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Segunda-feira, 04 de julho de 2022

COLUNISTAS

Eduardo Mota Pereira

Você tem político de estimação?

08/01/2022 08h00 | Atualizada em 07/01/2022 18h10 | Por: Eduardo Mota Pereira

Nos últimos anos, com o acirramento das discussões políticas no Brasil, o aumento da polarização e do clima de rivalidade entre diferentes grupos ideológicos, um fenômeno um tanto peculiar tem aparecido com destaque nos debates, que é a defesa quase visceral (e em alguns casos preocupantemente patológica) que algumas pessoas tem por... políticos.

Você deve estar se perguntando: “Ah, mas como assim? Não posso ter uma ideologia agora? Não posso escolher alguém para me representar?” Mas é claro que pode. Não só pode, como deve! Isso faz parte da democracia. O fenômeno do qual me refiro, e que vamos tratar hoje na coluna, é a defesa que muitas pessoas continuam fazendo de políticos depois deles traírem seus próprios ideais em benefício próprio - como votar a favor de um governo ou um projeto do qual ele era inicialmente contrário, mas muda de opinião depois de negociata - ou mesmo depois de ficar comprovado que esse determinado político é envolvido em esquemas de corrupção - tem um aí que foi condenado, preso, mas continua tendo sua legião de fãs para defendê-lo como se fosse um mártir oprimido -.

Essa defesa intensa que muitas pessoas têm por políticos ou partidos é um claro sintoma da “doença” pela qual o país vêm passando nos últimos anos. Tal “doença” foi potencializada pelas redes sociais. Nos grupos de Facebook e Whatsapp, e nas páginas do Twitter, as pessoas escolhem, muitas vezes, estarem próximas de conteúdos que apenas respaldam suas opiniões pré-existentes e, então, tornam-se fechadas e até mesmo agressivas em relação às opiniões contrárias. Esse processo contribui para que boa parte da população fique alienado e passe a enxergar uma pessoa que discorda dela politicamente como inimiga a ser combatida, e os representantes de sua ideologia como seres perfeitos e infalíveis, que têm a resposta ou a solução para tudo (e não seres humanos comuns, passíveis de erros como quaisquer outros).

Essa condição não é exclusividade de um lado apenas, todos os lados têm um político ou uma figura política para ser idolatrada. Isso não é nem um pouco saudável para o debate público, pois é imperativo para um bom funcionamento da democracia uma discussão equilibrada, justa e aberta de todos os envolvidos nos processos. Pode parecer clichê ficar repetindo isso toda hora, portanto, vamos abordar a questão da seguinte maneira: você realmente tem fé que o político está lá por que ele é um ser altruísta, preocupado com o bem-estar das pessoas? Ou acredita que ele é um cidadão com certas ambições (lícitas ou não) e que, na maioria das vezes, usa seu mandato ou seu cargo para atingir apenas um determinado fim, que possivelmente pode ser um cargo maior, ou mais anos na política?

Um político não é necessariamente ruim porque tem ambições. Ele pode usar isso como combustível para fazer coisas boas em troca de votos. Porém, não é o suficiente para idolatrá-lo. Até porque é obrigação dele, pois é pago pra isso. “Ah, no mandato de fulano eu mudei de vida, pude fazer uma faculdade graças a um programa dele, etc...”.

Sim, quem paga o programa dele é você mesmo, através de impostos, assim como outros benefícios e outras “boas ações” de outros políticos, os quais, provavelmente, você não idolatra. Ante o exposto, fica o recado: você não é idolatrado pelo seu chefe ou seus colegas de trabalho por desempenhar bem sua função, você recebe pra isso e é a sua obrigação trabalhar direito, como é a de qualquer outra pessoa. A mesma lógica se aplica à classe política. Não tenha um político de estimação!

Eduardo Mota Pereira

Rádio Cidade Tubarão

Estudante de jornalismo aficionado em história e filosofia, temas que serão abordados nessa coluna.

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