o recente Censo, 214.493 habitantes que fazem da cidade a 145ª maior do Brasil, 8ª de Santa Catarina.

Ele elencou alguns números para embasar a crítica. Recorreu à Coopera para dizer que, naquela região do Loteamento Industrial, que é atendida pela cooperativa de energia de Forquilhinha, havia 6,2 mil unidades consumidoras em 2010. Hoje, são 9,6 mil, acréscimo de 47%. Outro dado apresentado por Salvaro para contrapor o IBGE: a Casan atendia 62 mil unidades em 2010 em Criciúma e hoje são 96 mil, salto de 48%.

Não satisfeito, o prefeito mirou em outro foco para justificar falta de mão de obra: "é claro que temos um concorrente nesse negócio da mão de obra", apontou. "Qual é o nosso maior concorrente hoje? É o auxílio do governo. Falta gente para trabalhar nas nossas empresas porque eles preferem ganhar essas bolsas do governo", disparou. "Onde se viu uma cidade, desse porte de Criciúma, temos 5,1 mil famílias, quase 18 mil pessoas recebendo auxílio do governo, e passa na frente de qualquer empresa e diz 'estamos contratando'", enumerou.

Faltou lembrar ao prefeito que o Bolsa Família paga, em média, R$ 705. Óbvio que há falhas, há gente que não o utiliza como amparo para a qualificação e o devido ingresso futuro no mercado de trabalho, como sublinhou Salvaro. Mas está evidente que R$ 705 não são suficientes para viver com dignidade. Trata-se de um singelo apoio. Ou uma família vive com R$ 705? O prefeito viveria com esse valor? Obviamente que não.

Então culpar o Bolsa Família pela falta de mão de obra para as empresas é inverter o jogo: é não admitir a falta de políticas eficientes de atração de grandes empresas e, em vez disso, empurrar a responsabilidade. Em um momento de exaltação de uma ação positiva, o loteamento industrial que aquecerá a economia criciumense em até R$ 500 milhões quando estiver consolidado, gerando perto de 1,5 mil empregos, o prefeito perdeu a oportunidade de assumir o protagonismo que lhe cabe e errou a mira.

A íntegra do discurso de Salvaro, com mais apontamentos a respeito, você vai ouvir no Em Dia com a Cidade desta segunda-feira (14), a partir das 6h30min, na Rádio Cidade em Dia.

Denis Luciano

Denis Luciano

Denis Luciano é jornalista e radialista com 28 anos de experiência em rádio, TV, jornal e web em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de professor universitário. Apresentador e coordenador da Rádio Cidade em Dia.

Opiniões do colunista não representam necessariamente o portal SCTODODIA.com.br

VER COLUNAS
SCTODODIA - Ligados em tudo Grupo Catarinense de Rádios
Alfredo Del Priori, 430 Centro | Criciúma - SC | CEP: 88801630
(48) 3045-5144
SCTODODIA - Ligados em tudo © Todos os direitos reservados.
Demand Tecnologia

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições.