Quinta-feira, 30 de maio de 2024
Economia

Escassez de contêineres: momento é “tenso” no mercado internacional

Crise gerada pela escassez de contêineres reflete no preço final e pode causar falta de produtos. Cargas que antes eram embarcadas em uma semana, estão demorando mais de um mês.

Itajaí - SC, 15/10/2021 16h30 | Por: Redação
Foto: Porto de Itajaí

Quem revende mercadorias importadas e não se preparou para as vendas de fim do ano, dificilmente vai conseguir repor estoque à tempo. Cargas que antes eram embarcadas de uma semana para a outra, agora demoram até mais de um mês, devido a falta de contêineres e espaço nos navios. O assunto tem sido um dos mais comentados no noticiário nacional nos últimos dias.

Segundo Carolina Andrea Vidic, sócia-diretora da TH Comex Despachos Aduaneiros, com sede em Itajaí, a crise e a desordem no mercado internacional não apareceram de um dia para o outro. Foi uma sucessão de acontecimentos que resultou no que o mercado vive agora. “Eu vejo como uma consequência da pandemia porque começou a diminuir as rotas de navios, fecharam os portos, as empresas não podiam exportar; e quando as atividades foram voltando, não foi organizado, foi retomado de forma aleatória. Pelo que nós temos acompanhado, não é que faltem contêineres, é que eles estão mal distribuídos”, explica.

Além da pandemia no início de 2020, houve também a interrupção do Canal de Suez no fim de março desse ano, e uma segunda onda de coronavírus na China, que obrigou mais uma vez a paralisação das atividades portuárias e das indústrias, em junho. Tudo isso causou grandes congestionamentos nos portos chineses. Outro fator que influencia nesse cenário é que o Brasil não é prioridade para os grandes armadores. “Hoje o Brasil representa cerca de 1% no comércio internacional mundial. Então se for para priorizar alguém, vão ser os países com maior poder aquisitivo”, comenta Carolina. Estima-se que leve pelo menos mais um ano até tudo se normalizar.

Enquanto despachantes aduaneiros fazem das tripas o coração para embarcar as mercadorias dos clientes, as empresas que dependem do mercado internacional estão arcando com um custo até cinco vezes maior. Para se ter ideia, segundo a TH Comex, o frete de um container da China para a América do Sul em janeiro de 2020 custava em média 2 mil dólares. Um ano depois, em janeiro de 2021 já estava em 8 mil dólares, e agora não fica abaixo de 10 mil dólares. “Quando começaram os aumentos chegava a aumentar mil dólares por semana. E, esse aumento no custo operacional reflete no preço ao consumidor”, revela Carolina.

Cargas frigorificadas

Se para a as cargas secas já está difícil, quem depende da exportação de cargas refrigeradas tem enfrentado mais dificuldades ainda. Em Itajaí, a TH Comex teve “clientes que demoraram três meses para conseguir embarcar uma carga de congelados”.

Entre as saídas encontradas está a utilização de navios convencionais. “Depois de muitos anos tivemos embarque de cargas frigorificadas de frango e carne suína em navios convencionais frigorificados, que tem câmaras frias nos porões e dispensam o uso de contêineres. Nesse ano foram embarcadas 85 mil toneladas nesses navios”, conta Heder Cassiano Moritz, Diretor Geral de Operações Logísticas da Superintendência do Porto de Itajaí.

Apesar da crise no mercado internacional, a movimentação no Complexo Portuário de Itajaí cresce a cada mês. De janeiro a agosto desse ano foram movimentados mais de 12 milhões e 500 mil toneladas de mercadorias, o que representa um aumento de 30% em relação ao mesmo período do ano passado; além de um aumento de 4% na quantidade de escalas de navios. “Se não fosse essa situação o crescimento seria maior”, comenta Heder.

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Quem importou, importou...

Segundo Carolina, as cargas de importados que abastecem o mercado brasileiro para o final do ano estão chegando agora no Brasil, isso para quem se antecipou. Quem deixou para última hora ou depende apenas da importação de produtos de baixo preço, vai esbarrar no custo devido a alta do dólar e do valor do frete, o que torna esse tipo de operação inviável. Com a escassez de contêineres não há também mais tempo hábil para esse tipo de importação. “As empresas chinesas pedem 30 dias para produção da mercadoria. Aí são mais 42 dias de viagem da Chica até aqui... Só ai já se foi o Natal”, explica.

A Havan, que tem sede administra na cidade de Brusque, é uma das redes brasileiras que importa parte dos produtos revendidos nas lojas. Segundo informações divulgadas nas redes sociais do proprietário Luciano Hang, de 5 a 10% dos produtos são importados. Mas graças ao planejamento, não deve ocorrer falta de produtos nesse fim de ano. Segundo nota enviada pela assesoria de imprensa da rede, "existe realmente um problema no comércio exterior que está afetando todo o mundo. Mas na Havan datas como a Black Friday são previstas com mais de sete meses de antecedência e conseguimos nos preparar com um bom estoque. Como contamos com um mix de mais de 350 mil itens, haverá casos de substituição de produtos, mas não teremos falta de produtos".

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