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Segunda-feira, 29 de novembro de 2021

COLUNISTAS

Eduardo Mota Pereira

O início de tudo – Parte 2

27/11/2021 08h00 | Atualizada em 26/11/2021 14h56 | Por: Eduardo Mota Pereira

Na última coluna (se você ainda não leu, basta clicar aqui), fiz um breve apanhado sobre alguns fatos históricos brasileiros que ajudam a explicar nossa situação no presente e, consequentemente, o porquê de o país encontrar tantas dificuldades para crescer. Foi mencionado a forma como o Estado brasileiro, em geral, “funciona” e os problemas por trás desse “funcionamento”.

Na presente coluna, irei tratar de algumas propostas que podem contribuir para que o Brasil saia de sua condição de “eterna promessa”, pegando emprestado o jargão futebolístico. As principais características do Estado brasileiro são: centralização e concentração do poder, com pouca autonomia de estados e, principalmente, de municípios. Fora o gigantismo estatal e o inchaço da máquina pública.

Muito além do que uma mera discussão de direita x esquerda ou capitalismo x socialismo, é necessário entender e definir claramente o que é público (do Estado) e reduzir a centralização do poder. Isso somente será possível através de uma reforma do pacto federativo.

Eduardo Mota Pereira

O início de tudo – Parte 1

20/11/2021 09h15 | Atualizada em 20/11/2021 12h16 | Por: Eduardo Mota Pereira

Quando você abre o noticiário nacional e observa vários dos problemas do Brasil que, aparentemente, parecem não ter solução, como a pobreza, a desigualdade, a violência, a corrupção sistêmica na nossa política, você, às vezes, deve refletir de onde vieram esses problemas. Como eles surgiram? Como resolvê-los? Por que somos um país tão atrasado? Não é minha intenção aqui apontar o que nos levou à situação em que vivemos agora, tampouco demonstrar qualquer solução, até porque não seria apenas uma, e tais soluções são complexas. Contudo, gostaria de relembrar você, caro leitor, de momentos em nossa história que podem, em partes, explicar porque certas coisas funcionam de determinada maneira no Brasil, tornando possível fazer uma reflexão sobre nossos problemas atuais.

No último dia 15 de novembro, foi feriado de Proclamação da República, momento em que, historicamente, o imperador Dom Pedro II foi destronado, dando fim ao Segundo Reinado. A nossa república já começou extremamente caótica, com duas ditaduras e sangrentos conflitos civis. Um desses conflitos foi a Revolução Federalista, revolta essa de caráter regional, mas que foi crucial para o futuro do país. A Revolução Federalista teve início no Rio Grande do Sul e se espalhou por Santa Catarina e Paraná. Essa guerra foi uma das mais importantes da história do país, pois suas implicações influenciaram para sempre a política nacional como um todo. O seu resultado ajudou a consolidar o regime republicano e a política de Júlio de Castilhos no estado rio-grandense, conhecida como “Castilhismo”.

O contexto histórico da revolução federalista tinham os seguintes componentes: de um lado, grupos políticos que eram favoráveis à uma maior centralização do poder para o governo federal, de outro lado, havia grupos que defendiam uma maior descentralização para os estados, além de mais liberdade política e econômica em geral. No Rio Grande do Sul, os defensores de um regime político mais centralizado eram chefiados por Júlio de Castilhos, governador do estado na época, aliado do presidente Floriano Peixoto. Os revoltosos eram liderados por Gaspar Silveira Martins. O conflito iniciou em 1893, após eleição de Júlio de Castilhos, do partido Republicano, que pretendia implementar uma nova constituição no Rio Grande do Sul, lhe dando poderes quase absolutos. Os federalistas, partido derrotado na eleição, iniciaram o conflito partindo do Uruguai (mais precisamente, da região de San José de Mayo, onde os habitantes eram chamados de “maragatos” por serem descendentes da colonização espanhola, da região de La Maragatería. Posteriormente, o termo “maragato” passou a ser usado para designar os revoltosos federalistas).

Após invadirem o estado gaúcho, os rebeldes exigiram a renúncia de Júlio de Castilhos, que logo recebeu apoio militar do governo federal. Mesmo com esse apoio, a guerra se estendeu por dois anos, conflitos se alastraram pelos três estados sulistas e o embate se transformou em uma das guerras civis mais sangrentas da história nacional.

Eduardo Mota Pereira

As instituições brasileiras

13/11/2021 08h00 | Atualizada em 10/11/2021 17h12 | Por: Eduardo Mota Pereira

Faz alguns meses que eu acompanhei uma live que debatia as possíveis causas do porquê do Brasil ser um país atrasado. Parece que em tudo, ou quase tudo, estamos sempre atrás de outros países ou somos os últimos em determinados casos. Estamos atrasados na educação, na ciência, na segurança pública, na nossa economia, na política e até em outros aspectos mais essenciais, como saneamento básico, que como o próprio nome diz, é básico! É o mínimo. Nem aquilo que é essencial consegue-se oferecer a pelo menos metade dos brasileiros.

Mas qual é a razão disso tudo? Por que estamos tão atrás de outros países? E nem falo de Europa e América do Norte. Países latino-americanos como Chile, Uruguai, Panamá e Costa Rica são mais avançados do que o Brasil nos aspectos socioeconômicos. De acordo com os pesquisadores James Robinson e Daron Acemoglu, autores do best-seller “Porque as Nações Fracassam?”, uma das grandes razões para o atraso de países como o Brasil são suas instituições.

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