Sexta-feira, 24 de maio de 2024

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Luiz Gustavo Kabelo

Cirurgias plásticas e transtorno dismórfico corporal

03/10/2023 16h30 | Por: Luiz Gustavo Kabelo

Para além do cuidado ou satisfação com a própria imagem, a preocupação excessiva com aparência física pode vir a se tornar algo patológico. Pensamentos obsessivos, delirantes ou incontroláveis sobre alguma questão real ou imaginária relacionadas às partes físicas dos indivíduos podem retratar características de transtornos mentais, como o Transtorno Dismórfico Corporal.

Com o desenvolvimento de tecnologias e investimentos na área de estética, passa a ser cada vez mais comum no ambiente brasileiro pessoas que aderem às cirurgias plásticas e aos procedimentos estéticos. Hoje, nosso país está no top 1 mundial em número de cirurgias plásticas, com aproximadamente 15 milhões de cirurgias ao ano. Atualmente, o maior público das cirurgias são as mulheres. Além disso, há outro ponto importante a ser considerado: os procedimentos aquecem um mercado que tende a crescer cada vez mais, aumentando, assim, seus números.

Esta questão econômica acaba desconsiderando fatores relacionados à saúde mental. Temos a prevalência de pacientes que aderem às cirurgias com Transtorno Dismórfico Corporal (TDC), que varia de 6% a 24%, podendo chegar a 53% segundo o artigo “Compreendendo a psicopatologia do transtorno dismórfico corporal de pacientes de cirurgia plástica: resumo da literatura”. Aqui, é evidente a importância do acompanhamento médico e psicológico dos pacientes. Para conhecimento, o TDC retrata um indivíduo que, mesmo em frente a um espelho, ou uma balança, não consegue discernir ou acreditar que está tudo bem com seu corpo. Este transtorno é uma das condições psiquiátricas mais comuns encontradas em pacientes que procuram cirurgia plástica. De maneira geral, ainda segundo o artigo, os pacientes com TDC tendem a ficar insatisfeitos com o resultado das cirurgias, o que afeta mais ainda a autoestima, o que faz com que voltem a sala de cirurgia, aquecendo ainda mais o mercado.

É importante, também, pontuar a diferença do TCD para outros transtornos. O transtorno está relacionado com a proporção de membros e não necessariamente com o índice de gordura. Homens, em geral, estão mais propensos à obsessão da constituição corporal, como quantidade da massa muscular, proporção genital e queda de cabelo. Nas mulheres, tem-se a preocupação com seios, pernas, nádegas, quadris e excesso de pelos. Em cada cultura o foco do transtorno se volta para uma parte do corpo, estando isso também condicionado às pressões midiáticas e como são vistos os corpos femininos e masculinos. Por certo, indivíduos com outros transtornos também podem aderir aos procedimentos, como no transtorno de personalidade narcisista, que buscam nos procedimentos sua necessidade de grandiosidade e admiração.

Segundo o artigo relatado nos parágrafos anteriores, é necessário bom senso e acompanhamento psicológico dos pacientes que pretendem fazer cirurgias plásticas, caso contrário, esses pacientes estão propensos a procurar novas cirurgias. É necessária, também, a ciência dos médicos sobre tais transtornos. Os médicos têm a responsabilidade de avaliar cuidadosamente os pacientes em busca de sinais de transtornos mentais, garantindo que ela seja uma prioridade em qualquer procedimento.

A psicologia busca nos alertar sobre os transtornos e a filosofia sobre os padrões de beleza e a ética dos procedimentos. Devemos promover a discussão saudável da imagem corporal, garantindo que as cirurgias plásticas sejam realizadas com ética e com plano de apoio para o bem-estar dos pacientes. Assim, buscaremos nos proteger de tendências mercadológicas promovidas para fomentar um mercado em ascensão.

 

Luiz Gustavo Kabelo

Além do Eu

Luiz Gustavo Pereira é compositor e escritor com dezenas de trabalhos lançados por bandas e sua produtora. É acadêmico de Psicologia e foi um dos fundadores da Liga Acadêmica de Saúde e Espiritualidade (Lasesp) e é membro da Liga Acadêmica de Psicanálise (Lepsic).

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