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Quarta-feira, 25 de maio de 2022

COLUNISTAS

Ronaldo Sant'Anna

A tecnologia e o flâneur

22/05/2022 11h14 | Atualizada em 22/05/2022 14h15 | Por: Ronaldo Sant'Anna
Imagem: Pexels

O poeta francês do século XIX Charles Baudelaire foi o primeiro a escrever sobre o flâneur, termo que define alguém que observa o mundo, que olha sem se envolver, um personagem que está imerso em determinada situação, mas não participa da mesma, que analisa com distanciamento o que está acontecendo. O flâneur quase sempre está longe de casa, mas sente-se em casa. Vê o mundo, está no centro do mundo, porém, ao mesmo tempo, permanece escondido do mundo. Esta é a definição do filósofo alemão Walter Benjamin, famoso por participar da Escola de Frankfurt, a qual desenvolveu o conceito de Indústria Cultural. Outros pensadores também trabalharam no conceito de flâneur, ligando-o à modernidade, às metrópoles, urbanismo e cosmopolitismo.

Para Baudelaire, a noção de flâneur é muito mais poética, designa aquele observador descompromissado, que tem como único interesse perceber o que acontece ao seu redor, sem um objetivo maior, somente tentando ver o detalhe que vai revelar algo profundo, muitas vezes escondido, de um indivíduo ou uma sociedade, podendo, ou não, torná-lo público.

 

Ronaldo Sant'Anna

Revolução democrática? Uma ova!

25/04/2022 10h26 | Atualizada em 25/04/2022 13h28 | Por: Ronaldo Sant'Anna
Imagem: Pexels

No final de 1968 fui aprovado no vestibular do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grandes do Sul (UFRGS), para iniciar os estudos no início de 1969. A data diz alguma coisa para você, caro leitor, além de informações sobre a minha idade? Se não lembra, deixe que eu refresque a sua memória.

Em 13 de dezembro de 1968 o governo militar, instituído pelo movimento de 31 de março de 1964 (iniciado na realidade em 1º de abril, algo que os defensores do golpe não assumem), decretou o Ato Institucional Número 5, o qual terminou com direitos fundamentais do cidadão, como o do habeas corpus, suspendeu o Congresso, permitiu que as polícias militar e civil prendessem sem ordem judicial, ou seja, as liberdades civis foram totalmente suprimidas.

Esta data marcou o início do pior período em relação a ações repressivas, as quais atingiram o auge nos primeiros anos da década de 1970. Enquanto o país vibrava com o tricampeonato mundial de futebol conquistado no México, os organismos da repressão política, como o temido Doi-Codi (Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna) órgão de inteligência subordinado ao exército, ou os Dops (Departamento da Ordem Política e Social), espalhados pelos estados brasileiros, prendiam, torturavam e matavam, sem que isso pudesse ser noticiado, pois o governo censurava as informações, o que impedia que o grande público soubesse desses crimes.

 

Ronaldo Sant'Anna

A deterioração da linguagem

13/04/2022 10h25 | Atualizada em 13/04/2022 13h28 | Por: Ronaldo Sant'Anna
Imagem: Pexels

Não sou professor de português, mas sempre procurei, em todos os textos que produzo, nas minhas aulas no curso de Jornalismo da Unisul, ou no programa que apresento na Rádio Monte Carlo, utilizar uma linguagem coloquial, isto é, do dia a dia das pessoas, porém a mais correta possível, a partir das regras da nossa língua materna. Do meu ponto de vista, aqueles que têm a oportunidade de falar para um público, seja em algum veículo midiático (jornal, rádio, TV, on-line) ou presencialmente (aulas, palestras, treinamentos, apresentações), carregam consigo a responsabilidade de buscar o crescimento pessoal (e profissional, eventualmente) daqueles que recebem estas informações. E o primeiro passo para isto é comunicar-se adequadamente, seguindo as regras gramaticais, para servir de exemplo para quem está recebendo o conteúdo. Obviamente, não basta falar corretamente, é importante que haja conteúdo, mas isto é assunto para outro texto.

