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Sábado, 24 de fevereiro de 2024

COLUNISTAS

Érica Favarin

Limpeza pós-festa

30/11/2023 17h30 | Atualizada em 30/11/2023 19h26 | Por: Érica Favarin
Imagem feita por inteligência artificial

Tudo sujo. É confete, álcool, cigarro, carne, suor grudado no chão. Felizmente, o zelador sabe limpar rápido e eficientemente, então umas duas horinhas e toda essa bagunça terá sumido e o local de festas alugado da associação estará tão limpo quando no dia da inauguração (ok, talvez não tanto assim, mas confie, a limpeza será bem-feita).

Só não acredite que isso não seja cansativo. Uma vez? De boa. Duas? Tá, ainda vai. Quase todo fim de semana por que as festas de fim de ano chegaram? Putz, que merda.
Parte do zelador gostaria de dizer não e mandar os patrões arranjarem alguém para fazer essas horas extras, mas a grana a mais o ajuda a ter um dinheirinho próprio para cerveja, já que o salário vai todo para as contas, o mercado e os frufrus da sua caçula. O mais velho arranjou um emprego recentemente, tá até comprando PC novo e brinquedo para criança carente no Natal!

As coisas parecem que vão melhorar; ele ainda acredita que algum dia ganhará na loteria e ter um monte de dinheiro para gastar o quanto quiser e no que desejar, sem pensar mais em trabalho, conta ou a frustração de sentir-se eternamente cansado e com o corpo quebrado.

Ser zelador está longe de ser seu primeiro emprego. Já trabalhou na roça, em ponto de ônibus, carregamento de fumo. Pode escolher qualquer trabalho braçal, ele provavelmente já fez como emprego, bico ou mesmo para arrumar a própria casa sem precisar de alguém.

Até quando ele aguenta? Não faço ideia. O mundo já tirou metade da sua alma, a outra metade está ocupada tentando preencher o vazio com falatórios sobre tudo que vê, bebida e joguinho de cassino, mas quem pode julgá-lo? Acostumamo-nos tanto com a ideia de que só seremos felizes depois que tivermos muito dinheiro que milhares, senão milhões, morrerão infelizes, pois além de abatidos pela sobrevivência na selva de pedra, não levarão nenhum tostão para debaixo da terra e não aproveitaram nem um pouco quando estavam em cima dela.

Entretanto, você já sabe, toda essa besteira que acabei de falar é inútil. Vivemos no capitalismo, quem manda é o dinheiro, o medo e o desejo e enquanto não aprendermos a lidar com eles devidamente, sem sermos dominados, excluídos e/ou melancolizados, haverá sempre alguém festando com direito a todo tipo de bagunça, sujeira e felicidade, enquanto alguém de sono mal dormido terá que levantar-se cedo para encerrar o momento e realizar a limpeza pós-festa.
 

Érica Favarin

Jornada pela Expressão Humana

Érica Favarin Dandolini cursa Cinema e Audiovisual na Universidade do Sul de Santa Catarina. Estagiária do Portal SCTodoDia desde 2022, já produziu podcasts e pequenos noticiários para o site. Atualmente, cuida das redes sociais, além de ser escritora de crônicas, contos e poemas.

Opiniões do colunista não representam necessariamente o portal SCTODODIA.com.br

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