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Segunda-feira, 04 de dezembro de 2023

COLUNISTAS

Érica Favarin

Tempos mortos

26/10/2023 17h16 | Atualizada em 26/10/2023 20h17 | Por: Érica Favarin

Ele espera. A sala é azul-claro com chão de piso branco. Algumas folhinhas aqui e ali, cadeiras para os pacientes. Uma tvzinha, algumas revistas velhas na mesinha e um balcão de recepção branco.

Tudo transmite tranquilidade e paz. Até ele. O rapaz parece uma estátua decorativa no cômodo.

Ele não sabe o que esperar do novo médico.

Não que ele devesse se preocupar muito, está na casa dos 30, ainda muito novo.

É apenas uma questão de curiosidade.

O relógio na parede marca 9:57h. Três minutos. Isso se o médico o atender na hora marcada.

Usa sapato social, camisa social, calça social. Tudo social, menos ele. Os amigos ficaram perdidos nas escolas e faculdades da vida. Namorada, namorado, namorade?? Ele não faz ideia do que é isso. O amor nunca lhe bateu a porta. Será que o amor ao menos sabe o endereço dele? Não sei, mas se soubesse, também não faria diferença, porque ele nunca sentiu atração, seja romântica ou sexual, por ninguém (os rapazes do colégio zoavam ele por isso).

Será que ele viveu errado? 
Será que ele está vivendo errado?

Todo mundo sempre elogiou e ainda elogia seu desempenho acadêmico e profissional, sua boa educação e cavalheirismo.

Mas ele está só.

Mesmo na sala de espera, pois a recepcionista saiu para atender um telefonema e ainda não voltou.

Ele não sabe o que sentir em relação a esses momentos de silêncio.

Há o que sentir?

As pessoas ao seu redor dizem que sim, que estar sozinho faz mal para o corpo, para mente, para o espírito e até para quem convive com o solitário.

Mas ele não parece se importar. Tão pouco se importa que nem o medo de estar sozinho passa-lhe na cabeça.

10:00h. A porta do consultório é aberta. Um sorriso branco, pouco cabelo, óculos com armação grossa, barba rala, roupas claras como o ambiente e sapatos pretos se revelam e pedem para que ele entre.

Ele levante-se devagar da cadeira acolchoada. Não há por que correr. Ele está ali a pedido da mãe. A mulher não aguenta ver o filho tão-só.

Ele também anda devagar até a porta. Nada dessa pressa e desaforo da vida contemporânea.

O tempo quando desaceleramos...

Ele morre? Ele vive? 
Não fazer nada é matar tempo? Por que fazer algo?

A lentidão desse rapaz faz-me querer alguns tempos mortos também.

Érica Favarin

Jornada pela Expressão Humana

Érica Favarin Dandolini cursa Cinema e Audiovisual na Universidade do Sul de Santa Catarina. Estagiária do Portal SCTodoDia desde 2022, já produziu podcasts e pequenos noticiários para o site. Atualmente, cuida das redes sociais, além de ser escritora de crônicas, contos e poemas.

Opiniões do colunista não representam necessariamente o portal SCTODODIA.com.br

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