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Segunda-feira, 29 de novembro de 2021

COLUNISTAS

Lara Silva

Como lidar com a morte?

26/09/2021 09h52 | Atualizada em 27/09/2021 14h00 | Por: Lara Silva

Bom, eu poderia começar falando que temos que aproveitar cada minuto ao lado das pessoas que amamos, antes que elas precisem "ir embora". Mas a verdade é que eu não faço a menor ideia de como lidar com a morte, já que é algo que não fomos criados para, simplesmente, lidar. O objetivo não era precisarmos, na verdade. Mas já que isso não cabe a nós, eu venho tentando descobrir maneiras de entender que, embora triste e indesejada, ela - a morte - é a nossa única certeza.

Eu me considero uma pessoa de sorte por não ter perdido tantas pessoas. Próximas mesmo foram três. Porém, uma delas, meu padrinho, é a que mais me causa vazio e saudade. Tivemos pouco tempo juntos. Eu tinha apenas 13 anos quando ele morreu. Até hoje, não consigo ouvir barulho de sirene de ambulância sem ficar com o coração apertado. Poderia descrever com perfeição, e nos mínimos detalhes, como foi o dia 30 de junho de 2012.

O que eu pensei em dizer, quando desejei escrever - em pleno domingo - sobre este assunto, é que tempo nenhum é suficiente. Não importa as vezes que ele me ensinava a tocar bateria (eu ainda tinha uns seis anos) ou quando ele ia na minha casa levar presente de Páscoa ou até quando ele me deu, em alguma data comemorativa, um aquário azul com um peixe e depois ficou se lamentando porque achou que eu não tinha gostado. Confesso que a Lara de dez anos realmente não gostou tanto, mesmo que cuidasse carinhosamente bem - inclusive o peixe morreu, porque eu ficava com pena de dar pouca comida e colocava o dobro do recomendado.

Eu daria tudo para tê-lo novamente aqui, ensinando a tocar bateria, comprando peixe pra mim, cantando Bob Marley, decidindo fazer dread e ouvindo eu falar que tinha ficado muito feio. Eu não lembro qual a última lembrança que tenho com meu padrinho, mas sei que nunca vivi a morte dele por completo. Não fui no velório nem no enterro, tentei até não sonhar com ele. Foi há pouco tempo que eu decidi sentir, em todos os sentidos da palavra, a sua falta, depois de muito bloquear esse sentimento e essa verdade terrível de que nunca mais, aqui nesse lado, eu o verei novamente.

Sorte que eu acredito que isso tudo não acaba aqui. Um dia, não tenho dúvida, vou poder olhar para ele e, com um abraço cheio de saudade, dizer que sinto muito por ter passado tantos anos sem querer lidar com a tremenda falta que ele faz. 

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