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Domingo, 25 de fevereiro de 2024
Esportes

Conheça a história do torcedor do Criciúma que lançou o documentário “A Retomada”

Carvoeiro fanático, Cleiton Ramos se desafiou a ser o representante da torcida na pandemia

Criciúma, 20/12/2021 15h27 | Atualizada em 20/12/2021 17h04 | Por: Marco Antonio Medeiros | Fonte: Rádio Cidade em Dia
Foto: Divulgação

O ano era 2018, um dia antes do Criciúma entrar em campo pela Série B daquela temporada. Os protocolos estavam sendo cumpridos, e Cleiton Ramos, então presidente da Torcida Guerrilha Jovem, já havia sido revistado com as faixas - que enfeitavam o estádio para a partida - por um policial, quando outro agente de segurança também quis revista-lo. Cleitão, como é carinhosamente chamado, não gostou da forma como foi abordado. “Achei um abuso de autoridade”, disse. 


Criou-se um tumulto, e o presidente da Guerrilha teve de assinar um Termo Circunstanciado de desacato a autoridade. No episódio, ele estava acompanhado dos dois filhos, Christian, na época com 11 anos, e Clayton, com 9. “Pai, eles não gostam de torcedor organizado, eu vi nos olhos dele”, disse o mais velho na volta para casa. Cleiton refletiu e a partir deste momento prometeu aos filhos que aquele seria o último ano como integrante da Guerrilha Jovem.


Até chegar o momento da saída, Cleitão passou quase 20 anos na Torcida Guerrilha Jovem. Tudo começou na adolescência, quando conheceu Lucimar Florentino, o popular Cocal. Naquela época, fim dos anos 90, era mais fácil entrar nos estádios. Cocal, na época presidente da Guerrilha, distribuía carteirinhas para a garotada, e Ramos era um dos que se beneficiavam e conseguia ter acesso aos jogos do Tigre. A partir de então começava uma grande história de amor ao Criciúma Esporte Clube.


Na vida de torcedor, Ramos presenciou acessos, rebaixamentos e títulos. “A paixão cresceu ainda mais com a conquista da Série B de 2002”, disse. “Foi a primeira vez que eu invadi o gramado do Heriberto Hülse para comemorar com os jogadores, foi emocionante”, completa.   


Como torcedor organizado, Ramos já acompanhou o Criciúma em diversos estádios pelo Brasil. “Uma que ficou gravada foi em 2005, decisão do Campeonato Catarinense, viajamos desacreditados, fomos para Ibirama e na subida para a Serra da Imperatriz o ônibus estragou, por isso chegamos atrasados”, relata. “Chegamos cantando ‘uh terror a Guerrilha chegou’, estava calor, o jogo em andamento, clima de final, e quando o Wagner Carioca fez o gol do título, a festa foi grande”, disse. “No apito final, o alambrado caiu, invadimos o campo para comemorar e foi um mar amarelo e preto dentro do gramado. Eu nunca tinha visto uma torcida visitante fazer aquilo, entrou para a história”, relembra.

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Projeto Arquibancada Tricolor


Cleiton Ramos, hoje aos 37 anos, não faz parte de nenhuma torcida organizada, mas ainda respira o dia a dia do Criciúma Esporte Clube. Em 2019 criou um novo projeto, o Arquibancada Tricolor. “Queria fazer uma coisa diferente, montei um estúdio de foto, fiz curso de fotografia no Senac, outra paixão que tenho, comecei a registrar os torcedores nos jogos e entrevistá-los no estúdio através de um programa que era transmitido ao vivo no Facebook”, explica. “Ao todo já são mais de 100 torcedores que contaram sua história e o Arquibancada Tricolor está crescendo, hoje contamos com seis mil seguidores no Instagram”, conta.


