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Terça, 24 de maio de 2022

COLUNISTAS

Ronaldo Sant'Anna

Burro de padeiro e meia-sola

01/03/2022 18h48 | Atualizada em 01/03/2022 21h53 | Por: Ronaldo Sant'Anna
Imagem: Pexels

Até meados do século passado era comum a entrega de pão nas casas dos consumidores, uma espécie de delivery vintage. O repartidor de pão (assim era chamado aquele que fazia este trabalho) utilizava uma pequena carroça, normalmente puxada por um burro, e fazia um trajeto previamente determinado, parando na frente de cada casa que usava o serviço. Depois de um tempo, com a repetição diária, o burro memorizava o caminho, e parava automaticamente na frente de cada casa. O condutor não precisava fazer nada, quando ele saía de uma residência o animal já se movimentava para a próxima, e assim sucessivamente, até o final do caminho. Por isso, a ação de quem fazia sempre a mesma coisa, de maneira automática, era denominado “burro de padeiro”. A expressão é utilizada até hoje, sem que muitos conheçam a sua origem.

A atividade de repartidor de pão não existe mais. A modernidade fez com que muitas profissões deixassem de existir ou fossem condenadas à obsolescência quase que total. Querem outro exemplo? O ofício de sapateiro. Muita gente, principalmente quem é mais jovem, nunca utilizou os serviços desse profissional. O aumento exponencial da produção de sapatos, aliada à globalização, colocou à disposição do mundo todo os estoques chineses de calçados baratos (e de baixa qualidade) que quebraram polos calçadistas de diversos países, como aconteceu no Rio Grande do Sul, por exemplo. Assim, é mais fácil e barato descartar um sapato usado do que tentar recuperá-lo, o que afetou diretamente a profissão de sapateiro.

Quando os calçados eram mais resistentes, mas com o uso a sola começava a furar, a gente levava ao sapateiro para trocá-la. Quem não tinha grana apelava para a meia-sola, isto é, era reposta somente uma parte menor da base, não toda. A meia-sola era um recurso que mostrava que a família que não tinha muitos recursos. Mas estou lembrando disto para falar sobre...estradas. Como eu viajo há muito tempo para Porto Alegre, como um burro de padeiro, utilizando sempre a BR-101, já conheço bem o caminho até a capital gaúcha, sabendo até onde ficam alguns buracos persistentes no asfalto.

 

 

E algumas certezas ficaram nestes anos todos. Primeira: a qualidade das nossas estradas é péssima, do ponto de vista estrutural. Tecnicamente, deixam a desejar, mesmo alguém que é leigo percebe que as camadas que compõem o asfalto são menores do que deveriam, logo após o começo do uso começam a surgir os problemas, como ondulações e buracos. E é aí que entra o processo de meia-sola. Ao invés de fazer nova base, camadas de asfalto são colocadas sobre o piso, formando um tabuleiro de diversas cores e espessuras, que minimizam mas não resolvem os problemas. É uma situação que se perpetua desde a opção do Brasil pelo modal rodoviário, e pela corrupção endêmica do país.

A pergunta que fica é: até quando? Até quando vamos conviver com trágicos acidentes nas estradas federais, estaduais e mesmo municipais, por causa da incompetência dos gestores, que não constroem rodovias de qualidade? Até quando as licitações serão pré-determinadas, direcionando para a empresa que oferece mais propina do que outra? Até quando a fiscalização das obras será realizada de maneira relapsa? São perguntas que devem ser respondidas pelos nossos dirigentes, em todas as esferas, e que nós devemos lembrar na hora do voto.

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