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Domingo, 25 de fevereiro de 2024

COLUNISTAS

Érica Favarin

Era para nós estarmos separadas

11/01/2024 10h10 | Atualizada em 11/01/2024 13h10 | Por: Érica Favarin

Rita e Fabíola, duas irmãs com 6 anos de diferenças, estão na casa da vó durante as férias de verão. Cada uma estava em um canto do sítio: Rita brincando de esconde-esconde no quintal com as crianças vizinhas do bairro e Fabíola jogada no sofá conversando com amigas por mensagem.

A voz da matriarca interrompe o lazer. Antes de sair pela porta, ela avisa em alto e bom-tom para as meninas pegarem ingredientes como farinha de trigo, óleo, açúcar, confeito e mais um monte de outras coisas necessárias para preparar a receita secreta do bolo mágico de canela da família, quitude indispensável para a festa da igreja que acontecerá no próximo domingo.

Quando Rita retornou, Fabíola tentou convencê-la a jogar pedra, papel e tesoura para decidir quem iria à dispensa. A mais nova contra-argumentou dizendo ser mais rápido e fácil se as duas trabalhassem juntas. A mais velha acatou a ideia com relutância.

Ao adentrarem a dispensa, depararam-se com um cômodo maior do que o imaginado, tanto que nele cabia objetos como diversas caixas de papelão, o tanquinho, os produtos de limpeza, alimentos não perecíveis e mesas de jogos como pinball e pebolim.

Estes últimos chamaram a atenção da mais nova, em especial o pinball. Insistiu para a mais velha ensiná-la a jogar, mas a adolescente só queria pegar logo os ingredientes do bendito bolo e voltar para o sofá velho e confortável da sala de estar. Entretanto, brasileiro nunca desiste e como belo exemplo disso, a menina ameaçou de brincadeira nunca mais falar com a irmã e nem ficar de guarda e mentir para mãe quando Fabíola saía escondida de casa para encontrar alguém. Com uma só respirada irritada da mais velha, Rita sabia haver vencido.

O último truque da adolescente para frustrar a diversão da pequena foi alegar que a máquina era velha, portanto, não funcionava, mas uns pontapés da mais nova na mesa iluminaram as luzes do jogo. Assim, Fabíola contou sobre o botão para impulsionar uma mola que por sua vez impulsionava uma bolinha de metal e percorria a mesa inclinada entre pinos e obstáculos até a base onde ficava as palhetas, as quais deveriam ser mexidas para evitar que a esfera caísse e a partida acabasse. Rita amou o jogo, até disputou uma rapadura guardada na geladeira, porém, sua sorte de principiante não foi o suficiente para derrotar a experiência de vida da irmã.

Logo após a queda da bolinha no buraco na vez de Fabíola que declarava sua vitória, Rita reparou em uma caixa de papelão aberta com um álbum de fotos saindo pela abertura. Sem hesitar, a menina vai até à caixa, tira o álbum e revira as páginas, as quais revelam fotos da vó na missa, fotos do bar do vô com as máquinas e a estante de garrafas atrás do balcão, fotos deles com a filha na praia, fotos de aniversários, natais e de Ano-Novo. Todas comuns até a caçula perceber que não há fotos das irmãs juntas quando a menina era apenas um bebê, apenas Fabíola com os pais e Rita com os avós.

Será que elas não viviam juntas quando menores? E se sim, por quê? Um aperto no coração incomodou a menina até ela encontrar duas fotos em particular: uma onde a mais velha esconde-se entre os pais enquanto Rita afasta-se dos avós para tocá-la e outra da caçula um pouco mais velha escondida debaixo de uma cama de solteiro e rindo para Fabíola com o cobertor na mão ao encontrar o esconderijo.

Que bom que a Fabíola me achou, pensou a menor, pois imagina que chato seria morar numa casa sem ninguém para perturbar, tirar dúvidas sobre perguntas aleatórias que surgiam na cabeça, ficar de tocaia para ninguém levar castigo ou mesmo ensinar a jogar pinball e perder?
 

Érica Favarin

Jornada pela Expressão Humana

Érica Favarin Dandolini cursa Cinema e Audiovisual na Universidade do Sul de Santa Catarina. Estagiária do Portal SCTodoDia desde 2022, já produziu podcasts e pequenos noticiários para o site. Atualmente, cuida das redes sociais, além de ser escritora de crônicas, contos e poemas.

Opiniões do colunista não representam necessariamente o portal SCTODODIA.com.br

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