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Segunda-feira, 23 de maio de 2022

COLUNISTAS

Ronaldo Sant'Anna

Revolução democrática? Uma ova!

25/04/2022 10h26 | Atualizada em 25/04/2022 13h28 | Por: Ronaldo Sant'Anna
Imagem: Pexels

No final de 1968 fui aprovado no vestibular do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grandes do Sul (UFRGS), para iniciar os estudos no início de 1969. A data diz alguma coisa para você, caro leitor, além de informações sobre a minha idade? Se não lembra, deixe que eu refresque a sua memória.

Em 13 de dezembro de 1968 o governo militar, instituído pelo movimento de 31 de março de 1964 (iniciado na realidade em 1º de abril, algo que os defensores do golpe não assumem), decretou o Ato Institucional Número 5, o qual terminou com direitos fundamentais do cidadão, como o do habeas corpus, suspendeu o Congresso, permitiu que as polícias militar e civil prendessem sem ordem judicial, ou seja, as liberdades civis foram totalmente suprimidas.

Esta data marcou o início do pior período em relação a ações repressivas, as quais atingiram o auge nos primeiros anos da década de 1970. Enquanto o país vibrava com o tricampeonato mundial de futebol conquistado no México, os organismos da repressão política, como o temido Doi-Codi (Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna) órgão de inteligência subordinado ao exército, ou os Dops (Departamento da Ordem Política e Social), espalhados pelos estados brasileiros, prendiam, torturavam e matavam, sem que isso pudesse ser noticiado, pois o governo censurava as informações, o que impedia que o grande público soubesse desses crimes.

 

É inacreditável que alguém ainda defenda a volta da ditadura militar, pois esses fatos já foram amplamente comprovados, com farta documentação. Porém, o mais difícil de aceitar são as manifestações de autoridades, como a do próprio presidente da República, que tem como ídolo um notório torturador, o coronel Brilhante Ustra, ou a fala do presidente do Supremo Tribunal Militar, após a divulgação de áudios do STM gravados à época, nos quais membros do tribunal confirmam a realização de torturas pelos órgãos de segurança, afirmando que esta revelação “não estragou a Páscoa de ninguém”, um escárnio em relação aos torturados e às famílias dos mortos.

Por tudo isto, a afirmação do presidente do STM de que golpe teria sido uma “revolução democrática” deve ser colocada na perspectiva correta, ou seja, trata-se de uma mentira deslavada, utilizada para tentar justificar o que foi (e é) injustificável.

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