Sexta-feira, 12 de abril de 2024

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Luiz Gustavo Kabelo

Nômades do mercado de trabalho

29/02/2024 17h30 | Por: Luiz Gustavo Kabelo

Cada vez mais o que nos individualiza se torna evidente, o que nos separa de direitos conquistados através de muito suor. Os jovens são os que mais sofrem – e ainda vão sofrer - com essas tendências de “mercado”.  
A precarização do trabalho é vista ano após ano no mundo afora, mas no Brasil ela se intensifica. Como uma espécie de cobaia, nós servimos como um experimento para as grandes potências. 

Na década de 60, nossa CLT adicionou o 13° salário e o FGTS, e acredite meu leitor, estes direitos não surgiram como um fetiche, não surgiram de um devaneio, mas sim de exigências e necessidades, pois a precarização do trabalho levou a isso. Surgiram, também, para dar mais dignidade à vida humana que está ali trabalhando e buscando o pão de cada dia, e não apenas isso, mas também garantindo que seus filhos e filhas tenham pais minimamente presentes, pais que não precisam terceirizar a educação e que consigam estar ao lado de quem tanto amam. 

A desvalorização desses e outros direitos se intensificou a partir de 2017 com o governo Temer, pois não só se normalizou o trabalhado autônomo, como também, aumentou o caso dos empregadores que se excediam precarizando o trabalho. Se incentivou e se incentiva uma tendência adaptativa, uma liquidez como diria Bauman no mercado de trabalho. Se os salários estão baixos em uma carreira: mude de carreira! Se você se sente desvalorizado em uma empresa: mude de empresa ou vire autônomo. 

Logo, não se faz necessário se solidificar em uma carreira e buscar mais qualidade de vida em uma profissão, porque esses seres adaptados – e pouco aprofundados em nenhuma área – vagam como nômades de um lado para o outro, sem senso critico algum, apenas buscando cursos rápidos e genéricos, livros curtos que não desenvolvem um raciocínio, defasando cada vez mais o desenvolvimento dos indivíduos. 

Tudo se torna prático, pouco ou nada subjetivo, se desvaloriza o que leva tempo: um filme relativamente grande se torna tedioso, ainda mais se não houver uma utilidade clara... se valoriza o resumo e não a vivência em si. 

Esse recorte da pós-modernidade está simplificando tudo. Até mesmo na psicologia vemos um retrato desta época, com abordagens simples para sujeitos simples, centradas no comportamento, usando frases de efeito e receitas de bolo. E, é claro, por meio dos terapeutas (sem formação em psicologia), vemos os coachs tomando conta dessa área apenas para vender cursos e formações rápidas.

Assim, se frustra o acadêmico de psicologia, que precisa de anos de formação e se potencializa a migração do estudante para métodos mais rápidos, o quais muitos são pouco ou nada efetivos.

 Isso é apenas um recorte de todos os danos causados pelas tendências modernas que sofremos, mas ainda tem muito por vir. Não existem soluções simples para problemas complexos! O que nos levou a essa etapa não cessará com você se desvencilhando das “crenças limitantes” como diria um e outro. A vida é muito mais rebuscada e articulada para a solução dos seus problemas ser uma frase de efeito.


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Luiz Gustavo Kabelo

Além do Eu

Luiz Gustavo Pereira é compositor e escritor com dezenas de trabalhos lançados por bandas e sua produtora. É acadêmico de Psicologia e foi um dos fundadores da Liga Acadêmica de Saúde e Espiritualidade (Lasesp) e é membro da Liga Acadêmica de Psicanálise (Lepsic).

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