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Domingo, 25 de fevereiro de 2024

COLUNISTAS

Luiz Gustavo Kabelo

Praga emocional

13/06/2023 17h24 | Atualizada em 13/06/2023 20h32 | Por: Luiz Gustavo Kabelo

Minha tarefa aqui é falar sobre psicologia e filosofia; não é trazer uma pauta moral, mas talvez debater a moral. Hoje, trago o tema “Praga emocional”, originalmente descrito pelo psiquiatra Wilhelm Reich. Aqui, busco aplicar o assunto ao nosso cotidiano.

O termo “Praga emocional’ foi introduzido para descrever um fenômeno perturbador: a presença da irracionalidade coletiva e da destrutividade em grupo.  Nós guardamos em nosso inconsciente muitos materiais destrutivos, tanto para nós mesmos, quanto paro os que estão ao nosso redor. Se não tratado corretamente pode se desenrolar em diversas formas, como, por exemplo, o uso da pornografia, práticas violentas generalizadas ou até mesmo o suicídio. A questão fica mais perigosa quando essas neuroses são compartilhadas, pois podem gerar grupos políticos radicais, grupos que defendem uma raça ou grupos religiosos, como foi feito com as bruxas de Salem: toda uma comunidade de pessoas tramou e perseguiu mulheres, e aqueles que iam contra este movimento também podiam ser perseguidos.

Organismos insatisfeitos e amorosamente frustrados, quando acometidos de peste emocional, tendem a desejar, temer, invejar e, por fim, odiar e querer destruir tudo aquilo que ameaça sua paralisia. Achar que os outros são acometidos pela “Praga emocional” e não voltar os olhos para si é um erro, é uma forma de autoengano que abre espaço para o caráter narcisista e, é claro, para a própria praga. Esse narcisismo pode nos levar a pensar que somos melhores, mais puros e que temos, por isso, o direito de intervir no comportamento dos outros.

Eu não poderia falar sobre esse tema voltado à contemporaneidade sem citar o cancelamento virtual, que nada mais é que um movimento de massas, que na sua maioria é um compilado de pessoas querendo agradar uma as outras, mostrando que são posicionadas de alguma forma fazendo o mínimo. Claro, temos que nos impor, porém estou falando desse movimento de quem teme não ser querido pelo outro. O cancelamento, em alguns casos, não é feito para que a pessoa reflita ou que se retrate, e sim para que ela deixe de existir, para que ela nunca mais tenha uma vida normal, para que ela sofra eternamente e que não possa mais trabalhar de nem uma forma, buscando criar um inferno na terra para o “cancelado”. O cancelamento também é uma espécie de praga.

Mas, como ir contra a “praga”? Uma das possibilidades é buscar tratamento multiprofissional, com médico e psicólogo, entender que algumas de nossas práticas podem não ser saudáveis, ainda que as validemos por não as praticarmos sozinhos. Se o acesso a esses atendimentos for difícil, pode-se começar a praticar uma autoanálise, de forma a buscar entender de onde elas vêm e se, ainda, não as validamos por serem comuns a quem está ao nosso redor.

 

Luiz Gustavo Kabelo

Além do Eu

Luiz Gustavo Pereira é compositor e escritor com dezenas de trabalhos lançados por bandas e sua produtora. É acadêmico de Psicologia e foi um dos fundadores da Liga Acadêmica de Saúde e Espiritualidade (Lasesp) e é membro da Liga Acadêmica de Psicanálise (Lepsic).

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