A pandemia e o documentário


A chegada da pandemia fez ele mudar os planos. “2020 foi o pior ano da minha vida”, disse. “Quando eu entrei no estádio, no primeiro jogo sem torcida, parecia um velório, era surreal. ‘O que está acontecendo?’, eu me perguntava”, conta com lágrimas nos olhos.


Por isso, ele decidiu montar o projeto de um documentário, inspirado na série “Sunderland até morrer”, da Netflix. Ramos queria registrar a trajetória do Criciúma na Série C de 2020. “Eu precisava representar o torcedor de alguma forma, conversei com o clube, consegui a credencial para ir aos jogos, patrocinadores para bancar as viagens e consegui”, conta. Onde o time ia jogar, Cleiton estava lá, registrando imagens das cidades, dos bastidores do time e dos jogos. 


Com uma campanha irregular, o Criciúma não conseguiu o acesso. Em nove partidas longe de casa, Ramos não presenciou nenhuma vitória. “A viagem mais difícil foi para Tombos, uma cidade longe, inclusive a primeira vez que eu peguei um avião”, confessa. “Foi emocionante porque torcedores fizeram uma vaquinha para eu conseguir viajar, mas muito triste por ver o Criciúma ser derrotado por um adversário com a estrutura muito inferior à nossa, como o Tombense, foi decepcionante a forma que o time jogou”, complementa.


Mas em 2021, o desfecho foi diferente. “No documentário, o clube não tem despesas, eu consigo através de patrocinadores e parceiros”, frisa. O filme conta desde a queda no Campeonato Estadual, a façanha na Copa do Brasil, onde o tricolor foi eliminado nas oitavas de final e a trajetória na terceirona, com o acesso do time a segunda divisão nacional.

 
Promessas


Como todo homem de fé, Ramos fez promessas. Após a última partida do Criciúma, na Série C de 2020, ele atravessou o gramado do Heriberto Hülse de joelhos. “Não foi porque o time não caiu, mas por eu conseguir viajar para todos os jogos e não acontecer nada comigo”, falou. Neste ano, novamente ele pagou a promessa, dessa vez com o desfecho final desejado. O Criciúma subiu para a Série B e Ramos atravessou o gramado do estádio do Paysandu de joelhos. “Eu ia pagar no Estádio Heriberto Hülse, mas eu fui na Nossa Senhora de Nazaré, padroeira de Belém, e prometi para ela que eu ia pagar lá”, revela.

Paixão pela fotografia


Ele trabalhou por 15 anos entregando jornais nas casas dos assinantes. “Eu via os fotógrafos na redação, mexendo nas máquinas, eu sentia aquela emoção”, disse Ramos. “Nos jogos eu reparava nos fotógrafos na beira do campo, o Noturno quando tirava fotos da torcida, e eu sempre pensava que um dia eu também poderia fotografar”, revela.


O futuro


Cleitão é dono da empresa “Cleiton Fotografias”, onde trabalha em batizados, casamentos e festas. No Criciúma, além do Arquibancada Tricolor, dedica seu tempo a trabalhos voluntários, recebendo os turistas que vêm visitar o majestoso e realiza ensaios fotográficos para sócios-torcedores, entre outros. 


Em 2022 o Arquibancada Tricolor vai mudar. “Vai entrar pessoas novas, vou repassar o projeto para alguém e eu vou seguir na fotografia”, afirma. “Tenho a ambição de ser fotógrafo oficial do Criciúma. Vou investir em equipamentos e vou atrás do meu sonho”, revela. “Mas se não der no Criciúma, sem problemas, talvez possa ser em outro clube”, finaliza.

 
O documentário “A Retomada” foi lançado nesta segunda-feira, dia 20, em um evento exclusivo para a imprensa e alguns torcedores convidados. O documentário será lançando em breve para todos os torcedores.

A primeira temporada, "A Trajetória", que conta a história da campanha do Criciúma na Série C de 2020 está disponível no canal Arquibancada Tricolor, no Youtube.

 

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