Muita gente deve considerar-me um chato na questão da correção gramatical e semântica, porque dificilmente eu deixo passar em branco um erro que percebo, mas realmente estou preocupado com a baixa qualidade da comunicação que está sendo feita atualmente. Quer um exemplo? Tenho ouvido diversas vezes, em veículos da grande mídia, em diversas entrevistas, a seguinte formulação: “Qual que é a sua opinião sobre....?” Qual QUE é??? Como assim, cara-pálida? Outro: “Isto dá de fazer...” O correto é “Isto dá para fazer”. São apenas duas situações que estou citando, entre muitas outras, nas quais é possível perceber uma deterioração do nosso idioma.

Ronaldo Sant'Anna

Burro de padeiro e meia-sola

01/03/2022 18h48 | Atualizada em 01/03/2022 21h53 | Por: Ronaldo Sant'Anna
Imagem: Pexels

Até meados do século passado era comum a entrega de pão nas casas dos consumidores, uma espécie de delivery vintage. O repartidor de pão (assim era chamado aquele que fazia este trabalho) utilizava uma pequena carroça, normalmente puxada por um burro, e fazia um trajeto previamente determinado, parando na frente de cada casa que usava o serviço. Depois de um tempo, com a repetição diária, o burro memorizava o caminho, e parava automaticamente na frente de cada casa. O condutor não precisava fazer nada, quando ele saía de uma residência o animal já se movimentava para a próxima, e assim sucessivamente, até o final do caminho. Por isso, a ação de quem fazia sempre a mesma coisa, de maneira automática, era denominado “burro de padeiro”. A expressão é utilizada até hoje, sem que muitos conheçam a sua origem.

A atividade de repartidor de pão não existe mais. A modernidade fez com que muitas profissões deixassem de existir ou fossem condenadas à obsolescência quase que total. Querem outro exemplo? O ofício de sapateiro. Muita gente, principalmente quem é mais jovem, nunca utilizou os serviços desse profissional. O aumento exponencial da produção de sapatos, aliada à globalização, colocou à disposição do mundo todo os estoques chineses de calçados baratos (e de baixa qualidade) que quebraram polos calçadistas de diversos países, como aconteceu no Rio Grande do Sul, por exemplo. Assim, é mais fácil e barato descartar um sapato usado do que tentar recuperá-lo, o que afetou diretamente a profissão de sapateiro.

Quando os calçados eram mais resistentes, mas com o uso a sola começava a furar, a gente levava ao sapateiro para trocá-la. Quem não tinha grana apelava para a meia-sola, isto é, era reposta somente uma parte menor da base, não toda. A meia-sola era um recurso que mostrava que a família que não tinha muitos recursos. Mas estou lembrando disto para falar sobre...estradas. Como eu viajo há muito tempo para Porto Alegre, como um burro de padeiro, utilizando sempre a BR-101, já conheço bem o caminho até a capital gaúcha, sabendo até onde ficam alguns buracos persistentes no asfalto.

 

 

Ronaldo Sant'Anna

Gladiadores fora de arenas

21/02/2022 10h10 | Atualizada em 21/02/2022 13h14 | Por: Ronaldo Sant'Anna
Imagem: Pexels

Já fui muito ligado em futebol, afinal, qual o guri brasileiro, que na década de sessenta, não tinha este esporte como preferência número 1? Bastava aparecer uma bola, que podia ser até feita de uma meia recheada de jornal, para que fossem escolhidos dois times (sendo sempre escolhidos por último os ruins de bola, os “feridas”) e o jogo começasse, somente terminando em duas situações: quando anoitecia e não se enxergava mais a bola, ou a mãe de um dos jogadores gritasse “fulano, já para casa”.

Durante toda a minha juventude, e boa parte da vida adulta, mantive contato com o futebol, seja com a turma que jogava junto uma vez por semana, seja acompanhando o time do coração presencialmente, no estádio, ou a distância, pelo rádio ou tv, quando os jogos eram no interior do estado. Até levei a ligação com o esporte um pouco mais longe, cursando a formação de árbitro, junto à Federação Gaúcha de Futebol, e apitando jogos da segunda divisão gaúcha durante um ano.

