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Sábado, 04 de dezembro de 2021
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Amor sem limites: cães especiais esperam por adoção

Dez cães que perderam o movimento das patas, ou estão em reabilitação, esperam por adoção na Ong Viva Bicho em Balneário Camboriú. Alguns usam cadeira de rodas para se locomover.

Balneário Camboriú - SC, 30/10/2021 11h00 | Atualizada em 30/10/2021 12h04 | Por: Daiana Brocardo
Suri sobreviveu a cinomose e está em reabilitação. Foto: Arquivo Pessoal

Adotar um animalzinho de estimação é um ato de amor. Mas adotar um animalzinho especial, como você definiria? Para a cabeleireira Patrícia Ferreira, para cuidar de um animalzinho deficiente é preciso muito amor, mas principalmente muita dedicação. “Muitos não conseguem nem se virar sozinhos, então tem que mudar de posição, colocar travesseiro, às vezes até comida e água na boca”, fala.

Patrícia também é voluntária da causa animal na ONG Viva Bicho em Balneário Camboriú. Ela mesma tem um cãozinho especial, o Bob, com cerca de 15 anos de idade. “A situação do Bob era tão delicada que eu trouxe ele pra casa pensando em dar conforto e o carinho de ter uma família nos últimos dias de vida dele. Isso foi há cinco anos e meio, e hoje ele está aí feliz da vida. Se der uma brecha ele é o primeiro a fugir,” conta.

Sem o movimento nas patas traseiras, Bob usa uma cadeirinha de rodas adaptada para fazer os passeios diários. Patrícia conta os cães não tem condições de ficar o tempo na cadeirinha, então ela é um instrumento de exercício e lazer. “O Bob usa a cadeirinha uma hora por dia, e aos finais de semana levo ele pra rua para correr”, fala a voluntária.

Apesar das limitações, o Bob é super ativo e se vira muito bem, mas nem todos os cães com deficiência tem essas condição. Muitas vezes as lesões são tão graves que eles ficam deitados o tempo todo e não conseguem se virar, então o tutor é quem tem que mudar a posição para acomodá-lo da melhor maneira para reduzir o atrito e evitar feridas na pele. “Alguns permitem o uso de fraldinhas, em outros casos é usado tapete higiênico, mas é preciso estar atento para evitar que eles fiquem sujos, o que pode trazer ainda mais problemas”, explica.

Casos atendidos na Viva Bicho

O Bob não é o único cãozinho especial na vida da Patrícia. Todos os dias ela dedica um tempo aos animais em recuperação e reabilitação que foram acolhidos na Ong Viva Bicho. Atualmente são dez cães especiais acolhidos na entidade. Segundo a voluntária são animais vítimas de maus tratos como violência ou abandono e acabaram atropelados, e também vítimas d e AVC e cinomose, uma doença que poderia ter sido evitada.

Na última semana uma postagem da Patrícia em uma rede social mostrou um desses casos e chamou atenção. No vídeo a voluntária pede a doação de uma cadeira de rodas para Suri, uma cadelinha feliz e sapeca que está em reabilitação. “A Suri chegou aqui há uns oito meses. Ela foi encontrada na rua se batendo sem parar, devido aos danos neurológicos causados pela cinomose. Ela não parava de tremer nem para dormir e não conseguiu nem tomar água”, conta.

Logo após a postagem duas cadeirinhas foram doadas e vão agora atender a Suri e outro cãozinho. “A cadeirinha é importante porque eles ficam muito tempo sem andar e se machucam muito. Esse período é para reduzir o atrito e dar tempo de curar. Além disso esses momento de exercício ajudam na recuperação dos movimentos”, explica.

A cinomose

Segundo a veterinária da Ong Viva Bicho, Edna Loreto Nied, a cinomose é uma doença grave causada por um vírus que tem alto índice de mortalidade. “É uma doença que a gente chama de multissistêmica porque acomete vários órgãos do organismo, desde pele, olhos, sistema pulmonar causando pneumonias, o digestivo que causa gastroenterite hemorrágica; e o mais potencialmente letal é quando o vírus acomete o sistema nervoso causando várias sequelas como convulsões, paralisias e movimento involuntários que são os tiques”, explica.

A cinomose acomete principalmente cães filhotes até os oito meses de vida, ou animais com baixa imunidade, mas isso não quer dizer que um cão adulto está livre. “Por conta de qualquer outra doença ou problema de saúde, cães adultos também são suscetíveis a cinomose, por isso a vacinação é tão importante”, explica a veterinária.

A única maneira de evitar a cinomose é a vacina. Os cães devem ser vacinados a partir dos 45 dias de vida. São três doses da vacina V10 quando o animalzinho é filhote, e depois a vacinação anual.

Ainda conforme a veterinária, o vírus que causa a cinomose é transmitido de um animal para outro. “O que faz com que essa doença tenha alto grau de transmissão, é porque o cãozinho que se curou fica eliminando o vírus por seis meses. Então não é o ambiente, e sim o bichinho que já passou pela doença libera no ambiente e essa carga viral pode acometer outros cães. Por outro lado, quando está no ambiente ele pode ser eliminado facilmente com fogo, amônia e cloro de casa”, explica Edna.

Por conta dessa sobrevivência no ambiente, mesmo os cães que não passeiam na rua estão suscetíveis. “Precisamos lembrar que a gente também pode trazer no dia-a-dia as doenças pra dentro de casa. Pode ser na roupa, no sapato, nas mãos... A recomendação é que quando você vai brincar com o seu pet, higienize bem as mãos e não use o sapato da rua”, orienta a veterinária.

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Adoção mais que responsável

A Ong Viva Bicho de Balneário Camboriú existe desde 2003. É uma entidade que acolhe, trata e direciona animais em situação de risco ou vulnerabilidade para adoção responsável. Atualmente são quase 600 animais no abrigo, entre cães e gatos.

Para manter toda a estrutura física e o atendimento aos animais, são 13 funcionários e dezenas de voluntários. Além disso a Ong vive de doações da comunidade e presta serviço ao município, por meio do programa Abraço Animal.

Para se ter ideia da importância do trabalho, entre os dias 03 e 25 de setembro a Viva Bicho recebeu 86 animais: 26 cães adultos, 37 filhotes e 22 gatos, alguns em situação muito triste com machucados e doenças causadas muitas vezes por negligência. A média de adoções no mês chega a quase a mesma quantidade de entradas.

Segundo Patrícia Ferreira, voluntária da causa animal e tesoureira da entidade, todos os cãezinhos especiais estão para adoção. Mas é preciso lembrar que um cão especial necessita de mais cuidado e atenção, além de ter um custo maior com medicação, atendimento veterinário, às vezes com fisioterapia e materiais de higiene com fraldas e tapetes. “Se houver interesse, se tiver alguém com espaço tão grande no coração, eles estão aqui esperando”, finaliza.

Saiba mais sobre a Ong Viva Bicho nas redes sociais @ongvivabicho ou no site www.ongvivabicho.com.br 

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Foto: Arquivo Pessoal

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