Quarta-feira, 19 de junho de 2024

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Fernando Barbosa dos Santos

Antropoceno: Implicações Sociais, Econômicas, Institucionais e Ambientais

15/02/2024 17h42 | Por: Fernando Barbosa dos Santos

Olá, novamente caros leitores e leitoras, hoje iremos explorar e compreender um pouco mais sobre o Antropoceno. Este artigo se propõe a realizar uma análise abrangente e de forma robusta das implicações na perspectiva das dimensões Social, Econômica, Institucional e Ambiental, desse conceito que vem ganhando cada vez mais destaque na atualidade.

Afinal o que é o Antropoceno?

O conceito de Antropoceno, propõe a identificação de uma nova era geológica moldada de maneira significativa pelas atividades humanas ao longo de nossa existência, e tem suscitado um debate abrangente e um crescente interesse de toda a comunidade. Esse termo emerge como uma crescente conscientização e preocupação sobre a profunda influência que as atividades de nossa sociedade têm exercido na condição do planeta e como tem nos impactado. 

O Antropoceno transcende o paradigma tradicional de interações entre a humanidade e o ambiente. À medida que a civilização floresceu, suas implicações no geo-espaço e na biodiversidade se expandiram de maneira inegável. Desde a erosão acelerada do solo até a amplificação das emissões de gases de efeito estufa, o Antropoceno incorpora uma confluência de transformação conduzidas pela humanidade. 

A discussão subsequente transcende as divisões temporais convencionais, desvendando um ponto de convergência onde a condição humana se mescla com o progresso e a sustentabilidade, dando luz a uma época repleta de promessas e desafios.

Contexto Geológico 

Um esforço meticuloso é o direcionamento na busca de evidências solidas que permitem a diferenciação inequívoca do Antropoceno em relação às eras geológicas anteriores. Nesse contexto, uma série de indicadores e situações distintas se destacam como elemento-chave na identificação dessa nova fase.

Uma das evidências mais reveladoras reside na descoberta de plástico fossilizados em camadas sedimentares e a formação similar a rocha do mesmo material em algumas partes do globo. A expansão desenfreada e sem manejo do plástico é uma característica marcante das atividades recente de nossa sociedade, e sua presença incorporada na geologia e biosfera ressalta a influência direta da sociedade moderna sobre o ambiente. Além disso, a detecção de produtos químicos sintéticos exclusivos da era industrial, muitos dos quais ausentes em épocas geológicas anteriores, serve como indicativo da alteração do perfil químico da Terra sob nossa influência. 

Formação de rochas de plástico:

https://umsoplaneta.globo.com/energia/noticia/2023/02/22/formacao-de-rochas-de-plastico-no-ambiente-marinho-e-mais-uma-prova-da-acao-do-homem-no-planeta.ghtml

Microplástico na corrente sanguínea: 

https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2022/03/24/cientistas-encontram-microplasticos-em-sangue-humano-pela-primeira-vez.htm

A análise de isótopos radioativos provenientes de testes nucleares também se revela crucial para datar e identificar o Antropoceno. A disseminação global desses isótopos após as explosões nucleares do século XX (20) deixou uma pegada inconfundível nas camadas sedimentares, marcando mais uma vez uma mudança substancial no perfil químico da Terra. Essa presença de isótopos radioativos é uma evidência clara da nossa capacidade de causar transformações profundas em escala planetária.

Impacto Climático

A crescente elevação das concentrações de gases de efeito estufa, resultante da combustão exorbitante de combustíveis fósseis, tem desencadeado uma série de transformações climáticas de magnitude expressiva. A intricada dança de elementos atmosféricos se desloca para um ritmo alarmante, tangenciando um quadro de alterações climáticas que transcende as dimensões meteorológicas, resultando em um impacto profundo em todas as dimensões abordadas nesse artigo, Social, Econômica, Institucional e Ambiental.

O termômetro global se eleva de forma inexorável, desencadeando um cataclismo de efeitos globais. A elevação térmica dos oceanos, somada ao derretimento acelerado das extensas mantas de gelo, induz um fenômeno marcante e alarmante: o aumento eminente do nível do mar. As comunidades costeiras, estabelecidas durante a história, enfrentam uma realidade ameaçadora à medida que as águas avençam sem restrições, expondo as populações em risco crescente e atenuando as desigualdades sociais, refletindo também a nível econômico e institucional.