Depois, progressivamente, fui perdendo o vínculo com o esporte, em parte por falta de tempo, por causa do trabalho, mas também pelo desencanto com a realidade do futebol no Brasil. Eu sou do tempo em que os jogadores (ou pelo menos boa parte deles) tinham uma ligação meio amadorística com os times, situação que, a partir da hipervalorização dos salários, acabou praticamente desaparecendo. Hoje, meninos de 12, 13 anos, ou até menos, já estão sendo observados por clubes estrangeiros, e eles mesmos usam os clubes como um estágio rumo às grandes equipes mundiais, especialmente as europeias.

 

Ronaldo Sant'Anna

O jornalismo está perdendo o charme?

29/10/2021 11h00 | Atualizada em 29/10/2021 17h30 | Por: Ronaldo Sant'Anna

Desde que eu comecei a pensar sobre o que fazer na vida, fui atraído para o jornalismo. Sempre fui um leitor voraz, lendo tudo o que chegava às minhas mãos. Aos doze anos, escrevi uma redação para um concurso promovido pelo Correio do Povo, um dos maiores jornais do Rio Grande do Sul na época. O tema era um daqueles tradicionais, “as melhores férias da vida”, e, surpreendentemente, venci o concurso. A redação foi publicada no jornal e ainda tenho o recorte comigo. Esta vitória confirmou a minha opção pela comunicação, e acabei fazendo o vestibular na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 1968. Lembro que a minha turma tinha quarenta alunos, o curso de Jornalismo era um dos mais concorridos, só ficava atrás de Medicina, Odontologia e um outro que não lembro agora.

Fui para o mercado, aperfeiçoei a teoria com a prática, continuei estudando, e como consequência natural, acabei indo para a docência. Dei aulas em várias universidades, como a Unisinos, de São Leopoldo, e Unisc, de Santa Cruz, ambas do Rio Grande do Sul, até ingressar na Unisul, onde leciono há 23 anos. Até o final da primeira década do milênio a procura pelo curso de Jornalismo continuava alta. Lembro de ter turmas com até quarenta e cinco alunos, e a cada semestre a procura pelo curso continuava. Porém, nos últimos anos, tenho observado a diminuição constante do interesse pela área, que se reflete no número cada vez menor de alunos inscritos para o curso. Seguidamente me questiono sobre qual seria a causa para essa evasão.

Ronaldo Sant'Anna

A cordialidade do brasileiro

06/10/2021 13h12 | Atualizada em 06/10/2021 16h12 | Por: Ronaldo Sant'Anna

Historicamente a imagem do brasileiro no exterior sempre foi algo estereotipada. Ou somos representados por jogadores de futebol com muito mau gosto para roupas e penteados (sem falar no QI), ou pela beleza das mulheres, normalmente em trajes sumários, imagens inclusive divulgadas por canais institucionais, como as propagandas que divulgam o turismo no Brasil. Além disso, a representação do brasileiro típico sempre destaca, como características principais do nosso povo, o bom humor e, principalmente, a cordialidade. Sérgio Buarque de Holanda foi o primeiro pesquisador a apresentar este conceito, no livro “Raízes do Brasil”, porém a maioria entendeu o conceito de maneira errônea. À primeira vista, parece que o autor afirmou que o brasileiro é gentil, amistoso, porém a leitura mais aprofundada da obra mostra que não foi este o sentido dado por Holanda.

Ronaldo Sant'Anna

A responsabilidade da opinião

23/09/2021 21h33 | Atualizada em 29/09/2021 15h35 | Por: Ronaldo Sant'Anna

A partir de hoje, estou iniciando um novo ciclo, acrescentando ao trabalho que realizo atualmente, como radialista e professor universitário, a atividade de comentarista aqui no Portal SCTODODIA, do Grupo Catarinense de Rádios. É claro que, como profissional da comunicação, a obtenção de um novo espaço sempre é importante, porque oferece algumas oportunidades, como a de atingir um público ainda maior, definir que assunto se vai abordar, sob qual enfoque o tema vai ser discutido, etc.

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