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Domingo, 25 de fevereiro de 2024

COLUNISTAS

Paulo Monteiro

Barbie é o melhor filme que a personagem poderia ter nos cinemas

24/07/2023 17h40 | Atualizada em 24/07/2023 20h45 | Por: Paulo Monteiro

Quando saíram as primeiras notícias de que a Warner estava trabalhando em um filme live-action de Barbie, a primeira coisa que eu me perguntei foi: como? Como adaptar um produto para o cinema, nesse caso um dos brinquedos mais influentes da história, sem ser extremamente infantil ou extremamente vazio e desinteressante? 

Posteriormente, a notícia de que Greta Gerwig (diretora de Lady Bird e Little Women) dirigiria o longa trouxe um indício do rumo que a adaptação poderia tomar. Os trailers imagens oficiais do filme, por fim, acabaram esclarecendo a qualidade visual e o tom da obra. 

Ainda assim, mesmo com todas essas informações, para mim era praticamente inconcebível uma adaptação de Barbie para os cinemas que não fosse boba demais ou uma pura propaganda para venda de bonecas. Essa ideia continuou comigo até o momento em que assisti o longa, mas, por fim, posso dizer: Barbie é o melhor filme que a personagem poderia ter nos cinemas.

Greta e Noah Baumbach, esposo da cineasta, diretor de sucesso e co-roteirista de Barbie, tinham um trabalho muito difícil em mãos quando aceitaram trabalhar no longa-metragem: traduzir toda a magia e plasticidade de um brinquedo para as telonas e construir um roteiro que fizesse proveito disso sem cair na mediocridade. Medíocre, certamente, é algo que esse filme não é. 

Barbie é uma adaptação moderna que transita muito bem entre o plástico, o fantástico e a realidade. O real, nesse caso, está muito mais presente nos temas abordados do que necessariamente no que visualmente é apresentado em tela, uma vez que tanto o mundo real quanto o fictício possuem toques de uma casa de boneca. 

A história do filme é simples, no melhor estilo Encantada e outras tantas adaptações onde o personagem de fantasia é confrontado com o mundo real. Falando assim, então, era possível que Barbie acabasse sendo apenas mais um longa nesse estilo. Mas Greta conseguiu imprimir sua digital na obra de forma que ela se transforma em um espaço fantástico para a discussão de temas atuais e relevantes da sociedade - e que curiosamente dialogam com o mundo e a influência das bonecas.

Desde os primeiros minutos de filme, Barbie faz questão de te deixar imerso no mundo de fantasia da boneca, onde tudo é propositalmente muito artificial, mas extremamente. A ingenuidade e simplicidade dos personagens da Barbielândia deixam escrachada a escolha pela fantasia, e isso acaba funcionando muito bem para o humor do longa. 

Apenas quando Barbie e Ken vão para o mundo real, com o objetivo de reparar “problemas” que a boneca estava vivenciando em seu paraíso de brinquedo, é que o filme se abre completamente para a discussão de assuntos atuais e extremamente relevantes. 

Barbie é um filme que preza pelo humor e foge do drama excessivo, mas ainda assim consegue fazer com que você se apegue aos dilemas da personagem. Greta utiliza da boneca que dá nome ao longa e tudo que ela representou para a sociedade para criticar a indústria dos brinquedos e a maneira como a Mattel fez com que meninas vissem em suas bonecas o padrão ideal para seus corpos e aparências. 

Além disso, a diretora faz do contraste entre a “perfeição da Barbielândia” e o mundo real para discutir o lugar da mulher em nossa sociedade, o desenvolvimento do machismo na mesma, e o papel/importância do feminismo. Tudo isso através de um estilo que poderia dar muito errado, mas que acabou casando perfeitamente com a estética e o tom do longa, que é o humor escrachado. 

O humor de Barbie passa longe do sútil, mas na boca de atores e atrizes como Margot Robbie e Ryan Gosling, se transforma em algo extremamente engraçado. As críticas em forma de piadas me remetem ao que Adam McKay tentou fazer em Não Olhe Para Cima. Mas, ao contrário do que acontece no filme estrelado por DiCaprio, no longa de Greta Gerwig isso funciona muito bem. 

O destaque do filme também está na estética alcançada por meio de uma direção de arte impecável. É muito rosa, muito plástico, muito fantástico, mas de maneira em que o excesso não causa incômodo, mas sim conforto. Nas palavras de minha colega de profissão Júlia Felício, enquanto assistimos o filme, parecia que, de fato, estávamos “brincando de boneca”. 

Ryan Gosling está em um dos melhores papéis de sua carreira. Ele, que já havia provado que sabe fazer humor com Dois Caras Legais, incorpora a “inocência” de um personagem de boneco para proporcionar algumas das cenas mais engraçadas do longa. Michael Cera, que interpreta um boneco descontinuado pela Mattel, consegue mais uma vez ser engraçado fazendo praticamente o mesmo papel de sempre.

Margot Robbie, por fim, é tudo o que poderíamos esperar dela. Engraçada e encantadora, mas capaz de nos convencer nas poucas cenas em que de fato estamos vivenciando um drama na história do filme. Com um olhar, um sorriso e uma lágrima para uma idosa sentada em um banco em uma cena em específico, a atriz conseguiu transmitir de uma só vez o sentimento de quem se enxerga como mulher no mundo real. 

O acerto de Barbie é assumir em definitivo o plástico e o fantástico, deixar o humor guiar as principais discussões do longa, e mergulhar no drama em pouquíssimos momentos, de forma a elevar o significado e importância dessas cenas. Um filme engraçado e que promete ser a introdução de jovens e crianças em temas importantes da nossa sociedade. 

Nota: 4/5 

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Paulo Monteiro

Cinema em Cena

Paulo Monteiro é repórter da Rádio Cidade em Dia, de Criciúma, jornalista profissional e um apaixonado pelo mundo do cinema e cultura pop. Com passagens por veículos de imprensa de Criciúma, já escreveu sobre a sétima arte também para o Cinetoscópio e CineVitor.

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