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Quarta-feira, 08 de dezembro de 2021

COLUNISTAS

Bárbara Dias

Por que a série You é tão problemática?

29/10/2021 11h00 | Atualizada em 29/10/2021 17h31 | Por: Bárbara Dias
Foto: Netflix/Divulgação

Antes de você começar a ler, aviso que não tem um pedaço deste texto que não tenha spoiler. Vamos lá:

 

A terceira temporada

Com menos matanças, a terceira temporada de uma das queridinhas da Netflix tem um tom diferente das duas anteriores, confesso que me surpreendi. Faço parte daquele grupo que não torce para Joe Goldberg. Desde os primeiros episódios lá em 2018 eu já esperava fervorosamente para que a casa dele caísse a qualquer momento, mas isso nunca acontece. Apesar de extremamente revoltante, é inegável que "You" tem reviravoltas completamente inesperadas, como no final da segunda temporada, no qual Love Quinn mata Candace e Delilah para proteger Joe, e também revela que está grávida. Após os acontecimentos, o casal e "pais do ano" se mudam para um subúrbio da Califórnia, nas palavras do protagonista: “Eu, um menino, e a mãe dele, que geralmente é ótima, mas às vezes mata com as próprias mãos. O que poderia dar errado?”. 

Como sempre, Joe começa a temporada dizendo que está disposto a mudar e ser uma pessoa melhor, mas desta vez pelo filho. Nesta nova fase vemos mais de Love, percebemos o quanto ela pode ser impulsiva e passional. Logo no primeiro episódio a personagem já faz mais uma vítima. Também descobrimos que ela matou seu ex-marido, que disse ter morrido de câncer. Apesar de ser capaz de coisas horríveis, ela fica horrorizada ao descobrir mais peculiaridades dos crimes do marido. Ele também é impulsivo, pois já o vimos perder o controle outras vezes, mas Joe é muito mais frio e calculista que Love, sendo capaz de pensar em detalhes mais “práticos”, por exemplo, de como encobrir a lista de crimes de ambos. Vemos Goldberg, em uma luta interna para ser uma boa pessoa, mas sempre com um instinto obsessivo de proteger o amado da maneira errada. Com fins, meios e justificativas mais do que distorcidas, ele deixa se levar pelo seu lado ruim com bastante facilidade e pouca resistência, não conseguindo se livrar dos velhos hábitos. 

 

O personagem

Para aqueles que costumam torcer para o Joe, gosto de lembrar da vez em que ele enterrou sua ex-namorada ainda viva. Ou daquela vez em que esquartejou e moeu pedaços de uma pessoa na mesa do café em que trabalhava. Das inúmeras vezes que perseguia e vigiava a obsessão da vez, ou invadia a casa e pegava peças íntimas como souvenir. Quando perseguiu, sequestrou, agrediu, manteve em cárcere privado e matou pessoas inocentes, (algumas insuportáveis, mas inocentes), com a justificativa de proteger as suas amadas, ou até mesmo para não ser descoberto.

Um dos outros absurdos que me fazem não entender os fãs de Joe, é a forma como ele demoniza o comportamento de alguém que é o seu espelho: Love. O protagonista tem pensamento fixo de que ele só ficaria junto de alguém, se essa pessoa fosse boa, se merecesse seu amor. Alguém por quem ele seria capaz de mudar e ser um homem bom e digno, mas ao mesmo tempo, ele escolhe matar, justificando amor e proteção. Quando ele vê a verdadeira face de sua esposa, na transição do final da segunda temporada para a terceira, Joe crucifica o comportamento dela, que apesar de ter diferenças, é essencialmente o mesmo que o dele.

 

Humanizar Joe é erro ou acerto?

Alguns avaliam que a série peca ao humanizar Joe, outros dizem que o sucesso da produção está exatamente aí. Acredito que a intenção dos criadores é realmente essa, causar alguma emoção em quem assiste, seja de aversão ao personagem e seus atos, ou de afeição. A problematização não está na série em si, mas na capacidade do público de normalizar comportamentos como os dele. Sob a minha perspectiva, Joe é uma potencialização propositalmente escrachada daquela pessoa tóxica que quase todos já conheceram, lobo em pele de cordeiro. Manipuladora, sabe? Aquela que te afasta das pessoas que fazem você enxergar o quão a relação te faz mal e é até abusiva, como ele faz muitas vezes nas temporadas anteriores. Só que no caso, ele afasta, mas é para sete palmos abaixo do chão. Podemos interpretar como um alerta. É óbvio que isso é ficção, mas se aceitamos um personagem que mata friamente e comete outras barbáries e até torcemos por ele. Será que na vida real, onde os comportamentos costumam ser menos extremos, aceitaríamos pessoas manipuladoras e perigosas como nosso odiado/amado protagonista? Cuidado com as amostras de Joe que te rodeiam.

 

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