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Segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024
Social

Morador de rua é contratado para serviço de Natal, em Tubarão

Quem passa pelo calçadão de Tubarão, pode conhecer André Guerra, que está desenvolvendo um trabalho para o Natal. Atualmente morando embaixo do viaduto, ele relata o preconceito e a desigualdade com a população negra e de rua.

Tubarão, 20/11/2021 11h27 | Atualizada em 23/11/2021 07h17 | Por: Lara Silva | Fonte: Rádio Cidade Tubarão
Foto: Arquivo Pessoal

preconceito começa quando, pela cor de pele, alguém é impedido de fazer alguma coisa. É o caso de André Luiz Guerra, de 39 anos, que está em Tubarão há poucas semanas. Ele foi contratado para trabalhar no calçadão da cidade lixando e pintando os bancos para o Natal. Ao tentar entrar em um hotel para pegar os materiais de trabalho deixados por quem fez a contratação, foi barrado pelas roupas e aparência. Natural de Ilhéus, na Bahia, atualmente ele está morando nas ruas. “As vezes, eu enfrento o preconceito e a discriminação, mas não ligo pra isso. Não devolvo com grosseria ou falta de educação, porque é isso que eles querem, que o negro seja mal educado, desinformado e burro. Mas não, se a pessoa foi ruim comigo, eu devolvo com bondade”, afirma.

Quando passou por Araranguá, André lembra que foi tomar café e um homem sugeriu que ele chegasse limpando as bitucas de cigarro, para ganhar o alimento. “Eu quieto, né, só observado. Entrei, mas fiquei tão constrangido que nem comi”, admite. O que mais fez André andar pelo mundo foi a perda do pai, com apenas dez anos. Hoje, sua referência é a mãe, que ficou na cidade natal. “A minha referencia não me permite roubar ou pedir. Eu só peco por necessidade mesmo, pra comer. Antigamente, quando eu entrei no trecho, chorava para pedir, porque é muito humilhante”, lamenta.

 

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Segundo ele, quando foi na Assistência Social do município pedir aluguel social, teve o direito negado. “Ela falou que eu não me enquadrava no perfil. Mas qual o perfil para receber o aluguel social? Às vezes, outro pega a vez e ainda fuma crack. Não estou julgando, ele fuma porque tem algum motivo. Mas eu trabalho, posso servir de base para outros seguirem um caminho de objetivos”, destaca.

O maior sonho do artista, que já fez diversas pinturas, é formar uma família e rever o filho, que também está na Bahia. Antes de chegar em Tubarão, André estava na Serra Gaúcha. Lá, ele lembra que a situação é bem desigual e o morador de rua é tratado com bastante indiferença, em especial quando é negro. Hoje, ele está sem aparelho celular, mas seu trabalho pode ser conhecido através do Instagram @andre.guerra.509.

 

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