Segunda-feira, 24 de junho de 2024

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Paulo Monteiro

Rivais faz da quadra de tênis o palco de uma sexual disputa de egos

23/05/2024 09h49 | Por: Paulo Monteiro

Filme de Luca Guadagnino se consolida como um dos melhores de 2024 até o momento

Em uma época onde o sexo se tornou algo tão estupidamente questionável dentro do cinema, a ponto de ser encarado como um artifício que obrigatoriamente precisa gerar um impacto narrativo ou histórico na obra, se tornaram cada vez mais raros os filmes que conseguem construir algo minimamente sexual e atraente. Felizmente, Rivais (2024) vai na contramão dessa tendência e se coloca como um longa sensual desde o primeiro minuto, mas com um diferencial de certa forma admirável: sem nunca nos apresentar o ato em si. Ao menos não como poderíamos esperar.

Dirigido por Luca Guadagnino, cineasta conhecido principalmente por Me Chame Pelo Seu Nome, longa aclamado em diversos festivais de cinema, Rivais está longe de ser um típico filme sem sal de esporte. Pelo contrário. O longa se aproveita de duas das maiores virtudes dos esportes, a paixão e a intensidade, para construir algo igualmente atraente e fascinante.

O filme acompanha Art (Mike Faist), Patrick (Josh O’Connor) e Trisha (Zendaya). Os dois primeiros, jovens tenistas que nutrem uma amizade desde os 12 anos de idade. A terceira, uma verdadeira estrela em ascensão do tênis. Ela, desejada por ambos. Eles, desejando-a com a mesma intensidade que pisam nas quadras. 

Trisha tem a carreira interrompida por conta de uma lesão. Ela se casa com Art, vira a sua treinadora e o transforma em um campeão. No entanto, os dois precisam lidar com a presença de uma terceira figura que, no passado, fez parte desse relacionamento. E tudo isso (ou pelo menos quase tudo) é e precisa ser resolvido dentro de uma quadra. 

É fantástica a forma como Rivais faz da quadra de tênis o palco de uma verdadeira, e extremamente sexual, disputa de egos. Guadagnino se vale da intensidade de um esporte, e dos corpos de quem o pratica, para explorar uma tensão que está o tempo inteiro em construção, crescendo de ato em ato para chegar em um momento catártico, de puro êxtase.

O fio condutor do filme é um relacionamento problemático, que se apresenta como monogâmico - mas que envolve três protagonistas. Não há espaço para três, não naquelas condições. Até porque em uma quadra de tênis só podemos ter dois ou quatro jogadores - nunca três. Alguém ali está de alguma forma sobrando, mas não temos exata certeza de quem.

Essa problemática também se reflete em uma batalha de ego entre os personagens, que precisam lidar com frustrações dentro e fora das quadras. Frustrações essas que residem tanto no amor quanto no desejo pela vitória - e na contraposição desses dois fatores. A exploração desses sentimentos funcionam graças a uma poderosa e atraente Zendaya, que rouba a cena com a sua imponência sempre que aparece, e aos hipnotizantes Mike Faist e Josh O’Connor, com um balanço de humor, melancolia e sensualidade.

Estabelecido esse conflito, Guadagnino se destaca ao ter plena noção do quão imponente pode ser o corpo humano e, com isso, o filma nos momentos de maior intensidade possível. O esporte escolhido, por si só, também é um diferencial. Não se trata de um exercício coletivo, mas, sim, individual. Um esporte de um contra um, que valoriza o silêncio e a distância de seus jogadores. Um conflito quase psicológico, que existe também nos olhares e, portanto, é extremamente tenso.

Em Rivais, é traçado um paralelo entre o sexo e uma partida de tênis. O jogo é definido por Trisha, ainda no início, como um relacionamento. O diretor, então, o encara como - trazendo a mesma sensualidade do ato em si para dentro das quadras, com takes igualmente sensuais e criativos. Ambos envolvem dedicação, suor e cansaço, mas terminam da mesma forma: em êxtase.

Nota: 5/5

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Paulo Monteiro

Cinema em Cena

Paulo Monteiro é repórter da Rádio Cidade em Dia, de Criciúma, jornalista profissional e um apaixonado pelo mundo do cinema e cultura pop. Com passagens por veículos de imprensa de Criciúma, já escreveu sobre a sétima arte também para o Cinetoscópio e CineVitor.

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