Sexta-feira, 24 de maio de 2024
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Brasil precisa retomar pesquisa em IA com urgência, cientistas dizem que há atrasos

Relatório da Academia Brasileira de Ciências sugere criação de agência com orçamento anual de R$ 1 bilhão para país ser competitivo na área

Santa Catarina-SC , 09/11/2023 11h11 | Por: Redação | Fonte: O Globo
Foto meramente ilustrativa/Freepik/SCTodoDia

Um painel composto por 16 renomados cientistas, selecionados pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), divulgou hoje um relatório repleto de diretrizes voltadas para o campo da inteligência artificial (IA). De acordo com esses especialistas, o atraso do Brasil nesse setor é motivo de grande preocupação, uma vez que observam uma significativa fuga de talentos. Caso o país não adote uma política de estado sólida, corre o risco de se aprofundar ainda mais na desigualdade tecnológica global.

O documento, intitulado "Orientações para o Progresso da Inteligência Artificial no Brasil," é um resumo conciso de 24 páginas que está sendo lançado hoje durante um evento realizado na sede da ABC, no Rio de Janeiro. O evento conta com a presença dos especialistas envolvidos na sua elaboração, sendo liderado pelo renomado cientista da computação, Virgílio Almeida, professor na UFMG.

Os cientista avaliam que o Brasil tem condições de se inserir em um grupo seleto de 15 países que estão impulsionando a IA no mundo, mas afirma que isso não vai acontecer sem vontade política para tal.

"Embora o país tenha cientistas mundialmente renomados em diversas áreas, inclusive em IA, falta a massa crítica necessária para impulsionar avanços tecnológicos significativos", escrevem os pesquisadores.

O comitê de cientistas aponta que o atraso é ainda maior na área de inovação do que na de pesquisa pura, o que pode comprometer a competitividade da economia brasileira no futuro.

"O Brasil não pode correr o risco de ser apenas um usuário de soluções IA concebidas no exterior", escrevem. "A dependência de outros países e de grandes empresas nesta área pode prejudicar a segurança e a soberania nacional, além da competitividade das empresas nacionais no país e no exterior."

O relatório reconhece que existe algum esforço de concertação para compensar o atraso, mas que ele está muito circunscrito a São Paulo, e não há ainda proposta clara de política nacional para o setor.

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"Uma possibilidade seria explorar a criação de programas ou de uma agência nos moldes da Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), focada no desenvolvimento e adoção de IA", dizem os cientistas da ABC. "O orçamento dessa agência deve ser compatível com os investimentos de outros países com protagonismo tecnológico — algo em torno de R$ 1 bilhão por ano pelos próximos cinco anos."

Essa medida, dizem, precisa vir acompanhada de programas de estímulo à formação de mão de obra em ciência da computação com pós-graduação em IA e de um esforço de introdução da IA de pesquisa em outras áreas. A inteligência artificial está se tornando uma área interdisciplinar, dizem, e há amplo potencial de aplicação nas áreas de saúde, agricultura, energia, finanças, ambiente, educação e pesquisa, além de melhorias na computação em si.

Regulação
O relatório da ABC também expressa preocupação com a demora do país em criar uma regulação para o setor, com um projeto lei sobre o tema demorando a tramitar no Senado.

"Apesar de potenciais benefícios e oportunidades, há evidências concretas de que as tecnologias de IA podem trazer danos para indivíduos, grupos, sociedades e para o planeta", diz o documento. "Entre as preocupações, estão violações de privacidade, criação de ambientes anticompetitivos, manipulação de comportamentos e ocorrência de desastres ambientais."

Para Virgílio Almeida, o tema na área tem de ser encarado como uma urgência "para que o Brasil não seja um país que apenas consome a IA" fornecida por outros países.

— É preciso começar logo, porque esse desenvolvimento voa e outros lugares estão investindo, acelerando e criando políticas sobre o tema — disse em comunicado — O Brasil, por seu tamanho e importância, não pode ficar atrás. Do contrário, aumentará a distância entre o desenvolvimento econômico aqui e o do mundo desenvolvido.

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