Sexta-feira, 21 de junho de 2024

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Luiz Gustavo Kabelo

É tudo uma questão de Branding!

28/11/2023 16h05 | Por: Luiz Gustavo Kabelo

Após o grande “bum” sobre uma recente ferramenta, penso ser interessante termos uma conversa sobre a influência que a dependência tecnológica tem em nossas vidas. Começo com a questão de que não existe inteligência na chamada “inteligência artificial” que chega ao consumidor, é apenas uma questão de Branding que começou nos anos 50.

Branding é o conjunto de ações de uma marca, os valores e os propósitos que são construídos para criar uma conexão com o cliente, sejam elas conscientes ou inconsciente. Em se tratando de consumo, não necessariamente, ele será de um produto, pois pode também ser de um estilo de vida. Não se trata apenas de qual é o melhor produto, mas sim de qual te desperta propósito, sentido e talvez até mesmo uma certa separação dos demais indivíduos.

Por que estou falando de Branding? No ano de 1955, John McCarthy precisava de dinheiro para financiar seu grupo de pesquisa que tratava do estudo de Estatísticas Multivariadas.  Então, ele bolou um dos melhores nomes possíveis e chamou seu projeto de “Machine Learning”, que no Brasil conhecemos como inteligência artificial. Este talvez seja um dos maiores Branding do século passado que, inclusive, repercute até hoje, pois com certeza é muito mais atrativo chamar o ChatGPT de “Inteligência artificial” ao invés de “programa estatístico multivariado”.

É importante fazer essa diferenciação porque segundo muitos neurocientistas, incluindo o nosso neurocientista mais influente no Brasil, Miguel Nicolelis, não existe nada de muito inteligente nesses Chatbots como o ChatGPT, nada muito de revolucionário ou de diferente do que é usado há décadas por matemáticos e cientistas. O que se cria é uma falsa ilusão de progresso, que pode te fazer comprar cursos e pacotes de IA com medo de estar ficando para trás. Venho aqui tranquilizar seus nervos e falar que “é tudo questão de Branding”.

Não serei hipócrita e dizer que essas ferramentas não facilitam nosso dia a dia, mas não deixam de ser um produto que gera engajamento e te faz correr atrás de algo que, não necessariamente, você precise. Além disso, podem te deixar em uma posição confortável, a qual te impede de se aprofundar em um assunto, te limitando ao básico no conhecimento – aqui, me refiro, em especial, aos acadêmicos e marketeiros que usam o recurso como principal ferramenta para seu oficio-. Assim, dá-se uma grande margem para a mediocridade, ao criar um senso de profundidade que não existe, chegando ao ponto de bancar uma ilusão sobre quem se é e o que se sabe.

É importante perceber o número de vezes que recorremos a essas ferramentas, para não nos tornarmos dependentes, com poucos e rasos conhecimentos. As máquinas não irão nos superar, mas quando nosso conhecimento se resume ao conhecimento dos Chatbots, nos equiparamos a elas. Aí, então, quem sabe seja mais fácil e mais barato ter um Chatbot ao invés de um ser humano trabalhando na sua empresa. 
 

 

Luiz Gustavo Kabelo

Além do Eu

Luiz Gustavo Pereira é compositor e escritor com dezenas de trabalhos lançados por bandas e sua produtora. É acadêmico de Psicologia e foi um dos fundadores da Liga Acadêmica de Saúde e Espiritualidade (Lasesp) e é membro da Liga Acadêmica de Psicanálise (Lepsic).

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