Quarta-feira, 29 de maio de 2024

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Luiz Gustavo Kabelo

O ensinamento de Sócrates que o condenou à morte

05/09/2023 18h04 | Por: Luiz Gustavo Kabelo

Sócrates é considerado um dos filósofos mais importantes, porém nunca escreveu um livro ou seus ensinamentos.  Os pensamentos foram eternizados por seu aluno Platão, o culpado por suas palavras repercutirem e ecoarem por todo o ocidente até o século atual.

Por volta de 400 aC viveu o famoso Sócrates autor da célebre frase; “Só sei que nada sei” – desta falarei em outra coluna. Os filósofos antecessores de Sócrates foram insultados e categorizados como “pré-socráticos”.

Hoje, venho por meio desta coluna - que às vezes imagino como uma conversa informal com meu leitor - apresentar uma das suas contribuições para nossa sociedade: o método socrático. Hoje modificado, aperfeiçoado e usado, também,  como ferramenta terapêutica pela psicologia.

O método de Sócrates consistia em deixar os cidadãos de Atenas um tanto desconfortáveis, pois mostrava por meio de questionamentos suas contradições e suas falhas, levando eles a uma nova reflexão. Obviamente isto incomodava os “grandes sábios” e os poderosos da época, que por vezes se sentiam humilhados. O filósofo andava pelas ruas questionando todos, jovens, velhos e poderosos, isto colaborou, mais tarde, para uma de suas acusações: corrupção da juventude.

Para ficar claro, quero compartilhar com vocês um diálogo interessantíssimo que retirei do livro de bolso 100 minutos para entender Platão. Este diálogo descreve, de uma maneira bem didática, o método socrático.

Imagine, agora,  esse diálogo hipotético:
Pessoa A: - O que significa amar para você?
Pessoa B: - Significa desejar o bem a outra pessoa.
Pessoa A: - O que você entende por desejar o bem?
Pessoa B: - Desejar que ela seja feliz, que conquiste a felicidade.
Pessoa A: - A conquista da felicidade significa o que você considera que pode fazer essa pessoa feliz ou o que ela considera? 
Pessoa B: - O que ela considera, claro.
Pessoa A: - Caso essa pessoa considere que alcançar a felicidade significa possuir a sua casa, seu carro e seus pertences, você faria essa doação a ela?
Pessoa B: - Não, não poderia doar.
Pessoa A: - Então, para você, amar significa desejar a felicidade que você julga ser adequada a alguém, e não o que esse alguém julga adequado para si mesmo?
Pessoa B: - Sim, é isso mesmo. Terei que reformular minha frase.

Este exemplo, apesar de simples, ilustra como Sócrates podia ser afrontoso, como o incentivo à reflexão e ao questionamento do que se acreditava era constante. A afronta, que muitos escritos trazem, foi um dos motivos que o marcou em nossa história.

Com o método socrático começa um eixo da filosofia: a investigação pelo desconhecido. Até aquele momento a investigação começava por ideias preconcebidas. Interessante, não é mesmo? Imagine quanto do que sabemos, hoje, derivou deste método!

Hoje eu quis apresentar na prática o que a filosofia faz, a investigação empírica que ela desenvolve, para desmanchar um pouco a ideia de que “filosofar” é apenas pensar. Não que não seja, mas é importante mostrar que há ali um propósito e um lugar para chegar, uma metodologia, muitos estudos, ciência e reflexão.

 

Luiz Gustavo Kabelo

Além do Eu

Luiz Gustavo Pereira é compositor e escritor com dezenas de trabalhos lançados por bandas e sua produtora. É acadêmico de Psicologia e foi um dos fundadores da Liga Acadêmica de Saúde e Espiritualidade (Lasesp) e é membro da Liga Acadêmica de Psicanálise (Lepsic).

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