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Segunda-feira, 04 de julho de 2022

COLUNISTAS

Eduardo Mota Pereira

O Great Reset – Por que é uma má ideia?

21/06/2022 13h08 | Atualizada em 21/06/2022 16h47 | Por: Eduardo Mota Pereira
Imagem: Pexels

Faz alguns dias em que eu tenho acompanhado em alguns podcasts o assunto do “Great Reset”, que, traduzindo, seria basicamente o “Grande Recomeço”. Essa ideia (tratada por muitos como teoria da conspiração) é baseada em uma certa ruptura no nosso sistema de produção atual, baseado no lucro. A justificativa é a de que, na busca incessante pelo melhor resultado econômico possível, muitas empresas deixariam de lado questões socioambientais, levando a um esgotamento de recursos naturais e crescimento na desigualdade de renda. A proposta seria substituir esse modelo por um mais “sustentável”, onde além de se preocuparem com o lucro, as empresas também seriam conscientes de seus papéis no campo social e na preservação do meio-ambiente.

A essa altura, você já deve estar se perguntando: certo, qual é a diferença desse discurso para uma ideologia mais alinhada com a esquerda em geral? Bom, ao contrário de boa parte de políticos e partidos de esquerda, teóricos do “Great Reset” não negam a importância do lucro e muito menos ainda da propriedade privada (até porque muitos deles são empresários), eles acreditam que apenas o lucro não pode guiar a atividade econômica e que a busca por preservação de recursos naturais, produção não poluente e sustentabilidade social deveriam ser metas das empresas assim como o lucro.

Embora seja uma ideia recente e com base ainda frágil, já há iniciativas ao redor do mundo (guiadas ou não por ONGs ambientalistas) voltadas à produção econômica consciente. Uma das mais populares é a sigla ESG (no inglês, Environmental, Social and Governance, que no português, pode ser traduzida para Meio-Ambiental, Sociedade e Governança). O “selo ESG” conferido à empresas e governos, é baseado em um conjunto de medidas adotadas por essas instituições que promovam melhor ambiente social, preservação da natureza e de recursos naturais e de transparência na governabilidade. Recentemente, a Blacrock, maior gestora de fundos do mundo, já relatou que vai dar preferência em financiar iniciativas que adotem os três princípios supracitados.

 

 

O Great Reset, portanto, dá pra ser definido como um conjunto de ações e medidas que visam tornar a economia mais sustentável, através de uma mudança de consciência por parte das próprias empresas. No entanto, essa linha de pensamento pode ser algo mais prejudicial do que benéfico. Por que? Primeiramente, não evoluímos tanto tecnologicamente a ponto de substituirmos nosso modelo de produção por algo totalmente sustentável. Isso fica ainda mais evidente no campo energético, onde vários investidores deixaram de aportar recursos em petróleo e gás natural nos últimos anos, levando a um aumento recente no custo da energia em diversos países do mundo. Na Europa, até o carvão, que estava praticamente morto, voltou a ter um crescimento substancial no seu uso.

Isso ocorreu porque modelos mais sustentáveis (como energia solar e eólica) não evoluíram ainda a ponto de abastecerem toda a demanda energética existente. Mesmo assim, muitos países têm reduzido os investimentos em combustíveis fósseis, sabendo do risco dessa medida, porque querem buscar meios mais limpos de gerar energia. A priori, eles não estão errados, mas para fazerem isso, é necessário ter a segurança de que a tecnologia para energias renováveis é avançada o bastante.

Igualmente, é difícil exigir que boa parte das empresas adotem medidas sustentáveis sem isso passar, quase que necessariamente, por mais intervenção governamental e poder de decisão nas mãos de políticos (que convenhamos, não são bem intencionados na maioria das vezes). São por esses fatores que me mantenho reticente à ideia do “Great Reset”, embora reconheça a necessidade de implementação de meios mais sustentáveis de produção, essa mudança tem que ser gradual. Querer uma ruptura, mesmo que suave, pode levar a uma situação parecida com a de crise energética vivenciada na Europa, na Ásia e no restante do mundo em menor escala, por exemplo.

Eduardo Mota Pereira

Rádio Cidade Tubarão

Estudante de jornalismo aficionado em história e filosofia, temas que serão abordados nessa coluna.

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