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Quinta-feira, 07 de julho de 2022

COLUNISTAS

Eduardo Mota Pereira

O meio social molda o homem?

16/05/2022 08h00 | Atualizada em 15/05/2022 23h41 | Por: Eduardo Mota Pereira
Imagem: Pexels

Nos últimos meses (ou anos), muito foi comentado sobre um fenômeno que sempre existiu, mas ganhou certa relevância com as redes sociais, que são as famosas “bolhas” – basicamente, grupos de pessoas que se reúnem em fóruns compostos quase que totalmente por indivíduos de opiniões e gostos semelhantes, havendo pouco espaço para debate e para o contraditório, estimulando ainda mais o viés da confirmação de cada cidadão presente em cada grupo, tornando-os quase irredutíveis em suas crenças, mantendo-os presos às mesmas ideias, como se de fato, estivessem dentro de uma “bolha” que os protege do mundo lá fora.

Esse cenário, nas redes sociais, contribui para o crescimento de ideias extremistas de todos os lados e para a disseminação de acusações e notícias falsas (que são mais fáceis de serem compartilhadas quando confirmam ideologias ou pré-conceitos de alguém). No entanto, nesse caso, a internet apenas reproduz algo que sempre foi presente na sociedade, que é a necessidade do ser humano de se agrupar em determinados nichos.

De acordo com o filósofo britânico John Locke (1632-1704), a mente dos seres humanos é uma “tábula rasa”, que vai sendo preenchida conforme as experiências de cada indivíduo. O conhecimento surgiria, dessa forma, através de um processo de tentativa e erro, onde através de nossas experiências de vida, vamos desenvolvendo nossa personalidade.

Quando aplicamos esse conceito no mundo real, observamos que muito do nosso conhecimento é passado de acordo com nosso convívio social. Começa com hábitos, costumes e tradições familiares, que herdamos ainda na infância de nossos pais, passando pelo convívio escolar e pelo convívio comunitário. É através de nosso meio social que adquirimos hábitos culturais e formamos nossa mentalidade.

 

É fato que todo indivíduo é um universo em si mesmo e tem sua subjetividade (também construída em grande parte por suas experiências), mas a própria ideia de “viver em sociedade” ou “viver em uma nação” pressupõe certos comportamentos coletivos compartilhados por outras pessoas. Esses comportamentos são muitas vezes “copiados” (ou aprendidos) de acordo com hábitos ou culturas que vão sendo passados por várias gerações. Ora, o ser humano, enquanto ser sociável, sempre viveu em bandos e, nos primeiros anos de sua existência, tinha a necessidade de estar integrado a algum grupo de indivíduos, para poder proteger sua própria existência. Posteriormente, essas noções foram evoluindo até darem origem aos conceitos de “povos” e “nações” que temos atualmente.

Mas, afinal, onde eu quero chegar com tudo isso? A conclusão que podemos tirar, ante o que foi demonstrado, é a de que as pessoas, embora tenham seus gostos e comportamentos particulares, pela própria necessidade do ser humano de se agrupar, acabam sofrendo influência de seu meio social. E essa influência ocorre através das experiências que vamos adquirindo em nosso processo de formação, porque são essas experiências que representam uma interação com o mundo ao nosso redor.

Essa influência do meio para construir nossa mentalidade é o que torna o homem mais suscetível a viver em grupos e em nichos que confirmem suas crenças, sejam elas políticas, sociais, culturais ou espirituais. Portanto, o fenômeno das “bolhas”, mencionado no início do texto, é uma representação na internet de algo que sempre aconteceu no meio social e sempre acontecerá.

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