Sábado, 25 de maio de 2024

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Paulo Monteiro

Mamonas Assassinas - O Filme acerta no elenco, mas erra em todo o resto

02/01/2024 21h25 | Por: Paulo Monteiro
Foto: Reprodução

É curioso perceber o quão marcante foram os anos 90 no Brasil. Em um período de redemocratização, em que saíamos de mais de duas décadas de ditadura militar, a cultura aguardava ansiosamente por se manifestar das mais diversas formas. Talvez por isso essa década tenha sido tão forte culturalmente, com músicas, filmes, bandas, novelas e estéticas que até hoje permanecem muito presentes em nosso dia-a-dia.

Em meio a essa explosão cultural que foi o Brasil dos anos 90, meio que vimos de tudo. Nada, no entanto, chegou perto de ter as mesmas características do que o Mamonas Assassinas, uma banda cuja historia de ascensão é tão meteórica e cinematográfica quanto trágica. Um grupo que ascendeu de uma maneira nunca antes vista no país, mas que literalmente deixou de existir de um dia para o outro.

Quando falamos em Mamonas Assassinas, falamos de uma parte marcante da história brasileira. Uma banda formada na base da persistência cujo diferencial, as músicas bem humoradas e com ritmos dos mais diversos, cantadas e interpretadas por pessoas extremamente cativantes e carismáticas, acabaram por ganhar as estações de rádio, os programas de TV e públicos das mais variadas idades - de crianças e adolescentes à adultos.

No fim das contas, tudo o que gira em torno do Mamonas Assassinas - das engraçadas histórias que moldaram a banda e suas músicas até os dramas pessoais de cada um de seus integrantes - fazem com que esse capítulo da história da música brasileira seja bastante cinematográfico. O que vimos em Mamonas Assassinas - O Filme, no entanto, foi um desperdício de toda essa magia que a banda, por poucos meses, conseguiu criar - e o legado que, de certa forma, ela deixou.

Dirigido por Edson Spinello, diretor de novelas da Globo e Record, Mamonas Assassinas - O Filme acerta em um elenco principal que capta o carisma dos inesquecíveis membros da banda, mas acaba errando em todo o resto. Apesar de exibida nas telas de cinema, é uma obra que, desde o início, acaba deixando claro para o telespectador que está na mídia errada.

Isso porque o filme tem muito mais cara de novela do que de necessariamente filme. Edson não consegue ir além do meio onde construiu a sua carreira e, por fim, acaba entregando um longa extremamente limitado a um formato que prejudica e muito a história que está sendo contada.

Desde os primeiros minutos é possível perceber que a obra está no “formato errado”. A dinâmica das cenas, os cortes, os diálogos dos personagens, a maneira como eles são apresentados ao público e a condução da história como um todo conversa muito mais com o formato novelesco, ao melhor estilo Carrossel, do que qualquer outra obra pensada especialmente para o cinema.

Ao que me parece, nenhuma cena de Mamonas Assassinas - O Filme tem mais do que três minutos. Isso significa que todo e qualquer capítulo da história dessa banda e de seus integrantes não tem mais do que esse curto intervalo de tempo para ser desenvolvido. Afinal de contas, é preciso pular para uma próxima cena, igualmente curta, para poder em 1h30 entregar a “história completa” do grupo.

Essa dinâmica, por fim, acaba fazendo com que o filme seja extremamente acelerado e superficial. Nenhum personagem é suficientemente bem desenvolvido, por mais que sejam interpretados por atores que são capazes de cativar o espectador. Isso faz com que, a partir de 20 minutos, você só consiga pensar que o longa é um desperdício de atores tão legais.

A história do Mamonas Assassinas é absolutamente única. É engraçada e dramática em diversos aspectos, ainda mais quando temos a noção de que o sucesso estrondoso da banda, que continua influente até os dias de hoje, durou menos de um ano, terminando de maneira tão rápida quanto a sua ascensão, em uma tragédia inesquecível.

Mamonas Assassinas - O Filme não consegue nem arranhar a superfície do que foi e ainda é a história dessa banda. O longa carece de originalidade e qualidade na direção, sendo, no fim das contas, um desperdício enquanto autobiografia de um grupo tão marcante na música brasileira.

Ainda assim, por incrível que pareça, o longa consegue divertir em alguns poucos aspectos. Isso porque a dinâmica dos atores principais, que interpretam os membros da banda, é cativante e engraçada - como era o grupo. A partir do momento em que você aceita o formato novelesco, essa característica acaba crescendo um pouco mais. Mas não é suficiente para que você termine o filme sem o gosto amargo que ele deixa, por representar tão pouco do que foi essa banda.

Nota: 1.5/5

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Mamonas Assassinas - O Filme está disponível nos cinemas.

Paulo Monteiro

Cinema em Cena

Paulo Monteiro é repórter da Rádio Cidade em Dia, de Criciúma, jornalista profissional e um apaixonado pelo mundo do cinema e cultura pop. Com passagens por veículos de imprensa de Criciúma, já escreveu sobre a sétima arte também para o Cinetoscópio e CineVitor.

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