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Terça, 24 de maio de 2022

COLUNISTAS

Eduardo Mota Pereira

O filme, a censura e a farsa

19/03/2022 08h00 | Atualizada em 18/03/2022 18h58 | Por: Eduardo Mota Pereira
Imagem: Pexels

Nesta semana, aparentemente, muitos brasileiros se deram conta da existência de um filme chamado “Como se Tornar o Pior Aluno da Escola”. O longa foi produzido pelo comediante Danilo Gentili, baseado em seu livro homônimo, aborda a reta final do ensino fundamental de dois jovens estudantes, cansados das obrigações e responsabilidades escolares. No decorrer da trama, um dos rapazes, por acaso, encontra um livro escrito por um ex-aluno da mesma instituição de ensino, que explica o passo a passo para ser o “o pior aluno da escola”. Em seguida, os garotos vão atrás desse ex-aluno (interpretado por Danilo Gentili), que relata seus truques para que os jovens possam fazer todo tipo de atrocidades no ambiente escolar, e escaparem ilesos. O filme, bem por cima, é basicamente isso.

Não é preciso ir muito longe para enxergar que uma produção artística com essa temática causaria uma certa polêmica. No ano de lançamento, em 2017, muitas pessoas reclamaram que o filme seria “mau exemplo” para os jovens ou que as piadas contidas na trama não eram de bom gosto. Apesar disso, o longa estreou, muitas pessoas assistiram, muitos criticaram, muitos elogiaram e está tudo certo... até 2022.

Cinco anos depois da estreia de “Como se Tornar o Pior Aluno da Escola”, uma enxurrada de ataques e acusações de apologia à pedofilia começaram a recair sobre o filme, sobretudo contra Fábio Porchat (comediante, que na trama interpretou um vilão) e Danilo Gentili. O contexto é o seguinte: em determinado momento da trama, os dois protagonistas vão procurar o ex-aluno que escreveu o livro “ensinando” a ser o pior da escola. Porém, por engano, acabam encontrando esse vilão, interpretado por Fábio, que acaba assediando os garotos, que fogem dele. Por se tratar de dois personagens adolescentes, muitas pessoas consideraram uma apologia à pedofilia.

O ressurgimento da polêmica envolvendo o filme se deve ao fato de que, recentemente, o secretário da Cultura Mário Frias compartilhou a cena do personagem de Fábio Porchat com os dois jovens, o que motivou inúmeras críticas, sobretudo de simpatizantes do governo. A repercussão foi tamanha que o ministério da Justiça e da Segurança Pública determinou a retirada do filme de todos os serviços de streaming.

 

Ante o exposto, tomo a liberdade de usar o espaço a mim concedido nessa coluna para manifestar minha opinião pessoal sobre o tema. Todo esse escândalo em parte da sociedade (motivado sobretudo pelo discurso do governo federal), não passa de uma farsa, uma grande cortina de fumaça, soltada justamente em um momento delicado da economia brasileira, com mais um aumento na gasolina, incerteza quanto ao crescimento econômico no futuro, bem como outros problemas de natureza política.

Você pode não gostar do filme, achar que ele não é apropriado, mas jamais deve defender a censura de quaisquer atividades artísticas, porque isso abre um precedente muito perigoso. Se formos censurar uma ficção (importante frisar) por causa de uma cena que, na verdade, vilaniza a pedofilia, logo teremos que censurar todos os filmes, novelas e séries por cenas de sexo, de violência, de assassinatos e outros temas considerados impróprios.

Há sim uma clara intenção de criar uma polêmica totalmente irrelevante para o momento do país, com um filme que estreou em 2017, com o objetivo de desviar a atenção das pessoas daquilo que realmente importa. Enquanto uns se preocupam com censura de filme, muitos outros se preocupam se o seu salário vai dar para pagar as contas no fim do mês. Não caiam nessa!

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