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Sexta-feira, 01 de julho de 2022

COLUNISTAS

Lucas Marques

Além do passaporte

14/01/2022 02h01 | Atualizada em 14/01/2022 18h18 | Por: Lucas Marques

As tradicionais mesas redondas de futebol no Brasil têm alguns debates periódicos: as inúmeras especulações sobre transferências no início da temporada, os erros de arbitragem semanalmente cometidos por aqui, o baixo nível técnico das nossas partidas, e por aí vai. De uns anos para cá, essas discussões ganharam mais uma pauta: a qualidade dos treinadores estrangeiros contratados por clubes brasileiros.

Existe o grupo dos “protecionistas”, que defendem mais (!!) oportunidades para os treineiros tupiniquins, que aqui se revezam há anos nos cargos dos principais clubes. E há, também, de forma cada vez mais crescente, o grupo que chegou ao consenso de que, infelizmente, o outrora país do futebol, não soube acompanhar a tendência mundial de estudar e compreender o jogo.

O resultado desse atraso? Nomes como Abel Ferreira e Jorge Jesus, que não alcançariam algo além de uma humilde terceira prateleira na escala de treinadores do futebol mundial, chegam no maior campeonato da América do Sul, e empilham títulos de expressão com pouquíssimo tempo de trabalho. Os dois portugueses seguem escolas de futebol totalmente diferentes, mas a facilidade com que varreram os que aqui já estavam foi bem parecida.
 

Com esse sucesso estrondoso dos estrangeiros que se mudam para cá, é fácil de estabelecer no imaginário do torcedor a( errônea) imagem de que, basta os clubes buscarem seu "mister" além das fronteiras, e tudo estará resolvido. Para combater essa ideia, também é preciso lembrar os insucessos: meses após a partida de Eduardo Coudet, que deixou o colorado na liderança do Brasileirão para rumar a Espanha, o Internacional decidiu apostar no inexperiente Miguel Angel Ramirez, cujo currículo constava apenas uma passagem com números regulares pelo pequeno Independiente Del Valle, do Equador. O futebol irregular, a seca de vitória nos clássicos e uma visível falta de conexão com o elenco, levaram a passagem de MAR pelo Beira-Rio a ser encerrada após 24 jogos. O passaporte europeu não bastou.

Outro case de insucesso memorável foi o de Domenec Torrent, contratado com o carimbo de auxiliar de Pep Guardiola e incumbido com a infame missão de ser o sucessor do já citado, Jorge Jesus, no Flamengo. O conceito de jogo posicional e a ideia de construir o elenco com nomes oriundos das categorias de base até agradaram a torcida no início, mas após sofrer goleadas insossas para Del Valle, São Paulo e Atlético Mineiro, o catalão não resistiu no cargo.

Tanto os exemplos de sucesso, quanto as apostas que saíram pela culatra, convergem em um mesmo ponto: a falta de planejamento dos dirigentes brasileiros. Flamengo e Palmeiras só chegaram nos nomes de seus vitoriosos portugueses com a temporada já em curso, após inexplicáveis apostas em nomes como Abel Braga e Vanderlei Luxemburgo, e não me parece improvável que, presenciaremos, outros casos de “sucesso por acaso” no futebol brasileiro.

Inicia-se 2022, o Internacional busca no Talleres o “Cacique” Medina, novamente um treinador inexperiente, embora com passagem por ligas mais qualificadas que a equatoriana. O Flamengo, chefiado pelo vereador Marcos Braz, larga as chaves do Departamento de Futebol nas mãos do recém-chegado Paulo Sousa, enquanto o Atlético Mineiro, finalmente, recebeu o “sim” do argentino Antonio "El Turco" Mohamed. Com isso, garantimos semanas de debates infrutíferos sobre a nacionalidade dos contratados e seguimos, sem questionar, os recorrentes planejamentos falhos de quem comanda nossos clubes.
 

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