Sábado, 25 de maio de 2024

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Luiz Gustavo Kabelo

Apostas: conheça os maiores riscos psicológicos que elas causam e como evitá-los

08/08/2023 20h20 | Por: Luiz Gustavo Kabelo
Foto: Internet/Reprodução

A lei nº 13.756 de 2018 garantiu a legalidade para as casas de apostas esportivas. Por meio desta coluna, vamos discutir os impactos das apostas em nosso cérebro e desmentir alguns mitos em que os apostadores acabam caindo.

O primeiro ponto é: temos que entender que as apostas estimulam nosso cérebro semelhante ao modo que fazem os alimentos e as drogas. Mesmo sem ingerir nada, nosso cérebro é bombardeado por neurotransmissores quando apostamos, ou seja, a partir do momento que postamos nosso cérebro é estimulado, pois recebemos um neurotransmissor no cérebro chamado dopamina. Normalmente, esse neurotransmissor é benéfico, pois quando precisamos realizar algumas tarefas, é a dopamina que nos faz levantar e ir alcançar o que pretendemos alcançar; é ela que nos energiza, motiva e nos dá o foco que precisamos.

No caso das apostas, quando temos êxito acontece um estímulo dopaminérgico; mas o grande problema é que quando perdemos também recebemos estas mesmas recompensas. No geral, as casas de apostas nos entregam os chamados “bônus”: você deposita uma quantia mínima – ou mesmo só para fazer a conta - e eles te presenteiam com o bônus, que seria mais uma quantia de crédito ou dinheiro para você bancar seu início neste universo, para estimular seu cérebro com algumas vitórias e, consequentemente, o seu organismo receber essa dopamina. Então, quando você perde, já com seu cérebro “domesticado” pelas recompensas da vitória, ele memoriza essa sensação de prazer e quer este estímulo novamente, e para te motivar ele libera mais dopamina. Resumidamente, você tem dopamina quando perde e quando sai vitorioso, por isso temos casos de vícios em jogos: porque estamos atrás de uma recompensa que já conhecemos – a maior parte dos vícios é assim, o cérebro memoriza as sensações de prazer, por esse motivo o ministério da saúde lançou uma campanha para prevenir o uso de crack no passado chamada “crack vicia na primeira vez”.

Um erro muito comum é cair na dita “falácia do jogador” – e isso também pode ser aplicado ao mercado financeiro. Imagine que você está jogando uma moeda para cima em uma disputa de cara ou corona. Se você obtiver o resultado “cara” vinte vezes seguidas, qual a chance de você tirar “coroa” na próxima? Você acredita que seja maior? Muitas pessoas acreditam que sim, porém, a probabilidade continua sendo a mesma 50% para as duas. Segundo matemáticos, a sequência não altera em nada a probabilidade, os eventos são estatisticamente independentes, a chance continua sendo 50% mesmo caindo quinhentas ou cinco mil “caras” seguidas.

Como não estou aqui para te privar do seu divertimento, mas sim para mediar um uso minimamente seguro dos diversos aplicativos e sites de apostas. Para isso, vou te dar algumas dicas: não use as apostas como uma forma de renda: isso pode evitar muita dor de cabeça, pois não podemos esquecer que as casas de apostas precisam ter lucro, então é importante procurar sites seguros que divulgam seu algoritmo, do contrário, a chance de você sair vitorioso é questionável. Quanto as centenas de influenciadores que estão pela internet te ensinando a apostar como forma de renda, não se esqueça que a profissão mais promissora do Brasil é o influenciador financeiro; então, que possamos estar atentos. Seria sábio, também, evitar usar o cartão de crédito: use um dinheiro que você já tem, que não lhe fará falta. Além disso, busque recompensas “normais” para seu cérebro, como passar um tempo com a família, esportes e afins.

É importante ter um uso responsável e consciente das plataformas. No caso de vícios em apostas, assim como acontece com todos os problemas de saúde, é preciso encontrar tratamento médico, terapêutico e medicamentoso - neste caso se recomenda indutores de serotonina. Por fim, deixo aqui o lembrete de que pessoas com outros problemas psicológicos tendem a ser mais suscetíveis ao vício em apostas.

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Luiz Gustavo Kabelo

Além do Eu

Luiz Gustavo Pereira é compositor e escritor com dezenas de trabalhos lançados por bandas e sua produtora. É acadêmico de Psicologia e foi um dos fundadores da Liga Acadêmica de Saúde e Espiritualidade (Lasesp) e é membro da Liga Acadêmica de Psicanálise (Lepsic).

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