Tuvalu faz acordo com Austrália: 

https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2023/11/10/podendo-sumir-com-aumento-do-nivel-do-mar-tuvalu-faz-acordo-com-a-australia-para-migrar-sua-populacao.ghtml

As geleiras até então imponentes, agora cedem sob o calor. O derretimento glacial não apenas alimenta o aumento do nível do mar, mas também impacta ecossistemas frágeis e sistema fluviais que dependem do fluxo sazonal da água das geleiras. A fauna e a flora adaptadas a essas condições agora enfrentam uma mudança abrupta de ambiente, desafiando a sustentabilidade de suas populações e interações.

Colapso da corrente do Atlântico: 

https://olhardigital.com.br/2024/02/14/ciencia-e-espaco/colapso-de-corrente-oceanica-do-atlantico-pode-acontecer-antes-do-previsto/

Além disso, os padrões climáticos se tornam voláteis e inconstantes, com eventos extremos se tornando um constante preocupante. Chuvas torrenciais, secas prolongadas e fenômenos climáticos extremos ganham terreno, comprometendo a previsibilidade em que muitas comunidades confiavam, aumentando as crises referente em comunidades com vulnerabilidade social, principalmente em áreas de risco e a alimentar com a mudança da cultura agrícola.

Nesse panorama de mudanças climáticas proveniente do Antropoceno, as implicações transcenderam o meramente meteorológico, ampliando-se para a esfera da sustentabilidade e do bem-estar humano. A ação global torna-se uma necessidade urgente, demandando esforços coordenados para mitigar os impactos iminentes e promover um futuro resiliente às interações cada vez mais imprevisíveis.

Declínio da Biodiversidade

No Antropoceno assinala um capítulo sombrio na história da vida na Terra, caracterizando por um declínio dramático na diversidade biológica. Os resquícios da atividade humana, mascados pela degradação implacável de habitats naturais, a disseminação de poluentes, a introdução inadvertida implacável de espécies invasoras e outros impactos nefastos, têm culminado em uma vertiginosa taxa de extinção em massa.

À medida que habitats consolidados são transformados em paisagens urbanas de modo desenfreado ou suprimidos pela expansão agrícola, incontáveis espécies encontram seu refúgio natural comprometido. 

Poluição desenfreada lança sombras venenosas sobre ecossistemas outrora vividos, permeando solos, rios e oceanos com produtos químicos tóxicos. A delicada teia da vida, intricadamente interligada, é insidiosamente corroída por essa invasão, levando ao declínio de populações e à deterioração das cadeias alimentares.

O impacto combinado dessas atividades humanas desencadeia uma onda de extinção que transcende as taxas naturais, comprometendo a riqueza da biodiversidade, essa perda vai além da mera contagem de espécies; mina a resiliência dos ecossistemas e desencadeia um efeito cascata que reverbera por toda a teia da vida. Os serviços ecossistêmicos cruciais, das quais os seres humanos dependem, tornam-se cada vez mais frágeis, ameaçando a própria sustentabilidade de nossa existência.

Colapso da Amazônia:

https://www.dw.com/pt-br/amaz%C3%B4nia-pode-entrar-em-colapso-em-2050-diz-pesquisa-na-revista-nature/a-68255773

Mudanças Sociais e Geológicas 

O Antropoceno transcende os limites do clima e da biodiversidade, abarcando um espectro de transformação de natureza geológica e socioeconômica que remoldam o cenário terrestre. Nesse contexto, a exploração mineral por exemplo, a urbanização desenfreada e a utilização intensiva de recursos naturais emergem como protagonistas, imprimido uma nova dinâmica à paisagem geológica e social.

A exploração de recursos minerais, sustentáculo da expansão industrial, esculpe de forma vertiginosa a geologia de maneira sem precedentes. Minas profundas são incisivamente abertas para extrair minérios essenciais às tecnologias modernas. Esse processo modifica a dinâmica de aquíferos e da superfície, deixando marcas duradouras na composição química do solo.

