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Domingo, 25 de fevereiro de 2024

COLUNISTAS

Luiz Gustavo Kabelo

Eu errei

19/12/2023 16h15 | Atualizada em 19/12/2023 19h15 | Por: Luiz Gustavo Kabelo

Talvez seja um dos piores pecados dos seres humanos não reconhecer seus erros, achar que, por algum motivo, admitir um erro seja se apequenar. Venho por meio desta admitir um dos meus maiores erros.

Obviamente que reconhecer um erro, muitas vezes, não é o suficiente, mas sim um primeiro passo; depois dessa etapa vem a reparação do prejuízo, que pode ser seguida de um pequeno ato, ou de algo de grandes proporções, de acordo com a dimensão do erro. Felizmente, no meu, caso acredito conseguir amenizar, por meio da escrita contínua desta coluna, o déficit que causei, a mim e a outros.

Provavelmente eu me conforte com o aprendizado que somente a jornada que tracei me fez aderir, também sei que poucos largariam o saudosismo de uma filosofia criada por si para quebrar a cara. Na verdade, o que quero provar é que existe mérito, de alguma forma, em admitir um erro, porque por mais que possa parecer vergonhoso em alguns momentos, também pode ser interpretado como uma evolução.

Essa evolução é vista, não somente, no quesito de desenvolver um pensamento mais arrojado, mas também na inteligência emocional de entender que também erramos, em entendermos que, por certo, nem sempre estamos errados.

Isso pode parecer óbvio para alguns, mas no mundo pós-moderno selvagem, com competição o tempo todo, onde a maioria está sempre mostrando estar sempre muito feliz nas redes, me parece que o óbvio precisar sem dito.

Por muito tempo -começo a admitir meu erro- meu relacionamento com os livros se limitava aos livros teóricos, direto ao ponto: lia o que precisava saber e nada mais. Contos e outras histórias eram tediosas, maçantes! Gostava do que era rápido e prático, apenas o necessário.

Provavelmente, isso era um reflexo da atualidade, em que não podemos perder tempo, tudo tem que ser rápido: vídeos curtos, livros curtos, uma sociedade prática com abordagens práticas, sem subjetividade... algo que, provavelmente, você vivencia na sua vida.

Então, depois de noivar com uma professora de Literatura, vi todos aqueles livros nas estantes, autores famosos e outros nem tanto. Por algum lampejo que não soube muito bem explicar, decidi apreciar um ou dois livros, sem pretensão alguma. Isso foi uma espécie de lazer que me dei, comecei trocando um episódio de série pela leitura.

Acredito que a experiência não poderia ser melhor. Realmente, os livros não eram direto ao ponto, e algumas vezes se tornavam maçantes, mas a recompensa era muito melhor de diversas formas diferentes, já que foi como uma longa caminhada, por vezes o caminho é longo, porém, muito recompensador.

Fez, por vezes, eu repensar a humanidade e a ideia de progresso, porque era simplesmente incrível um escritor russo de dois séculos atrás descrever minuciosamente aspectos da vida que eu vivencio hoje, tanto tempo depois. Cansei de tantas vezes ouvir terceiros falaram de autores, na maioria das vezes difamando-os, por vezes enviesando os seus pensamentos. Então, decidi por ver com meus próprios olhos - uma prática que eu aconselho fervorosamente.

Na verdade, essa coluna talvez seja uma forma que eu encontrei de redenção pelos autores que eu subjuguei. Eles, agora, tornam o meu mundo um lugar com mais sentido e, infelizmente, a maioria já pereceu e terei de me acostumar com a ideia de nunca poder agradecê-los por tanto.

Caso ainda não o tenha feito perceber, aqui escrevo buscando te influenciar a leitura e é claro -não menos importante- te fazer largar de preconceitos, racionalizar o que é trazido por terceiros e pela cultura que nos rodeia.

Também, quero que busque, por conta própria, seus conceitos, para então superar e evoluir. Para isso, sempre será necessário transcender os erros, quebrar a barreira do orgulho e entender que para evoluir é necessário entendermos que erramos. Assim, poderemos não cair em um loop de falhas insistindo em conceitos que não são nada mais que falta de amadurecimento.

Um dos meus erros foi desdenhar a literatura e, com certeza, aparecerão mais. Contudo, quando eu os desvendar, serão incríveis oportunidades para fazer melhor tanto para mim quanto quem está ao meu redor.

 

 

Luiz Gustavo Kabelo

Além do Eu

Luiz Gustavo Pereira é compositor e escritor com dezenas de trabalhos lançados por bandas e sua produtora. É acadêmico de Psicologia e foi um dos fundadores da Liga Acadêmica de Saúde e Espiritualidade (Lasesp) e é membro da Liga Acadêmica de Psicanálise (Lepsic).

Opiniões do colunista não representam necessariamente o portal SCTODODIA.com.br

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