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Segunda-feira, 18 de outubro de 2021
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Caso Andiara Muniz: 11 anos de uma morte cercada por mistérios

Naturóloga foi encontrada morta dentro do seu carro no Leste da Ilha em Florianópolis. Polícia concluiu inquérito como acidente de trânsito. Até hoje, família acredita em feminicídio

Florianópolis, 08/10/2021 18h00 | Por: Fabricio Correia
Reprodução

Lá se vão onze (11) anos de um verdadeiro mistério. Assim classifica a familia de Andiara Melo Muniz, encontrada morta por volta das 05h30 de 08 de Outubro de 2010, também uma sexta-feira. O corpo da naturóloga foi avistado naquela madrugada dentro do seu carro, um Citroën C3 preto, caído numa vala situada no trecho entre a Barra da Lagoa e o Rio Vermelho, na SC-406 em Florianópolis

Na época, as investigações da Polícia Civil apontaram que Andiara havia sofrido um acidente automobilístico, vindo a óbito em decorrência de afogamento provocado após a colisão. No entanto, pessoas ligadas à vítima, informaram que horas antes, Andiara teria sido vista em meio à uma discussão com um DJ do Rio Grande do Sul, do qual ela havia se relacionado em Florianópolis recentemente. A vítima foi encontrada morta, apenas de calcinha e blusa, no banco da frente do seu carro.

A informação repassada à polícia, foi de que uma perseguição no trânsito pudesse ter ocorrido após o desentendimento. Outra hipótese foi a de que o rapaz pudesse estar no mesmo carro, tendo fugido do local após o acidente. A polícia no entanto, não confirmou nenhuma das versões.

INQUÉRITO FOI REABERTO A PEDIDO DA FAMÍLIA

O caso foi assumido pela 10ª delegacia da Lagoa da Conceição. Depois de ouvir algumas pessoas que tiveram contato com a naturóloga antes do acidente, o delegado responsável, Cléber Tappi Serrano, arquivou o caso, mas a mãe de Andiara, Bernadete Karklin, acreditou que não houve um simples acidente de trânsito e apontou falhas na investigação.

A quebra do sigilo telefônico das pessoas citadas no inquérito foi considerada fundamental para esclarecer o caso. O Poder Judiciário autorizou a quebra do sigilo na época, mas houve uma falta de comunicação e o inquérito foi arquivado sem o rastreamento das ligações.

O inquérito sobre a morte da Jovem, na época com 28 anos de idade, foi reaberto por decisão do Poder Judiciário de Santa Catarina depois que a família, sem estar convencida dos autos, recorreu. Uma das exigências do MP foi repetir a perícia no carro de Andiara.

"O fato de estar um suspeito junto com ela que nunca se apresentou à família para dizer o que houve aquela noite. O fato de um afogamento que não consta água nos pulmões. O fato de uma testemunha importante que viu e passou antes da unidade os bombeiros próxima ao local, que viu minha filha morta na frente do carro e o carro não estava capotado. Essa testemunha não foi ouvida", disse a mãe semanas após a morte da filha.

Em seu depoimento, Bernadete relatou: "Ela foi assassinada, não consideramos este DJ como namorado dela. Ela havia conhecido esta pessoa 15 dias antes do episódio. Era apenas um conhecido dela. Não se procura culpados, se procura a verdade. Se houver alguém que tenha que pagar por isso, que pague", disse.

A mãe de Andiara afirmou também, que a prova material do crime, uma fita com as imagens do suspeito, visto enquanto discutia com a filha num posto gasolina na Lagoa da Conceição, teria sido entregue pela gerente ao delegado. No entanto, este material não foi, segundo ela, incluído no inquérito policial.

“Este DJ ligou para minha filha várias vezes naquela noite. No celular dela ficaram registrados telefonemas a partir das 21h. Se ele tinha boas intenções de namorar Andiara, porque ele não foi ao velório?”, questionou a mãe.

O pai de Andiara, o músico Marcelo Muniz, fundador do Grupo Engenho, faleceu 8 anos depois em decorrência de uma pneumonia, aos 60 anos de idade. Por inúmeras vezes, Marcelo afirmou que o DJ era o principal suspeito da morte da filha e, na época, quando a polícia tentou localizá-lo, encontrou a casa dele vazia, dando a impressão de que teria viajado. “Meu pressentimento é que o agressor simulou um acidente”. Disse na ocasião.

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TESTEMUNHA TERIA PRESENCIADO ESPANCAMENTO

Marcelo Muniz acrescentou que testemunhas viram um homem alto e com porte físico avantajado, no momento em que espancava uma mulher loira num posto de combustíveis da Lagoa, e depois a colocou num carro preto. Na cabeça de Andiara, segundos os pais, havia um hematoma. “O ferimento chamou atenção de uma médica, conhecida nossa, que foi ao velório e disse que o machucado parecia ter sido provocado por espancamento, e não por impacto em decorrência de um acidente automobilístico”, disse Marcelo.

Já Bernadete, lembrou que na naquela noite a filha estava no bar Santa Hora, no bairro Santa Mônica, nas proximidades da Secretaria Municipal de Saúde, onde ela trabalhava. “Andiara cantou duas músicas e depois foi com uma amiga, para a Barra da Lagoa, se encontrar a pessoa com a pessoa que estava ligando para ela desde as 21h. Foi uma viagem sem volta, dali, não retornou mais. O que nos resta até hoje é saudade e sensação de impunidade, ou mesmo a certeza." finalizou.

PREFEITURA DA CAPITAL HOMENAGEOU ANDIARA

Em Novembro de 2012, pouco mais de dois anos após sua morte, foi realizada uma solenidade em homenagem a servidora da secretaria municipal de saúde, Andiara Melo Muniz  (19/01/1982 a 8/10/2010), a qual deu nome ao centro de saúde de Coqueiros.

Em março daquele ano, quando da inauguração da Unidade, lideranças da região continental da cidade, reivindicaram que a unidade pudesse receber o nome da servidora devido à sua luta incansável por meio de ações sociais para as comunidades mais carentes.

A causa foi então abraçada pelo Vereador Norberto Stroisch Filho, líder de governo na câmara durante a gestão do prefeito Dario Berger. Stroisch, que também já é falecido, levou o projeto para a Câmara, no qual foi  aprovado por unanimidade.

Andiara era  graduada em Naturologia Aplicada e especialista na área de Geriatria. Ingressou na PMF em 2005, lotada na Secretaria Municipal de Assistência Social, como coordenadora do Projeto Florir Floripa, vindo em 2009, à integrar o quadro de funcionários da Secretaria de Saúde do município.

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