Segunda-feira, 24 de junho de 2024

COLUNISTAS

Luiz Gustavo Kabelo

Precisamos de mais céticos 

29/05/2024 09h18 | Por: Luiz Gustavo Kabelo

Erroneamente associado ao ateísmo pelo senso comum, o ceticismo se faz uma filosofia necessária na era das redes sociais e da desinformação desenfreada. 
Vamos começar desmentindo: cético não é, necessariamente, um ateu, muito menos alguém que não acredita em nada. O ceticismo é um método que nasceu junto com a filosofia grega e o cético é alguém “desconfiado”, que busca a lógica sem um viés, ponto que explicarei melhor ao longo do texto. 

Não necessariamente o cético será um ser totalmente devoto à ciência, já que compreende que pesquisas também podem ser financiadas por grandes empresas. Veja bem: o cético não necessariamente é contra a ciência, mas entende que no período em que vivemos, muitas vezes as pesquisas têm fins lucrativos e que o modo científico pode ser “burlado” para fins maléficos.

A exemplo, no século passado víamos atletas fazendo propaganda para cigarros, usando de estudos científicos para apresentar os benefícios do tabaco. 

No meio acadêmico, é fato que sempre precisamos encontrar fontes seguras, pois, mesmo em um artigo científico, temos que nos preocupar com os financiadores dele. Já que em uma economia de mercado, não necessariamente o valor está no desenvolvimento da sociedade em si, mas sim no lucro e no acúmulo de riquezas que aquele mecanismo pode se fazer valer. 

Logo, um antivacina pode perceber esse meu discurso como um argumento para sua teoria da conspiração – contra as vacinas, no caso. Além de estar agindo de má fé, não entenderá o ceticismo e justificará meu argumento de que nossa sociedade precisa de mais céticos.  

O cético entende e separa materiais, não busca justificar opiniões -ou paixões- com fatos isolados, como nosso amigo antivacina que vive em uma realidade paralela, a qual ele tenta justificar suas opiniões a cada momento, com qualquer fração de material.  O cético saberá separar o que é tangível do não tangível ou separar suas paixões do material tangível. 

Assim, quando o cético tem uma crença, -essa irracional ou não- ele não tentará justificá-la com acontecimentos isolados e separados, porque o cético coloca lógica no “não lógico”. O cético acaba se tornando um agente de controle de qualidade. Alguns o chamam de chato.

Dada essa introdução longa, venho trazer a contribuição do ceticismo para o período conturbado em que vivemos. 

A polarização em que vivemos hoje no Brasil e em outras partes do planeta surge por intermédio de uma paixão, paixão esta que se desenvolveu e se desenvolve constantemente na internet. Internautas apaixonados, procurando materiais para reforças suas crenças e odiando aqueles que não as afirmam. 

Recentemente, um colega me mandou uma fakenews de um político específico e quando notifiquei que se tratava de uma notícia falsa, a resposta que eu tive foi “mas poderia ser verdade.” Esse ocorrido me fez pensar por semanas... Note que, com isso, fatos ou lógica não se fazem mais necessários, já que o que se faz necessário são matérias para fomentar uma paixão. 

Não se tratava do que o político tinha feito ou não, mas se trata daquele meu colega ter suas crenças reforçadas por aquela notícia, se tratava de toda uma massa que, ao receber aquele material, teve suas paixões e seu ódio justificados. 

Acho que eu estou começando a me fazer entender, certo? Do porquê acho o ceticismo tão importante no período que vivemos. Tudo bem sermos apaixonados quando se trata de torcer para um time de futebol, quando se trata de uma relação romântica, nisso vale toda essa paixão. Porém, no que gira em torno da política e de órgãos políticos, necessitamos de senso crítico, precisamos da antiga filosofia grega: do ceticismo. 

Somos bombardeados dia e noite por todo tipo de conteúdo nas redes, precisamos de algum tipo de métrica, um método, para receber todo esse conteúdo. Porém, esse engajamento que a polarização traz se faz benéfico para alguns, pois elege candidatos, cria grandes influenciadores que depois vendem cursos e livros. 
Então, se entende por que de fato existe todo um mecanismo para atacar e descredibilizar meios de comunicação sérios. 

Uma classe que acaba sofrendo com esse fanatismo são os jornalistas, pois o jornalista sério busca averiguar e apurar as informações. Quando chega uma informação e essa checagem não agrada os fanáticos, como aconteceu no caso do meu colega, e por estarmos lidando com apaixonados, esse jornalista é atacado, sua reputação é colocada em jogo simplesmente por estar fazendo seu trabalho. 

Quem tende a ganhar com essa polarização busca tentar afastar seu público dos meios de comunicação sérios. Acredito que uma das profissões que mais necessita ser cética -e por isso sofre tanto- é o jornalismo sério.

Sabendo disso, muitos apelam para meios um tanto questionáveis para se tornarem jornalistas, com o objetivo de aparentar ter alguma credibilidade. 
Sempre busco agregar na vida dos meus leitores, eis aqui algo que estou buscando praticar, o ceticismo.

O que você leu aqui é uma fração de uma grande filosofia e este material é uma síntese, e em como toda síntese, é natural haja perdas. Uma teoria complexa não pode ser fragmentada em tão poucas palavras, então se você gostou do assunto, busque se aprofundar mais. 

Para os que desejam me contatar ou saber mais sobre meu trabalho, acesse o link:

 

 

Luiz Gustavo Kabelo

Além do Eu

Luiz Gustavo Pereira é compositor e escritor com dezenas de trabalhos lançados por bandas e sua produtora. É acadêmico de Psicologia e foi um dos fundadores da Liga Acadêmica de Saúde e Espiritualidade (Lasesp) e é membro da Liga Acadêmica de Psicanálise (Lepsic).

Opiniões do colunista não representam necessariamente o portal SCTODODIA.com.br

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