Caso Maceió: 

https://www.metropoles.com/materias-especiais/afundamento-de-maceio-provoca-exodo-urbano-de-55-mil-pessoas

A urbanização vertiginosa, um reflexo forte da migração de populações em direção a centros urbanos, altera as condições da paisagem e ecossistemas locais de maneira dramática. Cidades que antes eram centros de comercio e cultura crescem exponencialmente, devorando extensas áreas de ecossistemas naturais. Os efeitos são tangíveis: o solo, compactado sob o peso do concreto e do asfalto, perde a capacidade de reter a água e sustentar a biodiversidade. A urbanização também molda a dinâmica socioeconômica, dando origem a desafios de infraestrutura, acessibilidade e coesão social.

A exploração incontida dos recursos naturais, fundamental para sustentar as demandas de uma população crescente, engendra uma dualidade no progresso e desgaste. Florestas centenárias cedem lugar a monoculturas, ecossistemas fragmentados para dar lugar as atividades de agropecuária e a extração mineral altera as propriedades do solo. A exploração voraz deixa um legado de degradação ambiental, repleto de implicações para a fertilidade do solo, a qualidade da água e a saúde local.

Desafios e Oportunidades

O reconhecimento do Antropoceno emerge como uma luz, trazendo consigo o desafio inescapável de repensar profundamente nossos sistemas econômicos, sociais e políticos. À medida que nos deparamos com as implicações das atividades humanas, é imperativo adotar uma abordagem para promover a sustentabilidade e salvaguardar os recursos naturais que sustentam nosso planeta e sociedade.

O reexame de nossos sistemas econômicos é uma faceta central dessa trajetória. Frequentemente fundada na exploração irrestrita de recursos, deve ceder espaço a uma nova mentalidade que reconhece a finitude dos recursos naturais e sua ligação com a prosperidade humana. 

No âmbito político, a agenda do Antropoceno impulsiona a formulação de políticas que enfrentam desafios locais, regionais, nacionais e globais de maneira coordenada. A Simbiose entre instituições torna-se imperativa para enfrentar os desafios compartilhados que transcendem barreiras.

A Simbiose Urbana, onde as cidades não são apenas um local de desafios nas dimensões Social, Econômica, Institucional e Ambiental, mas também catalizadoras de regeneração ambiental, emerge como um paradigma inovador. Estratégias de planejamento urbano voltadas para a resiliência e impacto em uma sociedade mais justa, prospera e equitativas.
 

Conclusão

A compreensão profunda do Antropoceno é, em si, uma jornada evolutiva. À medida que nos aproximamos do final deste artigo sobre o Antropoceno, torna-se evidente que esse momento que estamos presenciando não pode ser compreendida isoladamente. É necessário considerar uma variedade de perspectivas sociais, econômicas, institucionais e ambientais para entender plenamente as implicações dessa era única em que vivemos.

A transição para uma economia mais verde e sustentável é crucial para garantir o bem-estar das gerações presentes e futuras.

A revisão profunda das estruturas políticas, regulatórias e governamentais. As instituições devem ser capazes de responder de forma eficaz aos desafios ambientais e promover políticas que incentivem a sustentabilidade, a justiça social e a equidade. A colaboração essencial para abordar questões como a poluição do ar e da água, e proteger os recursos naturais comuns.

Por fim, do ponto de vista ambiental, o Antropoceno nos alerta para a urgência de proteger e preservar os ecossistemas do nosso planeta. A perda de biodiversidade, a degradação dos solos e a poluição generalizada ameaçam a saúde dos sistemas naturais e a capacidade da Terra de sustentar a vida. 

Em conclusão, é um desafio multifacetado que exige uma resposta igualmente abrangente. Somente abordando as dimensões sociais, econômicas, institucionais e ambientais desse fenômeno podemos esperar construir um futuro mais sustentável e resiliente para todos do planeta Terra.

Fernando Barbosa dos Santos

Fernando Barbosa dos Santos

Fernando Barbosa dos Santos é consultor em Desenvolvimento Sustentável, atuando como advocacy ODS/SDG, plano de desenvolvimento local. Realiza pesquisa na área de desenvolvimento sustentável das cidades, resultando na criação da Simbiose Urbana. Atualmente é coordenador geral do comitê ODS Criciúma que compreende AMREC e AMESC no Movimento Nacional ODS SC.

Opiniões do colunista não representam necessariamente o portal SCTODODIA.com.br

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