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Quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

COLUNISTAS

Nayara Lessa

O que é “ter os pés no chão” para você?

03/12/2021 14h14 | Atualizada em 03/12/2021 17h15 | Por: Nayara Lessa

"Ter os pés no chão", para mim, por muitos anos, foi sinônimo de aceitar a vida que eu tenho e não correr atrás dos meus sonhos, pois foi isso que me ensinaram. Quando eu era adolescente, tinha o sonho de ser engenheira química. Sempre fui muito estudiosa e amava as aulas de química e biologia no ensino médio. Fazia milhares de planos a respeito, tirava sempre ótimas notas. Tinha amigos mais velhos que já estavam na universidade e esperava ansiosa pelo dia em que eu pegaria o mesmo ônibus que eles para ir à aula. Cheguei a fazer vestibular quando estava no terceirão. Na época era vestibular vocacionado e eu passei em 7º lugar.

O que aconteceu foi, que em uma conversa com meu pai, tentando convencê-lo a me ajudar a pagar a mensalidade, ele me falou exatamente essa frase: “aterriza! Você precisa ter os pés no chão, faculdade não é para você”. Eu senti tanta raiva naquela hora, "como assim faculdade não era para mim?" O que os meus amigos tinham que eu não tinha?". E, por muitos anos, culpei meu pai pelo fato de não ter feito um curso superior.

 

Agora, adulta, eu entendo que ele sempre me deu o melhor que pôde. Entendi que não era eu que não podia fazer faculdade, era ele que não tinha condições de bancar. Porém, o modo como ele falou isso pra mim, gerou uma crença limitante, e eu nunca fui atrás de cursar a universidade com meu próprio esforço. Hoje eu vejo que eu tinha outros meios, e poderia ter realizado aquele sonho, fato é que eu não me sentia capaz.

Atualmente, eu tenho outra visão para “ter os pés no chão”, graças aos anos de terapia e autoconhecimento. Ter os pés no chão é traçar um caminho possível em direção ao seu objetivo. É utilizar os recursos que temos à disposição. É saber que as coisas não acontecem da noite para o dia, que é preciso ter persistência e foco.

Hoje eu agradeço ao meu pai por tudo que ele fez por mim. Foram os “nãos” que me fortaleceram, que fizeram eu me tornar a mulher que sou hoje. Talvez, se tivesse me tornado uma engenheira química, eu não seria tão realizada como sou hoje, sendo quem sou.

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