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Segunda-feira, 04 de julho de 2022

COLUNISTAS

Milton Alves

"É natural que mais crianças surjam contaminadas pelo coronavírus"

17/02/2022 23h30 | Atualizada em 18/02/2022 14h31 | Por: Milton Alves
Casos graves de Covid-19 em crianças são raros, mas estão entre os mistérios mais desafiadores do coronavírus

A afirmação nos foi feita nesta quinta-feira pelo médico pediatra tubaronense Evandro Thonsem Antunes, pouco depois de ter acompanhado, pelo rádio do carro, um comentário que fiz sobre o crescimento do números de crianças contaminadas pelo vírus que desencadeia a Covid-19, fato que inclusive tem feito as autoridades se preocuparem e pedirem aos pais que vacinem seus filhos. Aliás, o tema vacinação de crianças - obrigatória ou não - também foi destaque no comentário feito no "Notícias da Cidade" da Cidade 103,7 FM. Nesse tema, inclusive, tanto o médico quanto eu, comungamos do mesmo pensamento: devemos incentivar a vacinação; mostrar aos céticos os avanços da ciência no combate ao vírus e suas variantes, mas deixar que os pais decidam se devem, ou não, levar seus filhos até uma unidade de saúde para receber a famosa "picadinha". Quem deve decidir isso são os pais, não o Estado.

Quanto ao maior número de crianças que tem sido contaminadas pela variante ômicron, se contrapondo ao que aconteceu nos dois anos iniciais da pandemia, onde raramente apareciam crianças com sintomas e, menos ainda, com risco de óbito enquanto adultos contabilizavam centenas de mortes diárias (e aqui me refiro apenas ao Brasil), Evandro foi bastante objetivo: "por enquanto, na minha ótica, tudo é uma questão de matemática. Pode até causar preocupação, sim, mas nada que não esteja dentro do esperado". E o médico justifica sua tese analisando com cautela os percentuais anunciados pelas Secretarias de Saúde, reproduzidos pela imprensa, e que falam em 400% a mais no número de crianças que baixaram os hospitais. Num primeiro momento até assusta um percentual desses, todavia, percentual é percentual, 100% de 2, por exemplo, são apenas 2, mas não deixam de ser 100%. Sendo assim, o que se deve levar em conta são os números reais, e não os percentuais, saber quantos casos estamos tendo em média para dar os 400% a mais de internações.

Levando em conta dados dos hospitais com os quais tem contato, ou aqueles que recebe de colegas da profissão, o médico lembra que nas primeiras variantes da pandemia, em 2020 e 2021, a média de ocupação de leitos hospitalares com crianças era extramente baixa em SC, em se falando de UTI, e agora passou de três para 16 leitos ocupados, o que nos levou a ter os 400% de aumento. Ah, mas 15 ou 16 crianças necessitando de hospital não é um número preocupante doutor? "Toda a internação envolvendo criança sempre será preocupante", declara Evandro, "principalmente porque, em se tratando de filho, quase sempre prevalece entre os pais o fator emocional. O que devemos considerar, todavia, é o fato de que nestes dois primeiros meses de 2022 já temos muito mais crianças atacadas pelo vírus do que em todo o ano passado, o que justifica de forma literal o aumento de contaminados. Não é um agravamento da doença por se tratar de crianças ou muito menos mais uma onda avassaladora de covid-19. É um movimento natural em consequência do aumento do número de casos”, rebateu.

Mas o aumento de casos, por si só, não significa que a situação está ficando mais grave? perguntei. “Não acredito nisso até porque o índice de letalidade que estamos tendo entre crianças atingidas pela ômicron é quase no mesmo patamar que tivemos nos anos anteriores, diante das outras variantes. Agora, é bom que os pais tenham consciência de que a Covid-19 tem contribuído para a morte de crianças, tanto é verdade que tivemos mais de 2.500 óbtidos entre crianças no Brasil, e esse não é um número despresível, passando a ser, sim, um caso de saúde publica. “O que tem que se colocar, e isso é preciso ser dito para evitarmos que pais entrem em desespero (o que infelizmente parece ser o objetivo de alguns), é que os percentuais de aumento de contaminação entre crianças estão dentro de uma lógica explicada pelo movimento dos números, que por sua vez é provocado por fatores bastante conhecidos a partir do comportamento dessas crianças” destacou Evandro.

Na prática, o coronavírus nem está à caça das crianças, elas é que estão indo ao encontro dele. Nas entrelinhas fica em suspense a ideia de que crianças também seriam atingidas em maior número pelas “ondas” anteriores se estivessem expostas como estão agora. Como não estavam, é impossível fazer o paralelo. O que se sabe é que agora as crianças deixaram os casulos em que os pais transformaram suas casas; voltaram a participar das festinhas na casa de amiguinhos; comemoraram o Natal e Ano Novo livres, leves e soltos e, mais recentemente retornaram às escolas. Não bastasse tudo isso, tem um outro detalhe que o médico Evandro Antunes considera circunstancial para esse aumento de casos: o fato dos adultos estarem subestimando os sintomas da ômicron. Muitos pais têm apenas dor de garganta e uma dor de cabeça o que não leva eles a procurarem uma policlínica ou o pronto atendimento para fazerem os exames, e acabam contaminando seus filhos.

Isso tem feito com que aumente bastante o número de crianças contaminadas e a matemática acaba sendo clara nesse sentido. “Vou trabalhar em cima de números fictícios” propõe Evandro. “Imaginemos que nos dois primeiros anos da pandemia tivéssemos 100 mil crianças expostas com uma taxa de 3% de contaminação, que era a da época. Três por cento de 100 mil: três mil contaminados. Nos dias atuais, considerando tudo o que já citamos em termos de exposição das crianças, chegaríamos facilmente a 1 milhão delas enfrentando uma taxa de contaminação de apenas 1%. É isso mesmo, a taxa de contaminação em relação a ômicron é de apenas 1%, mesmo assim teremos um número de contaminados bastante alto. Um por cento de 1 milhão: 10 mil contaminados. Em suma: temos uma variante menos agressiva, que leva as crianças a menos doenças graves, mas com um número muito maior de crianças contaminadas”, finalizou o pediatra.

Pediatra Evandro Antunes, um médico que gosta de debater com a sociedade as questões de saúde

Milton Alves

Rádio Cidade Tubarão

Opinião com credibilidade. Apresentador do programa Notícias da Cidade da Rádio Cidade Tubarão.

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