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Domingo, 24 de outubro de 2021

COLUNISTAS

Lara Silva

Alguém já te perguntou o que é o amor?

10/10/2021 10h00 | Atualizada em 10/10/2021 20h16 | Por: Lara Silva

Pra mim, sim. Há uns bons meses. Lógico que a pessoa ficou sem resposta, porque eu não soube defini-lo de maneira correta e justa. Falar sobre o amor de pai/mãe e família, no geral, é mais simples, visto que é muito fácil a gente amar alguém que conhece desde o nascimento. O problema é tentar explicar o que entende-se por amor. Apesar de ter ficado sem responder, lá atrás, ontem eu enviei a resposta. Não que eu tenha descoberto o melhor jeito para finalizar o assunto, mas ouvi uma maneira bonita de falar sobre ele.

Certa vez, um amigo meu, seminarista, lançou a seguinte frase: "Amar é ter um motivo para morrer", referindo-se ao amor de Jesus, de Deus, pela humanidade. Falar isso em um contexto religioso soa comum. Mas, durante esses meses, eu fiquei pensando em uma forma mais terrena de responder sobre o amor. E essa resposta me veio através de uma história... de amor, obviamente. Aqueles registros que são contados com brilho nos olhos, sorriso largo e, mesmo depois de 20 anos, com a mesma intensidade, creio eu, que no começo. Até hoje, a esposa deixa um bilhete embaixo do prato do marido, na hora do almoço, escrito "aqui senta o homem mais lindo do mundo". Isso é algo tão singelo, mas tão significativo (pelo menos pra mim, uma pessoa que ama ouvir sobre o amor).

Lara Silva

A vida não é o que a tela espelha

06/10/2021 19h13 | Atualizada em 08/10/2021 18h53 | Por: Lara Silva

Nesta semana, experimentamos algo desconfortável: todas as principais redes sociais saíram do ar. E, para muitos, o mundo parou. Aqui não foi diferente. Não consegui avisar que ia demorar para chegar, conferir se alguém precisava de mim e não podia me ligar, nem mesmo trabalhar com a rapidez e facilidade dos outros dias. Precisei fazer ligações em vez de mandar uma simples mensagem. Mas será mesmo que o mundo parou? 

Li um texto que dizia algo como "o sol não deixou de brilhar, os pássaros seguiram cantando" e todo mundo precisou seguir suas vidas. As pessoas continuaram tendo que dar conta do trabalho, esperar no trânsito... Até de amar elas não pararam. Justamente porque a nossa vida não se resume ao que a tela espelha. Pelo contrário, ela é exatamente o que fazemos dela, todos os dias e a cada minuto. Apesar da dificuldade que enfrentamos (e, claro, estou me incluindo nisso), a vida é e continua sendo, independentemente das "paradas" que o mundo dá.

Lara Silva

Otávio e a falta de oportunidades que o Brasil tem

02/10/2021 20h12 | Atualizada em 04/10/2021 14h15 | Por: Lara Silva

Otávio deve ter, no máximo, 35 anos. Anda com uma mochila e uma meia-máscara de tecido. O cabelo, com alguns fios brancos bem na raiz, estava amarrado. Usava blusa amarela e sorria com os olhos, embora parecesse triste. Gostei tanto dele, que quase falei para minha mãe ir fazer as compras enquanto eu continuava conversando sobre como o Brasil carece de oportunidades para as pessoas. Ele estudou até a quarta série, mas sabe muito. Falamos sobre tecnologia, sobre uma menina de oito anos que, segundo ele, está estudando asteroides e até sobre ele ter vindo de Cuiabá e parado em Imbituba, onde está morando na rua.

"Tudo o que eu sei aprendi na internet. O Brasil é um país com muitas potências, mas não dá oportunidades para todos". Eu concordo contigo, Otávio. Se para pessoas que, mesmo com dificuldades, possuem uma casa e roupas sempre limpas, já é difícil conseguir emprego, imagina para quem, assim como ele, mora na rua. Quem me conhece sabe que eu sou dessas que paro, converso e gosto de saber a história de quem quer - e precisa - ser ouvido. Quem mais ganha, sem dúvida, sou eu.

Enquanto minha mãe pegava um sanduíche e uma maçã no carro para ele, eu recebi a seguinte pergunta: "Tu tem um coração assim, que se importa com as outras pessoas?". Esses encontros que a vida me proporciona são tão significativos e me fazem refletir tanto sobre o quê eu ando fazendo de bom para quem mais precisa. E eu nem digo coisas materiais, como comida ou dinheiro - o que, claro, são essenciais. Mas o quanto de tempo e escuta afetiva eu estou dedicando.

