Domingo, 19 de maio de 2024

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Denis Luciano

Passagem de ônibus mais cara em Criciúma: não era para maio?

04/02/2024 10h30 | Por: Denis Luciano
Passagem mais cara a partir de hoje em Criciúma: R$ 5 / Foto: Denis Luciano / Arquivo

Às 17h18min de sexta-feira (2), a Diretoria Executiva de Comunicação (Decom) da prefeitura de Criciúma disparou conteúdo informando que as tarifas de ônibus seriam reajustadas em Criciúma neste domingo (4). Ou seja, o aviso prévio veio exatamente 30 horas e 42 minutos antes de o reajuste cair no bolso do criciumense. 

Desde a zero hora deste domingo, andar de ônibus em Criciúma custa R$ 5. Antes, eram R$ 4,70. Não é por 30 centavos, embora seja. Vamos aos fatos: no último dia 24, em reunião no Paço, o prefeito Clésio Salvaro (PSD) reuniu vereadores e o Consórcio CriBus, operador do sistema, que referiu um déficit de R$ 800 mil para manter os ônibus transportando, muito por conta da queda acentuada do número de passageiros desde a época da pandemia. Muito compreensível.

Acontece que ficou claro, na reunião, que estudos seriam contratados para analisar as planilhas da prefeitura e das empresas. Uma comissão seria montada na Câmara para acompanhar. Nas últimas horas, surpresos com o súbito reajuste, alguns vereadores confidenciaram à coluna a mesma pergunta: "ué, mas não era para maio?".

O governo Salvaro coleciona acertos. É inegável. Mas cria falhas também que só não ganham tanto realce pois o governo é articulado, midiático e poucos são os que chamam a atenção para seus equívocos. Este é um deles: Salvaro não soube lidar com o transporte coletivo. A qualidade caiu, a rentabilidade desabou e o Município não foi eficiente na cobrança de tecnologia efetiva e atraente. Os usuários estão se evadindo para modais variados: desde a motoneta barata até o aplicativo, e fugindo dos ônibus.

Tudo isso é uma lástima. Afinal, nosso sistema nasceu inovador, com os terminais, a passagem integrada. Você embarcar na Mãe Luzia e descer no Demboski pagando a mesma passagem, é algo democrático, plural, inteligente. Mas isso foi implantado lá nos anos 90 e o modelo é praticamente o mesmo, e por culpa do poder público, que não investiu nem exigiu avanços.

E essa velocidade para reajustar impõe perguntas: o dinheiro público será empregado para, somando-se a esses 30 centavos de cada usuário, cobrir o rombo mensal de R$ 800 mil das empresas, certo? E o que vai melhorar para o cidadão? Haverá mais horários? Haverá mais conforto e o fim da saia justa para quem não tem o cartão? Qual o investimento que será revertido para o usuário, além de ajudar a pagar a conta? Com a palavra, o prefeito.

Denis Luciano

Denis Luciano

Denis Luciano é jornalista e radialista com 28 anos de experiência em rádio, TV, jornal e web em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de professor universitário. Apresentador e coordenador da Rádio Cidade em Dia.

Opiniões do colunista não representam necessariamente o portal SCTODODIA.com.br

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