Quarta-feira, 19 de junho de 2024

COLUNISTAS

Milton Alves

As razões da exoneração do 1º Escalão

14/08/2023 05h30 | Por: Milton Alves

A icônica iniciativa tomada na última sexta-feira pela dobradinha Jairo Cascaes (PSD) e Moisés Nunes (PP), prefeito e vice de Tubarão eleitos recentemente, exonerando de uma só vez todos os secretários e presidentes de fundações ligados a prefeitura municipal, me parece não buscar apenas uma tão esperada reoxigenação de ideias, algo que sempre norteia as reformas de primeiro escalão e são costumeiras até mesmo em governos já consolidados. Se fosse só esse o objetivo, o mais compreensível seria deixar tudo como está e ir aos poucos anunciando as substituições. Pelo menos não teríamos a interrupção de continuidade de alguns casos que vão acabar acontecendo.

Não acredito que esteja também apenas atrelada a proposta de enxugar a máquina, mesmo que isso seja importante e também faça parte da ideia central de controle administrativo e economicidade. Reduzir custos num equilíbrio de orçamento para o ano que vem, permitindo assim que sejam destinados recursos para investimentos, não comprometendo a arrecadação só com o custeio, é fundamental para quem pretende deixar um legado positivo, ainda mais por se tratar de um mandato encurtado. Mas essa também não parece ser a razão principal das exonerações, pois economizar esta muito mais ligado a romper ou refazer contratos e convênios, cortando o que não se faz necessário ou urgente; aquilo cujos valores ficam bem além do pouco que se gasta com salários dos integrantes do primeiro escalão. Ainda mais quando já se sabe que os cargos haverão de ser reocupados.

O lado político da questão 

O penso, e serei honesto com as minhas convicções, é que nesse caso específico, Jairo e Moisés, gestores do mandato com tempo já estabelecido de apenas 17 meses, buscam nesse primeiro passo da reforma administrativa, com o desmonte do primeiro escalão, a necessária restauração da redoma político partidária do governo em si, integrado em sua vertente principal por PSD e PP, que ruiu a partir dos afastamentos de Joares e Caio. E essa medida inesperada da última sexta-feira - até que me provem o contrário – foi tomada mesmo para impactar. Dar um sobressalto e tirar os ditos “aliados” da zona de conforto.

O que tanto Jairo e Moisés, quanto os partidos que integram desejam, é saber quem é quem neste atual contexto, pois dos compromissos lá de trás nada mais resta para ser cumprido. O retorno de alguns destes integrantes de 1º escalão, ou até mesmo o remanejamento deles entre as pastas, não vai estar mais atrelado apenas a capacidade técnica administrativa. Pelo menos nesse primeiro momento. Agora me parece que é preciso posicionamento político. Tanto os secretários quanto as siglas que os indicam tem que que estar fechados com o novo grupo de comando e suas ideias. Não se posicionar vai ser o sinal de que vai descer do barco.

Ah mas essa não é a postura mais sensata ou coerente para quem está precisando unir forças, ter governabilidade, dirão alguns. Realmente esse pensamento tem lógica. As vezes também acho que as posturas deveriam ser diferentes, porém, pensando bem, é o preço que alguns vão ter que pagar. Pois também não é aceitável que Jairo e Moisés assumam este abacaxi de administrar a cidade nessas condições e fazer de seu mandato um trampolim para forças políticas já comprometidas com adversários em 2024. O comportamento de alguns chega a beirar o deboche. Bem possivelmente chegou a hora de dividir o joio do trigo. Ou essa gente pensa que os gestores são tão cegos que não enxergam o festival de jogo duplo que se estabeleceu nesses últimos tempos nos bastidores do poder em Tubarão?

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