Otávio, obrigada por chegar no mercado junto comigo. Espero te encontrar novamente, com mais tempo e ainda mais carinho para te ouvir!

Lara Silva

Como lidar com a morte?

26/09/2021 09h52 | Atualizada em 27/09/2021 14h00 | Por: Lara Silva

Bom, eu poderia começar falando que temos que aproveitar cada minuto ao lado das pessoas que amamos, antes que elas precisem "ir embora". Mas a verdade é que eu não faço a menor ideia de como lidar com a morte, já que é algo que não fomos criados para, simplesmente, lidar. O objetivo não era precisarmos, na verdade. Mas já que isso não cabe a nós, eu venho tentando descobrir maneiras de entender que, embora triste e indesejada, ela - a morte - é a nossa única certeza.

Eu me considero uma pessoa de sorte por não ter perdido tantas pessoas. Próximas mesmo foram três. Porém, uma delas, meu padrinho, é a que mais me causa vazio e saudade. Tivemos pouco tempo juntos. Eu tinha apenas 13 anos quando ele morreu. Até hoje, não consigo ouvir barulho de sirene de ambulância sem ficar com o coração apertado. Poderia descrever com perfeição, e nos mínimos detalhes, como foi o dia 30 de junho de 2012.

O que eu pensei em dizer, quando desejei escrever - em pleno domingo - sobre este assunto, é que tempo nenhum é suficiente. Não importa as vezes que ele me ensinava a tocar bateria (eu ainda tinha uns seis anos) ou quando ele ia na minha casa levar presente de Páscoa ou até quando ele me deu, em alguma data comemorativa, um aquário azul com um peixe e depois ficou se lamentando porque achou que eu não tinha gostado. Confesso que a Lara de dez anos realmente não gostou tanto, mesmo que cuidasse carinhosamente bem - inclusive o peixe morreu, porque eu ficava com pena de dar pouca comida e colocava o dobro do recomendado.

Eu daria tudo para tê-lo novamente aqui, ensinando a tocar bateria, comprando peixe pra mim, cantando Bob Marley, decidindo fazer dread e ouvindo eu falar que tinha ficado muito feio. Eu não lembro qual a última lembrança que tenho com meu padrinho, mas sei que nunca vivi a morte dele por completo. Não fui no velório nem no enterro, tentei até não sonhar com ele. Foi há pouco tempo que eu decidi sentir, em todos os sentidos da palavra, a sua falta, depois de muito bloquear esse sentimento e essa verdade terrível de que nunca mais, aqui nesse lado, eu o verei novamente.

Sorte que eu acredito que isso tudo não acaba aqui. Um dia, não tenho dúvida, vou poder olhar para ele e, com um abraço cheio de saudade, dizer que sinto muito por ter passado tantos anos sem querer lidar com a tremenda falta que ele faz. 

Lara Silva

Sobre demissões e ser ‘insubstituível’

15/09/2021 21h25 | Atualizada em 24/09/2021 16h11 | Por: Lara Silva

O que a demissão do jornalista Evaristo Costa pode nos ensinar sobre carreira e 'ser insubstituível'?

“Desde o dia 1º de setembro descobri que não faço mais parte da CNN. […] assistindo a nova chamada de programação da emissora notei a falta do meu programa. Liguei para saber o motivo e fui informado que ele havia sido retirado da grade e que a empresa não tinha mais interesse nos meus serviços”, dizia trecho do ‘desabafo’ (ou indignação ou prestação de contas) de Evaristo em seu perfil do Instagram.

 Ao ler isso, lembrei de uma frase que um dia me falaram: “você não é insubstituível, seu trabalho não é insubstituível”. Talvez essa frase seja dura, mas é a realidade. A empresa que trabalhamos hoje não existe por nossa causa. Se cansarem do nosso serviço, logo encontram outra pessoa para nos substituir. Pessoas tão boas ou melhores que nós. Entender que nossa carreira não gira em torno do cargo que ocupamos hoje é fundamental para não sermos pegos de surpresa caso também sejamos demitidos.

Saber lidar com isso é necessário, porque, além de viver com os pés em terra firme, faz com que aprendamos a não ser refém de um cargo, a ser pessoas mais honestas em nossas decisões. Saber dizer ‘não’ quando algo é inviável, não fazer alguma coisa apenas por conveniência (dos outros). Podemos ser os melhores funcionários do mundo (dentro do nosso significado de ‘melhor’, é claro) mas nunca – nunca mesmo! – seremos insubstituíveis.

Confira esse tema em formato podcast:  

 

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