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Sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024
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Comércio ambulante em Tubarão: ameaça aos lojistas ou necessidade das famílias?

Considerado uma ameaça aos lojistas, a realidade do comércio ambulante, na prática, se mostra diferente. Em Tubarão, a maioria dos vendedores são de fora, em especial do Nordeste, e relatam como é o dia a dia de trabalho.

Tubarão , 05/11/2021 16h09 | Por: Lara Silva | Fonte: Rádio Cidade Tubarão
Imagem: Lara Silva/Rádio Cidade Tubarão

Obrigados a ter registro e cadastro na prefeitura, os vendedores ambulantes estão em muitas ruas de Tubarão. Vendendo meias, toalhas de louça, brinquedos e outros itens, a regra é que eles não permaneçam em locais fixos, mas como o nome já diz, fiquem andando pela cidade. De acordo com Rafael Silvério, presidente da CDL de Tubarão, a maioria dos vendedores ambulantes que, hoje, trabalham no município, estão regularizados. “Não somos contra, mas queremos que eles cumpram a legislação. Muitos acabam competindo com alguns lojistas, pois vendem os mesmos produtos e, muitas vezes, na frente da própria loja”, admite. A secretaria de Urbanismo de Tubarão é a responsável pela fiscalização desses trabalhadores.

Os ambulantes vendem produtos sem nota fiscal, ou seja, não pagam impostos. Para o presidente da CDL, isso torna a concorrência desigual com os lojistas. Quanto à fiscalização, ele lamenta que, hoje, os ambulantes não precisam mais estar com o alvará em mãos. “O fiscal perdeu o poder de fiscalização, porque não pode mais exigir. Isso atrapalha, pois muitos talvez não tenham o alvará. O que os fiscais podem fazer é pedir para não ficar fixo em um local”, lamenta.

Da teoria à prática: como é o trabalho dos vendedores

Apesar de muitos lojistas enxergarem o comércio ambulante como uma ameaça, Luzia Torres de Medeiros, natural de Patos, na Paraíba, conta que tem dias que ela e o esposo não vendem nada. Hoje, a renda vem exclusivamente do que faturam nas ruas de Tubarão. “Eu não tenho carnê em lojas, não posso fazer uma prestação. Meus compromissos, daqui, são com comida e remédios, porque o resto não dá. Chega uma época que a gente fatura um pouco melhor, mas, mesmo assim, eu preciso comprar os produtos que eu vendo. Há dez anos, a situação era outra”, relembra.

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Em Tubarão há 11 anos, José Rafael da Silva sempre trabalhou com comércio e hoje divide espaço com outros ambulantes. Segundo ele, muitos lojistas implicam com as vendas. “Nosso trabalho é para estar circulando. Quando a fiscalização vem e a gente está parado, precisamos atender. Tem lojista que não quer. Uma vez, um falou pra mim que se eu vender R$10, ele deixa de vender R$10. Gente rica, tá!? Mas são alguns, porque outros até ajudam”, comenta.

Também da Paraíba, Marinalva Ramos, começou no comércio ambulante para ajudar na renda da família. “Eu tenho problemas de saúde, não posso trabalhar no pesado. Também não tenho alfabetização, então aqui é mais fácil para eu me virar. Já fomos muito perseguidos, mas eu acho que não somos um risco aos lojistas. Nosso público não é o mesmo que o deles. Hoje, nossa movimentação é bem devagar. Estou por aqui porque não tem outra coisa mesmo, mas quem diz que o lucro é grande, está mentindo. Tem vezes que eu fico aqui o dia inteiro e ganho R$ 30”, afirma.

Sem nunca ter frequentado a escola, José Reginaldo precisou ir trabalhar como ambulante desde mais novo, quando o pai saiu de casa e ele precisou contribuir com a mãe e os irmãos. “Trabalhamos certinho, mas sempre tem gente pra reclamar. Nós moramos em Tubarão, paga água, luz, alguns aluguel, consumimos no comércio local. Todo mundo precisa, né, mas muitos não veem isso, principalmente os que já são ricos”, acrescenta. Para os quatro vendedores, depois da pandemia, a movimentação das vendas caiu. A expectativa é que, com a temporada, haja mais procura.

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