Quarta-feira, 29 de maio de 2024

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Denis Luciano

O abono de R$ 150 para servidores que menos ganham

25/07/2023 20h50 | Por: Denis Luciano
Câmara, agora, espera prefeito mandar projeto dos abonos / Foto: Câmara / Divulgação

Na próxima quinta-feira (27) vão completar dois meses da polêmica votação de maio na qual, por 10 a 7, vereadores de Criciúma aprovaram o reajuste de 4,36% nos vencimentos dos servidores municipais. O barulho foi imenso, a categoria chegou a fazer uma greve e os votos contrários eram parte do ruído contra o baixo índice, que serviu para apertar ainda mais os vencimentos dos cerca de 600 trabalhadores que ganham R$ 1.320 por mês.

Pois para esses o prefeito Clésio Salvaro (PSD) sinaliza com um agrado agora. A Câmara aprovou, nesta terça-feira (25), requerimento que sugere ao Executivo um estudo (sugerido pelo próprio prefeito) para adicionar um abono de R$ 150 nos cupons alimentação desses que menos ganham, e R$ 100 para todos os demais. Essa medida terá um impacto anual de R$ 4 milhões, mas não incide em direitos nem conta para a aposentadoria. É um abono, e não um reajuste.

Levando-se em conta somente os 600 trabalhadores que ganham R$ 1,3 mil mensais e terão direito a R$ 150 de incremento no cupom alimentação, trata-se de R$ 1 milhão ao ano. Pouco, muito pouco para os cofres públicos que, segundo consta, vão bem em Criciúma.

Uma das curiosidades que ficou no ar: como, em apenas 60 dias, o Município conseguiu rever as contas e achar o dinheiro que não existia em maio para conferir um reajuste maior? Na ocasião, o prefeito argumentou pela "responsabilidade fiscal" para justificar o limite em um índice baixo. Se os R$ 150 forem transformados em percentual diante dos salários dos que menos ganham, seria um acréscimo de 11%. A explicação do Executivo, repassada pelo líder do governo, vereador Toninho da Imbralit (PSDB), é que a retenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) dos contribuintes locais encorpou o caixa, permitindo a operação em prol dos servidores.

O vereador Julio Kaminski (PP) sugeriu, então, que o Município se apresse na elaboração do projeto para que o abono seja incluído já na folha de pagamento a ser quitada na semana que vem. "Nem que o prefeito tenha que convocar uma sessão extraordinária. Já convocou extraordinárias para tanta coisa", comentou. Segundo Kaminski, o líder Toninho da Imbralit ficou de repassar essa ideia nesta quarta-feira (26) ao prefeito Salvaro.

Já o vereador Miri Dagostim (PP) fez um giro por seis cidades da Amrec para comentar o quanto segue ganhando pouco o servidor criciumense de menor remuneração: R$ 1.320, diante dos R$ 1.592 de Nova Veneza, R$ 1.560 em Treviso, R$ 1.506 em Urussanga, R$ 1.504 em Siderópolis e R$ 1,5 mil em Cocal do Sul. E ele insistiu no pedido da adição dos 20% de insalubridade sobre o salário mínimo, e não sob uma fórmula atualmente empregada que converte menos valores para os trabalhadores.

Os vereadores Paulo Ferrarezi (MDB), Giovana Mondardo (PCdoB) e Juarez de Jesus (PSD) consideraram-se parte de uma bancada "inimiga". Explico: como são três dos sete votos contrários ao dissídio em maio, eles não foram convidados pelo prefeito para subscrever o requerimento que sugeriu os abonos agora. "Pesou na consciência do prefeito, que agora nos trata como inimigos", lamentou Ferrarezi. "Diante da teimosia do prefeito, ele podia ter resolvido isso lá atrás", pontuou Giovana. "O que aconteceu de lá para cá? Aumentou o faturamento?", indagou Juarez.

Em contraponto, a vereadora Roseli Pizzolo (PSDB) afirmou que, ao propor os abonos, o prefeito provou que "tem palavra e cumpre". E comentou que "se até o fim do ano tiver a nova lei do piso do magistério, ele (o prefeito vai cumprir". Segundo Roseli, o imbróglio do piso do magistério deve terminar até dezembro.

Denis Luciano

Denis Luciano

Denis Luciano é jornalista e radialista com 28 anos de experiência em rádio, TV, jornal e web em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de professor universitário. Apresentador e coordenador da Rádio Cidade em Dia.

Opiniões do colunista não representam necessariamente o portal SCTODODIA.com.br

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