Sexta-feira, 12 de julho de 2024
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O que acontece no cérebro quando navegamos no celular? Conheça três dicas para evitar o vício

Estudos de universidades internacionais compilados pela Agência Globo mostram que o uso abusivo do aparelho celular pode ser tão viciante quanto álcool e drogas

Brasil , 18/05/2024 13h08 | Por: Joca Baggio
Foto: Imagem ilustrativa/SCTodoDia

O hábito de deslizar o dedo pela tela faz parte do dia a dia de muitos, ora por alguns segundos, ora por horas. Mas o que acontece no nível neural quando se rola a tela de um aparelho celular? Por que é tão viciante? E como podemos evitar que isso se torne um problema?

Éilish Duke, professora sênior de psicologia na Leeds Beckett University, diz que a primeira coisa a entender é que o impulso de pegar o telefone e ligar a tela, que aciona a rolagem, é automático. “Em uma pesquisa que fizemos há alguns anos, descobrimos que os participantes pensavam que verificavam seus telefones a cada 18 minutos, mas quando usamos gravações de tela, percebemos que, na verdade, eles o verificavam com muito mais frequência.”

Segundo a especialista, a partir do primeiro clique que liga a tela, certas funções do cérebro e o design sofisticado dos aplicativos do celular entram em perfeita harmonia. Já a professora Ariane Ling, do Departamento de Psiquiatria da NYU Langone, o hábito como a rolagem é explicado pela forma como o ser humano é naturalmente, mas é agravado por fatores ambientais.

Ling explica que o ser humano está predisposto a querer saber o que está acontecendo. “É por isso que lemos as notícias ou, por exemplo, paramos para olhar quando há um acidente na estrada. É algo que faz parte do desenvolvimento evolutivo que nos permitiu sobreviver. E nosso celular foi projetado para nos alimentar continuamente com informações que nos interessam. É um casamento perfeito.”

A busca constante pelo prazer

Os cérebros procuram naturalmente ser recompensados. Existem certos centros neurais que reagem ao prazer – sexo, drogas, ganhar dinheiro num casino – e procuram repeti-lo continuamente. “Eles procuram aquela novidade, aquela próxima dose de prazer, seja lá o que for que possamos realmente desfrutar”, explica a professora Duke. Isso é conhecido como sistema ou circuito de recompensa do cérebro e é exatamente o mesmo mecanismo pelo qual uma pessoa se torna viciada em uma substância como o álcool. “Para muitos de nós, essa novidade vem na forma do nosso telefone.”

Ela destaca que o fato das redes sociais terem sempre “novidades agradáveis” a oferecer, uma foto, um vídeo, um tweet, uma mensagem. Mas segundo o especialista, há outra parte do cérebro que luta contra esses impulsos de busca de prazer e recompensa imediata: o córtex pré-frontal. É a região do cérebro responsável por tomar decisões menos impulsivas e mais equilibradas, o que faz, por exemplo, parar de rolar a tela, levantar do sofá e decidir arrumar a casa ou fazer exercícios. Essas duas funções cerebrais, porém, nem sempre estão perfeitamente equilibradas.

A especialista diz que o que acontece com muitos é que “a parte lógica do cérebro, que controla os impulsos, não faz a sua parte, ou pelo menos não tão bem quanto poderia. “Fica sobrecarregada pela busca do prazer”, explica Duke. E nos jovens, mais ainda. “O que vemos nos adolescentes é que o circuito de recompensa está em alerta máximo, pronto para funcionar o tempo todo. Mas o córtex pré-frontal só termina o seu desenvolvimento aos 23 ou 24 anos, por isso não consegue controlar realmente certos impulsos, como usar o telefone”, pontua Éilish Duke.

Distorção do tempo

O que acontece quando se rola a tela, segundo a professora Duke, é que se entra em um estado de fluxo. “Eles absorvem toda a sua atenção e se entra em uma fase de túnel do tempo em que não percebe que duas horas se passaram e se está sentado com a mão dormente e se perdeu todo esse tempo assistindo a vídeos de cães”, acrescenta Duke.

Ariane Ling explica como o cérebro começa a recorrer excessivamente ao hábito de rolar com uma metáfora. “Se você pensar em um caminho que já foi percorrido muitas vezes, esse caminho fica muito mais claro e continuamos caminhando por ele. É mais fácil. E se você rola constantemente, essa se torna a experiência padrão. E aí fica muito difícil focar sua atenção e seu tempo em outra coisa”, acrescenta.

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Como evitar a navegação compulsiva:

Ficar algum tempo longe da tela

“Ter certos rituais que separam você do celular é sempre muito útil”, diz a professora Ling. Segundo ela, muitas pesquisas têm sido feitas sobre como um exercício tão simples como caminhar sem o celular pode ter um grande impacto.

“Sempre que você pode desligar o telefone e fazer uma pausa, seja para uma caminhada ou para a academia, é ótimo fazer isso”, concorda o professor Duke.

E não é só porque impede a pessoa de usar o telefone nesse período, mas também porque a ajuda a prestar atenção ao que está ao seu redor, exercitar outras funções cerebrais e ter consciência de como se sente ao deixar o telefone para trás.

Criar o hábito de não permitir o celular na mesa quando estiver com a família ou amigos também é o ideal, pois assim não depende apenas da pessoa, mas outra pessoa vai te lembrar que não é hora de usar o celular telefone. E ter um reforço visual dessa regra, como uma cesta para colocar o celular antes de comer, pode torná-la ainda mais eficaz.

Em geral, qualquer esforço consciente para separar o tempo do celular da rotina pode ajudár a evitar a rolagem padrão e estúpida. “Se for possível reservar períodos de tempo sem usar o telefone e se concentrar em uma tarefa ou apenas estar presente com os amigos, é uma boa ideia fazer isso também”, aconselha Duke. “Outra sugestão é colocar meu telefone em preto e branco, o que torna menos atraente olhar para a tela”, diz a professora Ling.

Interagir com o mundo físico

Fazer pequenas mudanças na rotina para realizar tarefas feitas no celular sem usá-lo também pode ajudar numa relação mais saudável com a rolagem. “Em um dos estudos que fizemos há alguns anos, vimos uma grande diferença entre as pessoas que usavam relógios normais e aquelas que usavam o celular para verificar as horas”, diz Éilish Duke.

Ela conta que sem querer, as pessoas que usavam seus celulares para verificar a hora ficavam presas na rolagem. Além disso, por exemplo, “se você consegue ler tudo o que está lendo sem estar online, isso é maravilhoso”, acrescenta. Ela encoraja também as pessoas a serem curiosas e procurarem truques para reduzir o tempo de uso do celular e passarem mais tempo no mundo tridimensional. “ Somos táteis, queremos interagir com as coisas do mundo real.”

 

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